Pais do bebê Charlie Gard desistem de tratamento por ser "tarde demais"

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Telegraph

Nesta segunda-feira (24) ocorreu a audiência final sobre o caso Charlie Gard e os pais do bebê decidiram encerrar a batalha judicial pelo seu tratamento experimental.

O advogado do casal, Grant Armstrong, disse à Corte que "a janela de oportunidade para o tratamento foi perdida" e que "já é tarde demais" para Charlie. "O tempo acabou. Ocorreram danos musculares irreversíveis e o tratamento não mais poderá ter sucesso", disse o advogado.

Durante a audiência, a mãe de Charlie, Connie Yates, disse que essa foi a decisão mais difícil que ela e seu marido tiveram que ter e que muito tempo "foi perdido".

"Um tratamento deveria ter sido feito. Charlie teria uma chance real de ter melhorado", afirmou Connie.

CHRIS J RATCLIFFE/AFP
24.jul.2017 - Apoiadores de Charlie Gard reagem ao anúncio dos pais do bebê durante audiência em Corte de Londres

Para ela a decisão tomada é o melhor para Charlie no momento e foi tomada com base no que foi dito pelos especialistas. "Nós iremos sempre saber que em nossos corações fizemos o melhor por Charlie."

Segundo a mãe do bebê, não existem vencedores no processo da batalha judicial. Ela agradeceu o hospital de Londres em que Charlie ficou internado e, muito emocionada, disse que o bebê é um herói. "O seu espírito irá viver pela eternidade".

O juiz do caso, Nicholas Francis, prestou homenagem aos pais de Charlie e disse que ninguém poderia entender a agonia que eles passaram.

"Nenhum pai poderia ter feito mais por seu filho", disse Francis.

Após a audiência o pai de Charlie, Chris Gard, leu um testamento em frente à Corte e disse que ele e sua esposa irão passar o último momento com o filho no hospital.

"Nós iremos agora passar os nossos últimos e preciosos momentos com o nosso filho", disse Chris.

Entenda o caso do bebê Charlie Gard, que mobilizou até Trump e o papa

Charlie Gard tem 11 meses de idade e sofre de síndrome de miopatia mitocondrial, uma síndrome rara que provoca a perda da força muscular e danos cerebrais. Com dois meses, ele precisou ser internado no Hospital Great Ormond Street, em Londres, onde permanece internado desde então.

O serviço de saúde pública do Reino Unido alegava que o bebê tem danos cerebrais irreversíveis, que o impedem de se mover, escutar, respirar e a sua respiração só funciona por meio de aparelhos.

Os tribunais anteriores haviam decidido que Charles não poderia receber um tratamento para sua síndrome e que os aparelhos que o mantêm vivo deveriam ser desligados, pois a posição anterior do hospital em que está internado era de que o tratamento experimental era "injustificado" e poderia causar a Charlie mais sofrimento para um caso onde não havia cura.

No início de julho, o hospital mudou de postura e pediu a reavaliação do Caso à Suprema Corte, após "novas evidências mostrarem um potencial tratamento para sua condição".

Sob as leis britânicas, é comum a corte intervir quando pais e médicos discordam sobre o tratamento de uma criança, como em casos onde as crenças religiosas dos pais proíbem transfusão de sangue.

Tratamento

Durante a batalha judicial, apoiadores defenderam que o bebê poderia ser salvo através do tratamento experimental. O Hospital Pediátrico Bambino Gesú, que é de propriedade do Vaticano, enviou uma carta escrita por sete médicos, especialistas internacionais, para a Corte britânica dizendo que a nova droga utilizada no tratamento poderia funcionar.

De acordo com os primeiros estudos, essas moléculas poderiam superar a barreira hematoencefálica, que separam os vasos sanguíneos do cérebro, e assim ter impacto na miopatia mitocondrial - que é uma doença considerada incurável até o momento.

O caso ganhou atenção mundial após o papa Francisco declarar apoio aos pais de Charlie e dizer que reza por eles, "na esperança de que seu desejo de acompanhar e cuidar do próprio filho até o fim não seja ignorado". 

Na época, o presidente dos EUA, Donald Trump, também se manifestou sobre o caso no Twitter e disse que gostaria de ajudar Charlie a receber tratamento.

"Se pudermos ajudar o pequeno #CharlieGard, como nossos amigos do Reino Unido e o papa, ficaríamos felizes em fazê-lo", escreveu Trump.

Em uma entrevista feita na BBC Radio 4, momentos antes do julgamento desta segunda-feira, a mãe de Charlie, Connie Yates, chegou a afirmar que os comentários feitos pelo papa e por Trump "salvaram a vida" de seu filho e transformaram a luta por sua sobrevivência "em um problema internacional".

A tentativa de salvar o garoto Charlie mobilizou milhares de pessoas em todo o mundo e uma campanha organizada pelos pais de Charlie em um site de financiamento coletivo para custear o tratamento nos EUA conseguiu arrecadar 1,3 milhão de libras (cerca de R$ 5,5 milhões).

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