Em meio à turbulência, o que Trump espera conseguir em sua 1ª viagem ao exterior?

Do UOL, em São Paulo

  • Carolyn Kaster/ AP

O presidente Donald Trump começa nesta sexta-feira (19) sua primeira viagem internacional desde que assumiu o cargo nos Estados Unidos, em meio a um cenário de turbulência na Casa Branca na esteira da investigação dos possíveis laços entre campanha de Trump com o governo russo no ano passado e a suposta tentativa do presidente de interferir no inquérito.

Deixando para trás um cenário de perda de apoio entre partidários republicanos e a crescente pressão pela abertura de um inquérito de impeachment contra Trump, a equipe do presidente se esforça para que tudo ocorra bem na viagem a cinco países em nove dias, que seria um alívio após a onda de más notícias contra a Casa Branca.

A viagem começa na Arábia Saudita, onde Trump fica dois dias, segue para Israel no dia 22, Vaticano no dia 24, Bruxelas no dia 25 (para um encontro de líderes da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), e Itália no dia 26 (para a cúpula do G7 na Sicília).

O roteiro inclui viagens a países-referência das três maiores religiões do mundo --islamismo, judaísmo e cristianismo-- e encontros de Trump com o rei Salman, da Arábia Saudita, Benjamin Netanyahu, premiê de Israel, Mahmud Abbas, principal líder palestino, papa Francisco e o presidente da França recém-eleito, Emmanuel Macron.

"Me reunirei com muitos líderes e honrarei os locais sagrados das três regiões [Arábia Saudita, Israel e Vaticano]", disse Trump na quarta-feira (17), em discurso na Academia da Guarda Costeira dos EUA, na cidade de New London, em Connecticut.

A preparação

Mandel Ngan/ AFP

Prejudicada pela semana turbulenta na Casa Branca --que incluiu apreensão entre os funcionários, temendo uma demissão em massa--, a equipe de Trump focou sua preparação nas questões complexas de política externa que o presidente enfrentará nos encontros, segundo a imprensa americana.

De acordo com a agência Reuters, Trump preferiu se concentrar nas denúncias que o atingiram, o que exigiu estratégias de seus subordinados --como a tática de 'espalhar' o nome do Trump ao longo dos textos para atrair o presidente a ler os conteúdos até final. Segundo a agência, assessores definem o chefe como alguém que gosta de visualizar as informações em mapas e gráficos e geralmente é arredio a textos.

Houve preocupação também com o fato de Trump não gostar de passar noites em hotéis, longe de suas casas, e até pedir que a viagem fosse encurtada pela metade, tendo sido convencido a manter o roteiro.

Na quarta-feira, Trump falou um pouco sobre o que pretende com a viagem. "Fortalecerei nossas amizades e buscarei novos aliados, mas só aqueles aliados que nos ajudem, não os que querem só se beneficiar. Quero que os parceiros nos ajudem a pagar por tudo que estejamos fazendo e por todo o bem que fazemos a eles, que é algo que algumas pessoas ainda não se acostumaram", disse.

Arábia Saudita

Evan Vucci/AP
14.mar.2017 - Donald Trump recebe Mohammed bin Salman, príncipe saudita e ministro da Defesa

No primeiro local de visitação, Trump planeja fazer um discurso sobre o islamismo. "Falarei com líderes muçulmanos e os desafiarei a lutar contra o ódio e o extremismo. E também a se comprometerem com o futuro pacífico para sua fé. Temos de deter o terrorismo islâmico radical", disse.

Segundo o general H.R. McMaster, conselheiro de Segurança Nacional, será uma mensagem "inspiradora, porém direta, sobre a necessidade de confrontar a ideologia radical". "O discurso tem a intenção de unir o mundo muçulmano contra inimigos comuns de toda a civilização, e demonstrar o compromisso dos EUA com nossos parceiros muçulmanos."

A fala, que será direcionada a líderes de mais de 50 países muçulmanos, gerou preocupação de alguns analistas por causa do histórico de Trump de tentar banir a entrada de muçulmanos de determinadas nações nos Estados Unidos, no início de seu mandato --decisão que foi barrada pela Justiça.

Israel e Palestina

Evan Vucci/AP
15.fev.2017 - O presidente dos EUA, Donald Trump, e o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, participam de entrevista conjunta na Casa Branca

Trump se encontrará com o presidente de Israel, Reuven Rivlin, e o premiê Benjamin Netanyahu dias após a divulgação de que ele teria revelado à Rússia informações confidenciais sobre a batalha contra o Estado Islâmico coletadas por um aliado norte-americano --de acordo com o "New York Times", o país em questão é Israel.

Outra questão que pode ser discutida é o recuo de Trump em relação à mudança da embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém, demanda antiga dos israelenses e ponto sensível no conflito com os palestinos --a comunidade internacional não reconhece Jerusalém como a capital de Israel. Trump afirmou durante a campanha que atenderia a demanda, mas depois disse que essa "não seria uma decisão fácil".

No segundo dia da viagem, Trump deve encontrar o líder Mahmud Abbas em Belém, na Cisjordânia, e tentará avançar a negociação de paz entre os dois países.

Segundo o general McMaster, Trump reafirmará em Jerusalém o "vínculo inabalável dos EUA com o Estado judeu" e, em Belém, "expressará seu desejo por dignidade e autodeterminação dos palestinos". "A liderança americana é necessária para levar a região em direção à paz, segurança e estabilidade, que as pessoas tanto merecem", afirmou McMaster.

Vaticano

Max Rossi/Reuters
O encontro com o papa Francisco é a terceira etapa da viagem de Trump

Depois de entrar em conflito com o papa Francisco durante a campanha eleitoral no ano passado -- os dois se criticaram mutuamente por causa do plano de Trump de construir um muro na fronteira com o México --, o presidente encontrará o líder da Igreja Católica ao vivo pela primeira vez. Esse poderá ser um dos temas debatidos, assim como questões relacionadas às mudanças climáticas, assunto renegado por Trump e defendido por Francisco.

Apesar da controvérsia inicial, o papa disse que escutará o republicano. "Eu jamais faço julgamentos sobre uma pessoa sem escutá-la. Eu o escutarei e direi o que penso. O importante em qualquer situação é buscar que as portas que não sejam fechadas", disse Francisco na semana passada.

Otan e G7

Jonathan Ernst/Reuters
12.abr.2017 - Donald Trump ao lado do secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, na Casa Branca

Trump desembarca em Bruxelas no dia 25 para o encontro com os líderes da Otan, sendo recebido pelo rei Felipe e o premiê Charles Michel. O republicano, que classificou a Otan de "obsoleta" durante a campanha no ano passado, moderou a retórica desde que chegou ao poder, mas segue pressionando os países europeus a gastarem mais em defesa.

Depois o presidente segue para a cúpula do G7 na Sicília, onde se encontrará com líderes dos seis países e da União Europeia: além de Macron, estarão presentes os premiês Shinzo Abe (Japão), Paolo Gentiloni (Itália), Justin Trudeau (Canadá) e Theresa May (Reino Unido), a chanceler Angela Merkel (Alemanha) e os líderes Donald Tusk (Conselho Europeu) e Jean-Claude Juncker (Comissão Europeia).

Segundo a CNN, os líderes que participarão dos encontros da Otan e do G7 foram requisitados pelos organizadores a conceder discursos breves por causa da dificuldade de Trump de manter a atenção quando outros interlocutores falam.

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