Bebê Charlie Gard será transferido para casa de repouso para seus últimos momentos de vida

Do UOL, em São Paulo

A Justiça britânica determinou nesta quinta-feira (27) que o bebê Charlie Gard será transferido do hospital onde está internado para uma casa de repouso dedicado a pacientes terminais (denominado "hospice", em inglês). Os aparelhos que mantêm Charlie vivo devem ser desligados em seguida.

A Justiça britânica concedeu até o meio-dia desta quinta-feira (27), no horário local (8h no horário de Brasília), para que os pais Connie Yates e Chris Gard entrassem em acordo com o Great Ormond Street Hospital (GOSH), onde Charlie está internado.

Os pais de Charlie, de 11 meses, queriam que ele passasse seus últimos dias em sua casa em um bairro do oeste de Londres, mas o hospital alegou que não havia condições práticas para realizar a operação. Os dois lados não conseguiram entrar em acordo.

O Great Ormond Street Hospital afirmou que trasladar o bebê para sua casa para ele passar ali seus últimos dias não seria algo prático, e sugeriu que ele fosse levado para uma casa de repouso voltada para pacientes terminais.

"O GOSH encontrou uma casa de repouso excelente que está disposta a ajudar Charlie e seus pais, e que proporcionará o espaço e a privacidade necessários para todos", indicou o hospital em um comunicado.

"Uma área especial será disponibilizada para eles, permitindo a visita de amigos e familiares", acrescentou.

O hospital argumentou que não poderia oferecer ao bebê cuidados 24 horas por dia na residência dos seus pais e que "o aparelho de ventilação artificial não passaria pela porta de entrada" da casa.

O casal travou uma longa briga jurídica para ganhar o direito de retirar o filho do GOSH e levá-lo aos Estados Unidos, mas perdeu suas apelações nos tribunais britânicos e no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, em Estrasburgo.

O caso gerou grande interesse em nível internacional e chamou a atenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do papa Francisco.

Na segunda-feira (24), os pais de Charlie abandonaram sua batalha, e um dos advogados do casal admitiu que "o tempo acabou" e que seus clientes tomaram essa decisão após as últimas tomografias cerebrais do bebê.

Charlie sofre de uma doença genética rara, chamada de síndrome de depleção do DNA mitocondrial, que causa fraqueza muscular progressiva no coração e em outros órgãos essenciais, e precisa de ventilação artificial por não poder respirar sozinho.

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