Relato: pai recebe da Coreia do Norte filho em coma sentindo "alívio e raiva"

Do UOL, em São Paulo

  • AP Photo/John Minchillo

    Fred Warmbier, pai de Otto Warmbier, estudante americano que ficou em coma após ter sido preso na Coreia do Norte

    Fred Warmbier, pai de Otto Warmbier, estudante americano que ficou em coma após ter sido preso na Coreia do Norte

O americano Fred Warmbier, pai do estudante Otto Warmbier, se disse "aliviado e com raiva" após ter recebido o filho na última terça-feira (13), em Cincinnati (Ohio). Preso na Coreia do Norte em janeiro de 2016, Otto está em coma há aproximadamente 15 meses e só foi libertado nesta semana, sem que seus pais tivessem recebido qualquer notícia sobre o estudante nesse período.

Warmbier falou nesta quinta (15) sobre como a família recebeu o filho e batalhou por sua libertação. Ele havia sido preso no aeroporto de Pyongyang, quando deixaria o país, sob a acusação de tentar roubar um cartaz de propaganda do regime norte-coreano. Otto, de 22 anos, havia sido sentenciado a 15 anos de trabalho forçado pela acusação de cometer "atos hostis" contra o regime.

Segundo o Hospital da Universidade de Cincinnati, onde ele está internado, o estudante tem um "dano neurológico grave" e está em situação estável. Desde que desembarcou nos EUA, Otto tem sido acompanhado pelos pais.

Sam Greene/The Cincinnati Enquirer via AP
13.jun.2017 - Em coma, Otto Warmbier é retirado de avião ao desembarcar em Cincinnati

"Estou aliviado que Otto está em casa, nos braços daqueles que o amam, e com raiva porque ele foi tratado brutalmente por muito tempo", disse Fred Warmbier. "Estamos tentando deixá-lo confortável."

Ele também agradeceu Donald Trump, dizendo que o presidente americano foi gentil em sua ligação pessoal à família após a chegada de Otto aos EUA.

'Disseram que o tour era seguro'

Fred Warmbier disse que o filho de 22 anos jogava futebol e se formou em 2013 na escola onde foi realizada a entrevista para os jornalistas nesta quinta. Vestido com o mesmo paletó que seu filho usou quando foi julgado na Coreia do Norte, Warmbier se emocionou ao homenageá-lo.

"Estamos orgulhosos por sermos uma família feliz e positiva. E vamos continuar assim. Estamos felizes que nosso filho está em solo americano e posso falar a vocês em nome dele. Otto, te amo e sou louco por você, você é um cara incrível", declarou o pai. "Estou orgulhoso dele e da coragem que ele mostrou nas condições brutais da Coreia do Norte. O fato de ter sido tratado assim é horrível e difícil de processar."

Kim Kwang Hyon/AP
29.fev.2016 - Otto Warmbier pouco depois de sua prisão na Coreia da Norte

Segundo ele, o filho ouviu de amigos que haviam visitado o país por meio de uma agência de viagens que leva turistas à Coreia do Norte que não havia risco. "Ele queria ir. Nas propagandas, sempre dizem que o tour é seguro, que não vai acontecer nada com os americanos que vão para lá. Mas a verdade é que Otto foi levado como refém."

Silêncio por 15 meses

"Não ouvimos falar sobre Otto desde março de 2016", disse Warmbier, sobre a falta de informações fornecidas pelo regime norte-coreano. "Não havia nenhuma comunicação."

Ele relatou ter se encontrado com diversos políticos e membros do governo americano --como John Kerry, secretário de Estado do segundo governo de Barack Obama--, sob "a falsa premissa de que a Coreia do Norte trataria Otto de forma justa". "Na verdade, ele foi tratado como um prisioneiro de guerra."

De acordo com o pai, a família recebeu conselhos de que mantivesse a luta para trazer o filho de volta longe dos holofotes, para evitar atitudes que o regime norte-coreano entendesse como provocação. Mas, ao perceber a falta de resultados, a família resolveu começar a dar entrevistas, em maio do ano passado. Pouco tempo depois, ocorreu a libertação.

Questionado se sentia que o governo Obama não havia feito o suficiente para conseguir a libertação de Otto, Warmbier respondeu, mostrando resignação: "acho que os resultados falam por si".

Ele também disse não acreditar em nada que é divulgado pelo governo da Coreia do Norte com relação à prisão de seu filho. Eles são brutais e terroristas. Vemos o resultado de suas ações", declarou.

Ao rebater a acusação de que o filho agia a mando de uma igreja protestante de Ohio, conforme acusado pela Coreia do Norte, o pai disse que o estudante nunca fez parte da igreja em questão.

Telefonema de Trump

Warmbier também contou como foi a conversa com Donald Trump, por telefone, após a chegada do filho. "Ele foi gentil. Perguntou como estávamos indo, a situação do Otto, contou um pouco do duro trabalho de negociação que ele e o [secretário de Estado] Rex Tillerson tiveram [para conseguir a libertação]."

"Eu estava evitando conversar com ele [Trump], porque para mim isso dizia respeito apenas a meu filho. Acabei aceitando e ele foi amável, o agradeço por isso."

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