Roupa de mergulho contaminada e concha explosiva: os planos da CIA para matar Fidel

Do UOL, em São Paulo

  • Xinhua/Archivo

Se os documentos revelados pelo Arquivo Nacional dos Estados Unidos na quinta-feira (26) não trazem nenhuma resposta nova para os mistérios que rondam a morte do presidente John F. Kennedy em 1963, alguns deles revelam planos da CIA para matar o ditador cubano Fidel Castro.

A presidência de Kennedy (1961-63) marcou um dos períodos mais tensos na relação entre EUA e Cuba, que iniciou sua revolução comunista em 1959 sob o comando de Fidel. Em 1961, exilados cubanos com apoio da CIA tentaram derrubar o regime com uma invasão frustrada na Baía dos Porcos; no ano seguinte, a União Soviética começou a instalação de mísseis balísticos na ilha, no período de 13 dias conhecido como Crise dos Mísseis, que quase culminou em um conflito armado entre URSS e EUA.

A hostilidade com Cuba motivou o governo americano a planejar o assassinato de Fidel. Um dos planos mais engenhosos envolveu o advogado e espião americano James B. Donovan, que negociaria com Fidel a respeito de prisioneiros do conflito da Baía das Porcos.

Na conversa, Donovan presentearia o líder cubano com uma roupa de mergulho contaminada com fungos, que causariam uma doença de pele crônica. Além disso, o instrumento de respiração seria contaminado com uma bactéria que infectaria Fidel. Donovan não aceitou e acabou presenteando o líder cubano com uma roupa de mergulho convencional.

Um outro plano também envolvia a paixão de Fidel por mergulho. A ideia da CIA era colocar uma concha marinha gigante armada com explosivos numa das áreas que o líder frequentemente mergulhava. A explosão aconteceria quando ela fosse levantada. A CIA desistiu ao constatar que não havia uma concha grande o suficiente no mar caribenho para ser armada com explosivos e que seria espetacular a ponto de atrair o líder cubano.

Em 1963, um agente da CIA se reuniu com um oficial cubano que pediu alguma "bugiganga" para poder se defender caso se envolvesse numa briga com Fidel Castro. O agente da CIA ofereceu uma caneta acoplada com uma seringa contendo veneno, mas o cubano não aceitou porque ele teria que ficar muito perto de Fidel para usar a arma. Ele recebeu dois rifles, que nunca forma utilizados. Os agentes romperam contato em 1964.

Esses planos aparecem num documento que resume os planos da CIA para assassinar líderes mundiais. Além de Fidel, a CIA também considerou matar Patrice Lumumba, um dos líderes da independência do Congo, e Sukarno, presidente da Indonésia entre 1945 e 1967.

Já uma proposta do Pentágono chamada "Operação Recompensa", de 1962, estabeleceria um sistema de retribuição a cubanos que conseguissem "matar ou capturar vivos" comunistas conhecidos. O valor poderia chegar a US$ 100 mil, caso o alvo fosse um oficial de governo; mas no caso do Castro, quem o matasse ou entregasse ganharia apenas US$ 0,02, um valor considerado simbólico. Os cubanos conheceriam o sistema de recompensa através de folhetos lançados pela CIA no ar.

As ligações de Lee Harvey Oswald e agentes cubanos

Os documentos indicam que a CIA e o FBI investigaram uma possível participação de Cuba na morte de Kennedy, especialmente os laços entre o acusado pela morte do presidente, Lee Harvey Oswald, com agentes cubanos.

Um áudio de março de 1967 obtido pelo FBI relata uma conversa entre dois cubanos, um deles identificado como espião do governo, na embaixada do país na Cidade do México.

O suposto espião, funcionário da embaixada, disse que os "Estados Unidos estavam tentando culpar Cuba pela morte". O outro homem, então, afirmou que Oswald deveria ser um "bom atirador". O suposto espião respondeu: "sim, ele era muito bom. Eu o conheci".

Um comitê da Câmara dos EUA que investigou assassinatos, no entanto, considerou que assassinar Kennedy "não valia a pena" para Fidel. "Esse comitê não acredita que Castro assassinaria Kennedy, porque esse ato, se descoberto, teria dado aos Estados Unidos uma desculpa para destruir Cuba. Esse risco não valia a pena", diz o documento de 1979.

Afastado da presidência cubana desde 2011, Fidel Castro morreu em 25 de novembro de 2016, aos 90 anos. Ele foi substituído no poder por seu irmão Raúl, que retomou as relações diplomáticas do país com os Estados Unidos durante a gestão de Barack Obama na Casa Branca. Em 2015, os países reabriram suas respectivas embaixadas em Washington e Havana, após 54 anos.

Após a ascensão de Donald Trump, no entanto, a retomada desacelerou, com o novo presidente americano prometendo "firmeza diante da opressão comunista" no país.

Veja como foi o assassinato de John F. Kennedy, em 1963

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