Informante presa por vazar dados sobre hackers russos era crítica de Trump

Do UOL, em São Paulo

  • Reality Winner/Social Media via REUTERS

    Reality Leigh Winner, acusada de vazar dados da NSA à imprensa americana

    Reality Leigh Winner, acusada de vazar dados da NSA à imprensa americana

A veterana da Força Aérea Americana Reality Leigh Winner, presa pelo FBI no último sábado (3) por vazar informações confidenciais do governo dos Estados Unidos à imprensa, era ativa nas redes sociais, onde atacava políticas e discursos do presidente Donald Trump. Winner, 25, era funcionária terceirizada do governo, trabalhando para uma agência de segurança.

Embora as autoridades não tenham divulgado o nome da agência e nem qual veículo de imprensa teria recebido o documento, o anúncio da prisão ocorreu apenas uma hora depois de o portal "The Intercept" ter publicado um documento da Agência de Segurança Nacional (NSA) que descrevia como a inteligência militar russa atingiu um software de votação dos EUA com ataques de phishing --técnica de fraude online-- para roubar dados.

Em seu perfil no Facebook, ela criticou a campanha contrária de Trump em relação às mudanças climáticas e os esforços do republicano em reformar o sistema de saúde do país.

Segundo ela, solucionar a questão ambiental evitaria "o envenenamento" da população e estaria mais alinhado com o atendimento à saúde. "E não o sistema de atendimento à doença, que as pessoas votaram em um orangotango ruivo sem alma para 'arrumar'", escreveu, três meses atrás. Ela também chamou Trump de "mentiroso" e publicou ofensas contra o presidente.

No Twitter, em postagens até o início de fevereiro, ela também replicava críticas gerais a Trump e se mostrava preocupada com problemas ambientais que afetam o planeta. Ela o chamou de "fascista laranja", entre outras ofensas, e dizia que Trump não era seu presidente.

Winner também seguia perfis como o WikiLeaks e o ex-funcionário da NSA Edward Snowden, ligados a vazamentos de documentos.

Vazamento pode render dez anos de prisão

De acordo com uma declaração juramentada, Reality Winner admitiu ter imprimido e enviado o relatório para a imprensa em maio. Se for condenada, a jovem de 25 anos pode receber até dez anos de prisão. 

Em entrevista à agência Associated Press, Titus Thomas Nichols, defensor da acusada, disse desconhecer a confissão de culpa. "Se essa confissão existe, o governo não mostrou para mim."

Winner trabalhava para a consultora Pluribus International e tinha autorização para manipular informação classificada como "top secret".

O FBI teria descoberto o vazamento quando o "The Intercept" questionou a NSA sobre a veracidade do conteúdo que havia sido repassado --a agência não se manifestou ao portal. Investigadores constataram que Winner foi uma das seis pessoas a imprimir o documento em questão, e confirmaram que ela o enviou à imprensa ao fazer uma checagem em seu computador. Na casa da informante, em Augusta (Geórgia), foram apreendidos computadores, cadernos e seu passaporte.

As informações publicadas pelo "The Intercept" nesta segunda-feira foram confirmadas como autênticas por autoridades próximas ao caso, divulgou a agência de notícias Reuters. Embora os documentos não provem influência direta nas eleições dos EUA, eles fornecem evidências de que hackers russos tentaram fazê-lo dias antes da votação em novembro.

Veterana havia sido condecorada na Força Aérea

Reality Winner trabalhava como linguista na Força Aérea americana. Segundo a mãe da acusada, Billie Winner-Davis, ela fala pashtu, persa e dari, idiomas falados em países como Afeganistão, Irã e Paquistão.

No ano passado, segundo a CNN, ela foi condecorada por ter "fornecido mais de 1.900 horas de informação de inteligência inimiga e ajudou na localização de 120 combatentes inimigos", de acordo com o prêmio recebido na Força Aérea.

AP Photo/Johnny Clark
Billie Winner-Davis e Gary Davis, mãe e padastro de Reality Leigh Winner

Billie Winner-Davis afirmou que sua filha "tem bom coração". "Ela serve à comunidade e ao país. Ela acredita em fazer o que é certo", disse. Winner-Davis acrescentou que a filha, com quem não estava morando atualmente, nunca havia mostrado tanto interesse em política. "Não sei como explicar", disse, sobre o vazamento.

Gary Davis, padrasto de Winner, disse que ela é "patriota". "Ela serviu com excelência em um dos empregos de mais alto nível na Força Aérea", afirmou. "Vê-la atacada e caluniada na imprensa é muito triste." (Com Associated Press e Deutsche Welle)

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