Garota é confundida com suspeito 20 cm mais alto e apanha da polícia nos EUA

Colaboração para o UOL

  • AP

    Tatyana Hargrove reclama de ter sido agredida pela polícia dos Estados Unidos

    Tatyana Hargrove reclama de ter sido agredida pela polícia dos Estados Unidos

Uma jovem foi atacada por policiais nos Estados Unidos após ter sido confundida com um homem em atitude suspeita, segundo explicação dada pelos oficiais que a detiveram. Tatyana Hargrove, de 19 anos, estava indo de bicicleta comprar um presente para seu pai por conta do Dia dos Pais, no último dia 18 de junho, na cidade de Bakersfield, na Califórnia.

De forma repentina, Tatyana foi abordada pelos policiais. De acordo com o seu relato, eles a espancaram, soltaram um cão policial para atacá-la e a levaram para delegacia, onde passou 16 horas detida.

O caso foi revelado em depoimento da própria jovem ao NAACP (sigla em inglês para Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor) da cidade. O grupo defende os direitos dos negros e divulgou em seu Facebook a história de Tatyana. O post já tem mais de 5 milhões de visualizações.

No vídeo, Hargrove conta como foi a abordagem: ela parou na sombra de uma árvore para beber água que levava em sua mochila quando foi abordada por três veículos da polícia. Um dos oficiais já estava com a arma em punho quando saiu do carro.

"Eles perguntaram se eu estava dentro da loja (uma mercearia próxima ao local) e eu disse não. Eles perguntaram: 'Tem certeza' e eu disse 'sim'. Eu perguntei para o oficial na minha frente o que estava acontecendo e ele só disse 'me dê a mochila' e eu questionei se eles tinham um mandado. Ele apontou para trás e me mostrou um grande cão policial. Eu fiquei assustada e disse apenas: 'aqui, pegue a mochila'", contou Tatyana. "Depois disso ele me pegou pelo pulso, segurou no meu pescoço, me socou, me jogou no chão e foi aí que o cão policial veio para cima de mim e começou a morder minha perna".

A justificativa dos oficiais foi de que Tatyana Hargrove batia com a descrição de um suspeito: um homem negro, entre 25 e 30 anos, de 1,77m e aproximadamente 77 quilos e que estava ameaçando algumas pessoas com um facão, próximo a uma mercearia local. O problema é que a vítima das agressões é uma mulher.

"Ela parecia ser um homem e batia com a descrição do suspeito que estava com o facão e também estava na região que o suspeito fugiu", escreveu o oficial Christopher Moore, responsável por sua prisão, em seu relatório.

Além de ser mulher, Tatyana tem 1m57 e pesa 52 quilos, segundo informações de seu pai no vídeo da NAACP - bem longe da descrição do homem com o facão. A jovem foi presa sob duas acusações: resistir ou atrasar um oficial e lesão corporal a um policial. No relatório, Moore escreveu que a garota poderia estar com o facão em sua mochila e que estava aberta e ao alcance de sua mão.

Por isso, ele teria avaliado usar sua arma de choque ou seu cassetete. Foi também dele a decisão de soltar o cão policial na jovem. Ela teria derrubado um oficial batendo nele com seu ombro esquerdo e teria tentado ir para trás do policial após ser agredida, segundo Moore.

Ainda no relatório, Moore afirma que quando ela estava no banco de trás do carro ele perguntou seu nome e não acreditou quando ela disse "Tatyana". "Hargrovre disse: 'eu sou uma menina, só não me visto como uma', foi aí que percebi pela primeira vez que ela era uma mulher", escreveu o oficial.

Para o jornal norte-americano Washington Post, uma fonte no departamento de polícia de Bakersfield que não quis se identificar disse que foi avaliado de que os policiais usaram "força apropriada" na abordagem.

"Porque minha filha tem que ser acusada de um crime? Tudo o que ela fez foi parar para beber um pouco de água por causa da temperatura. Isso é ridículo. Ela estava vindo para casa para comemorar o dia dos pais comigo. Isto não é certo, não é certo", afirma o pai da jovem em vídeo da NAACP. A entidade está organizando uma série de ações para ajudar Tatyana, incluindo um abaixo-assinado para inocentá-la de todas as acusações e um crowdfunding (uma vaquinha online) para ajudá-la a pagar as despesas médicas.

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