Qual o risco de fazer turismo na Coreia do Norte? Agências têm lista de recomendações

Marcelo Freire

Do UOL, em São Paulo

Apesar de toda a tensão envolvendo o regime de Kim Jong-un e o Ocidente, particularmente os Estados Unidos, é permitido a turistas de quase qualquer país (com exceção da Coreia do Sul) a visita à Coreia do Norte, uma viagem vista como inusitada e cheia de regras que precisam ser respeitadas para se evitar problemas.

A apreensão dos candidatos a conhecer o país aumentou após a morte do estudante americano Otto Warmbier, 22, que havia sido preso no país em janeiro de 2016 pela acusação de roubar um pôster de propaganda do regime. Sentenciado a 15 anos de prisão, Warmbier foi finalmente extraditado aos EUA, em coma, no último dia 13. O estudante morreu na segunda-feira (19), por motivos ainda não esclarecidos.

A morte de um turista --que estava preso na Coreia do Norte por supostamente ter desrespeitado uma das regras que lhe foi imposta para adentrar o país-- representa um fato novo para as várias agências que prestam esse serviço. A Young Pioneer Tours, responsável pelo grupo do qual Warmbier fazia parte, decidiu não mais levar americanos ao país, considerando que o risco para esses cidadãos se tornou "alto demais".

AFP
6.abr.2013 - Norte-coreanos verificam os passaportes de um grupo de estrangeiros

No entanto, as recomendações aos turistas feitas pelas várias empresas que fazem o serviço são essencialmente as mesmas e não foram alteradas após a morte do estudante. Veja algumas delas:

Você está seguro se não descumprir nenhuma regra

As agências classificam como "segura" a estadia na Coreia do Norte, apontando os baixos índices de criminalidade e de terrorismo no país, e dizem que o turismo é bem-vindo aos olhos do governo.

"Os norte-coreanos são amigáveis e receptivos, se você deixá-los ingressar no seu mundo e evitar insultar suas crenças ou ideologia", diz a Young Pioneer Tours. Segundo a empresa, porém, se você não seguir as regras, as consequências podem ser "severas".

"Se você for respeitoso e seguir as regras, você não terá absolutamente nenhum problema", diz outra empresa, a Koryo Tours.

KCNA via Reuters
Estátuas de Kim Il-sung e Kim Jong-il, um dos locais de visita em Pyongyang

Você nunca andará sozinho pelas ruas

A circulação livre na Coreia do Norte se limita ao hotel onde o estrangeiro está hospedado. Nas ruas, sempre há o acompanhamento de guias norte-coreanos, que trabalham sob orientação do governo.

Segundo os relatos de viajantes, esses guias, apontados como simpáticos e prestativos, não ficam fiscalizando tudo o que os estrangeiros estão fazendo nos pontos turísticos, mas permanecem de olho no grupo para saber se as regras estão sendo seguidas.

Essa falta de liberdade impede que uma pessoa conheça as cidades e o país por conta própria e tenha uma experiência mais próxima do cotidiano dos cidadãos norte-coreanos. Os turistas que foram ao país reconhecem que suas viagens nunca saem do script oficial.

O contato com a população norte-coreana também é vista como muito restrita, justamente pelo percurso pré-aprovado dos turistas. Também há a barreira da língua; a maioria dos cidadãos fala apenas coreano.

O roteiro é restrito aos pontos turísticos

Seguindo essa característica, os roteiros são limitados aos pontos turísticos --inclusive monumentos que exaltam os líderes Kim Il-sung e Kim Jong-il--, dando aos visitantes pouca oportunidade de variação.

A maior parte das atrações se limita a Pyongyang, mas também é possível conhecer determinados lugares no interior do país --sempre com supervisão dos guias oficiais.

Fotos e vídeos apenas nos locais permitidos

Não é permitido aos turistas tirar foto ou filmar todos os lugares --quando há restrição, os guias avisam. Mas alguns viajantes relatam que essa norma não é seguida tão à risca.

Segundo o brasileiro Gabriel Britto, que escreve no blog Sunday Cooks e viajou ao país, os locais proibidos geralmente são considerados militarmente estratégicos, e ainda assim é possível capturar imagens desses lugares, desde que o guia autorize. Também há restrições a uso de lentes muito grandes.

Divulgação/Koryo Tours
Torre da ideologia juche, uma das atrações turísticas de Pyongyang

É preciso fazer reverência a Kim Il-sung e Kim Jong-il

Se você visitar as grandes estátuas dos ex-líderes norte-coreanos, é preciso reverenciá-las de alguma forma, ou seu ato pode ser considerado, no mínimo, desrespeitoso.

Eles são vistos como santidades pela população, seguindo a ideologia juche, espécie de religião criada pelo governo de Kim Il-sung (1948-1994), que fundou as bases do regime.

Celulares, laptops e câmeras são vistoriados na entrada e na saída

É possível levar seus eletrônicos para o país, mas você está sujeito a vistorias das autoridades norte-coreanas. Viajantes relatam que a rigidez é maior para quem deixa o país de trem. Imagens que podem ser consideradas "ofensivas ao Grande Líder" (Kim Il-sung e Kim Jong-il) são deletadas por agentes.

O uso de aparelhos com GPS é proibido no país.

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