Após negar influência russa na eleição, Putin ironiza asilo político a ex-diretor do FBI

Do UOL, em São Paulo

  • Alexander Zemlianichenko/AP

Em tradicional programa de TV, líder russo comparou James Comey a Edward Snowden e disse estar disposto a dar-lhe asilo político. Ele também afirmou querer a normalização das relações com os EUA

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quinta-feira (15) estar disposto a dar asilo político ao ex-diretor do FBI James Comey, no caso de ele ser perseguido pela Justiça dos Estados Unidos. Putin fez afirmação, em tom irônico, ao responder perguntas de cidadãos russos durante um tradicional programa de televisão transmitido ao vivo.

Putin respondia a uma pergunta sobre a interferência russa nas eleições norte-americanas e destacou que Comey, em recente audiência no Comitê de Inteligência do Senado dos EUA, não ofereceu provas para sustentar a acusação. "Ele falou que nós influenciamos as mentes dos americanos para que votassem de uma maneira determinada", disse Putin. "Isso ocorre no mundo todo com a permamente propaganda dos EUA", respondeu.

Putin comparou o caso de Comey com o do ex-agente Edward Snowden, ao qual a Rússia concedeu asilo em 2013, após ele ter revelado o sistema internacional de escutas dos serviços secretos dos EUA. "Qual a diferença entre o diretor do FBI e Snowden?", questionou. "Naquele caso, ele é menos diretor de um serviço de inteligência e mais um ativista de direitos civis advogando uma certa causa", argumentou.

Ele disse ainda considerar "muito estranho" que um diretor de uma agência de inteligência faça notas de conversas com o presidente Donald Trump e depois as libere para o público. 

O presidente russo participa tradicionalmente do programa anual da televisão russa em que cidadãos fazem perguntas a ele sobre uma variedade de temas ao longo de várias horas.

Em um claro gesto de irritação com a insistência em ser acusado de estar por trás da vitória eleitoral de Trump, o presidente russo fez novas ironias. "Pegue um balão terráqueo, marque qualquer ponto do planeta e ali haverá interesses e influência dos EUA", afirmou. "Isso vemos nas conversas que mantenho praticamente com todos os líderes mundiais. Só que não querem ser inimigos dos EUA e ninguém admite isso publicamente", acrescentou Putin. 

utin também se mostrou disposto a buscar uma normalização das relações com os EUA. "Nós não vemos os EUA como um inimigo", assegurou, observando que sem uma cooperação construtiva com Washington não é possível, por exemplo, uma solução para o conflito na Síria. Ao mesmo tempo, o chefe do Kremlin criticou a posição hostil à Rússia dos meios de comunicação americanos.

Durante o programa, Putin comentou, ainda, os protestos antigoverno realizados em toda a Rússia, os quais ele afirma que foram organizados pela oposição para "autopromoção". "Estou pronto para falar com todos que realmente tenham objetivo de tornar a vida das pessoas melhor e resolver os problemas que o país enfrenta", disse ele, acrescentando que alguns líderes da oposição estão "especulando" em cima de agitação ou tentando tirar proveito de tais problemas.

Ele também comentou sobre seu possível sucessor. "Antes de tudo, eu ainda estou no cargo", ressaltou. "Em segundo lugar, claro que vou me decidir em algum momento e não teria problema em declarar minhas preferências [sobre um sucessor], afirmou. "Mas, acima de tudo, apenas os eleitores, os cidadãos russos, podem decidir quem vai governar sua região, cidade, estado ou país." (Com agências internacionais)

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