Mãe vai a júri por dar tapa no filho e é inocentada de acusações na Espanha

Colaboração para o UOL

  • Silva Júnior/Folha Imagem

    Juiz deu razão para a mulher e criticou jovem: "procura humilhar e desprezar sua mãe"

    Juiz deu razão para a mulher e criticou jovem: "procura humilhar e desprezar sua mãe"

Um suplício que já durava um ano e seis meses teve fim, nesta semana, para uma mãe da cidade de Corunha, na Espanha. Durante este período, ela foi investigada pela Justiça por acusações de violência doméstica - motivadas por tentativas de correção do comportamento de seu filho de 13 anos. Ela também foi acusada de forçar o garoto, tido como agressivo, a ficar em casa quando ele prometeu fugir.

A mulher enfrentou um júri e foi inocentada. Um juiz espanhol a livrou de ser condenada a 35 dias de prisão, além de um ano e seis meses de privação de direito à posse e porte de armas, bem como uma proibição de seis meses de falar ou aproximar-se de seu filho. A decisão veio do juiz-chefe do tribunal penal da Corunha, José Antonio Vázquez Tain.

Tudo começou na véspera de Natal de 2015. A mulher, sem antecedentes criminais, pediu ao seu filho para ajudar a pôr a mesa para o café da manhã. O garoto, então com 11 anos, decidiu não obedecer e seguiu escutando música em seu aparelho celular descrito como "novo" e de "alto nível". O jovem, irritado, lançou o aparelho na direção de sua mãe após ser cobrado por ajuda.

Para as investigações, não ficou claro se o ato tinha como objetivo atingir a mulher, ou apenas uma manifestação de raiva. A resposta do garoto, portanto, resultou em uma ação da mãe. "Para que barrasse sua atitude rebelde e violenta, ela lhe deu um tapa muito forte na altura da bochecha esquerda", relata a sentença do Tribunal Superior de Justiça da Galícia.

Um outro caso violento entre mãe e filho foi tratado pelo juiz espanhol. No dia 11 de novembro de 2016, quase um ano após o primeiro episódio conflituoso familiar, "uma nova discussão aconteceu, quando seu filho pretendia fugir de casa". A mulher "tentou evitar que o menor saísse, motivo pelo qual o agarrou pela parte de trás do pescoço, causando um arranhão", também segundo a sentença.

De acordo com registros da assistência médica, o garoto se recuperou do tapa no rosto em um dia. Do arranhão, em três. Ainda assim, foi registrada queixa contra a mãe, alegando "dois crimes de lesões leves no ambiente doméstico".

"Os fatos foram pontuais e com provocação por parte do menor", afirmou o juiz antes de mergulhar em autos de legislação e jurisprudência, desfiando uma série de sentenças anteriores de tribunais espanhóis. Apoiando-se sobre o Código Civil do país, Tain deu razão às atitudes da mãe. "Estamos diante de uma exposição clara de uma síndrome do imperador", declarou. "Só procura humilhar e desprezar sua mãe".

Em relação ao incidente ocorrido um ano depois, dos arranhões, o juiz afirmou que os ferimentos foram obra do "acaso". Para ele, a mãe mais uma vez não tentou agredir seu filho, mas "simplesmente segurar fisicamente dado que queria fugir de casa". "O comportamento da criança é abominante", encerra Tain.

"Se uma sala de aula não gostar do que ouve também irá se levantar e, aproveitando que o professor nada pode fazer, sairá para tomar atitude? Pois a autoridade de um professor não pode ser, de forma alguma, superior à de uma mãe".

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