Com malas e pertences, mais de 26 mil venezuelanos entram na Colômbia em 1 dia

Do UOL, em São Paulo

O departamento de imigração da Colômbia informou que mais de 26 mil venezuelanos, muitos deles levando bagagens e pertences pessoais, ingressaram no país na segunda-feira (24). Eles cruzaram a ponte Simon Bolívar, que liga a cidade de Cúcuta, na Colômbia, vindo de cidades venezuelanas do Estado de Táchira.

Christian Krüger, diretor de imigração da Colômbia, chamou essa transição de "temporária". O número, no entanto, chamou a atenção; durante todo o mês de janeiro deste ano, por exemplo, 47 mil cidadãos venezuelanos ingressaram na Colômbia, numa época em que a saída de pessoas do país já era intensa.

Segundo o departamento de imigração da Colômbia, mais de 560 mil venezuelanos pediram, desde fevereiro, pelo cartão de permissão para transitar livremente pela área fronteiriça entre os dois países, que abrange 16 municípios.

O êxodo ocorre dias antes da votação da Constituinte promovida pelo presidente Nicolás Maduro. No próximo domingo (30) serão realizadas no país as eleições para escolher uma Assembleia Nacional Constituinte, que será integrada por 545 representantes e terá poder superior para elaborar um novo ordenamento jurídico e reformar o Estado. Opositores chamam o processo de 'fraudulento'.

"Creio que será uma guerra civil, ou algo assim, porque já há muitos mortos e o governo não quer entender que o povo não aguenta mais", disse a venezuelana Isis López, que chegou à Colômbia com uma mala, entrevista pela emissora colombiana Caracol. "Sabemos que não temos garantia política, e essa Constituinte está sendo feita para o governo manipular a sua maneira. A coisa não vai melhorar, vai piorar", disse Eduardo Ávila, também venezuelano, à rádio Caracol.

Outros venezuelanos relataram que venderam carros e deixaram tudo para trás, dizendo que o país está sem condições.         

Brasil também é destino

Além da Colômbia, o Brasil é outro destino comum dos venezuelanos que fogem da crise no país. Cerca de 4.000 venezuelanos pediram refúgio no Brasil somente nos seis primeiros meses de 2017. Segundo o governo de Roraima, único Estado brasileiro que tem um ponto de fronteira terrestre com o país, cerca de 30 mil venezuelanos estão morando na unidade da federação.

Assembleia terá sistema polêmico e inédito de votação

Pessoas com direito a dois votos e a utilização de vários censos eleitorais são algumas das inéditas e polêmicas características da eleição para a Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela, marcada para o próximo domingo, e amplamente questionada pela comunidade internacional.

O pleito mais controverso da histórica recente do país tem representantes do chavismo como únicos candidatos. A Mesa da Unidade Democrática (MUD), maior grupo de oposição, se negou a participar do processo e o classificou como "fraudulento", além de ter alegado que o objetivo do presidente do país, Nicolás Maduro, é consolidar uma ditadura.

Maduro propôs em 1º de maio a formação de uma assembleia para redigir uma nova Constituição. Era uma "resposta de paz" à onda de protestos iniciada um mês antes, que se intensificou após a proposta do presidente, provocando confrontos que já deixaram mais de 100 mortos.

A iniciativa foi recebida pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que marcou a data da votação e aprovou as bases do processo, feitas pelo governo. Elas contemplam a eleição por territórios e setores para definir os 545 representantes que farão parte da Assembleia.

Ao todo, serão eleitos 364 constituintes, um por município do país, dois por cada capital dos 23 Estados e sete do distrito federal. Nesse formato, cidades com menos de 5 mil habitantes terão a mesma representatividade do que as com mais de 200 mil moradores, um ponto criticado pela MUD.

Além disso, com a modalidade de votação setorial, serão escolhidos 173 representantes distribuídos em sete grupos, alguns dos quais estão supersegmentados. Os estudantes, por exemplo, terão direito a 24 porta-vozes na Assembleia Nacional Constituinte, mas essa cota foi dividida. Serão 11 do sistema público de educação, três do particular e dez dos programas educacionais criados pela chamada Revolução Bolivariana, conhecidos como "missões".

Por outro lado, os trabalhadores, setor que maior número de representantes escolherá, com 79, estão divididos em nove grupos. A administração pública, com 17 membros, é o maior deles. Os empregados nos setores de mineração e transporte elegerão, por sua vez, dois representantes cada.

Outros setores com voz na Assembleia Nacional Constituinte serão os camponeses e os pescadores, com oito representantes, e conselhos comunais, com 24. Empresários e pessoas com incapacidade terão cinco membros cada. Já os aposentados ficarão com 28 cadeiras.

Para determinar a divisão, o Conselho Nacional Eleitoral pediu registros e bases de dados de empresas públicas, órgãos governamentais e universidade. A partir dessas informações, escolheu um sistema de prioridade para os venezuelanos que se encaixam em mais de um setor.

Dessa forma, alguns eleitores terão direito a um voto territorial e um voto setorial. Críticos da Constituinte afirmam que o sistema cria uma classificação diferente de cidadãos.

Além disso, os povos indígenas venezuelanos terão oito representantes, que serão

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