Após 16 anos, ataque em Nova York causa efeito oposto ao de 11 de setembro

James Cimino

Colaboração para o UOL, em Nova York

  • James Cimino/UOL

    Ciclistas voltam à região em que atropelamento em massa fez oito vítimas em Manhattan

    Ciclistas voltam à região em que atropelamento em massa fez oito vítimas em Manhattan

Após 24 horas do atentado ocorrido ao sul de Nova York nessa terça-feira (31), as marcas do sangue das primeiras vítimas do terrorista uzbeque estão no pavimento da ciclovia que foi palco da carnificina, bem no cruzamento da ruas Houston e West. Por isso os policiais pedem que os jornalistas montem suas câmeras após a segunda barricada, onde uma bandeira argentina e outra belga foram fixadas, pouco acima de alguns buquês de flores, ali colocados em homenagem aos oito mortos e 12 feridos.

John Moore/Getty Images/AFP
Memorial com flores relembra vítimas; cinco argentinos, dois norte-americanos e um belga morreram

É bem neste local em que os ciclistas que vêm do norte da ilha de Manhattan param para desviar do bloqueio que se estende até o cruzamento com a rua Chambers, onde o terrorista foi parado a tiros pela polícia vê Nova York. Ao fundo da barricada, imponente, está o edifício One World Trade Center, que foi erguido em frente ao local onde as torres gêmeas tombaram há pouco mais de 16 anos, em 11 de setembro 2001, data do maior atentado terrorista sofrido pelos Estados Unidos e que matou mais de 5.000 pessoas.

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Diferentemente de 2001, quando o mundo se via acuado diante da ameaça terrorista, hoje o efeito deste tipo de ação é outro. No lugar do medo, entra a resiliência — embora a tristeza em relação aos que se foram permaneça. Portanto a tradicional parada do Halloween continuou normalmente, as crianças saíram das escolas e continuaram batendo de porta em porta pedindo doces e os trens e metrôs mantiveram sua operação programada, tanto na terça quanto na quarta-feira.

James Cimino/UOL
O ciclista Sonny, 55, disse que não deixaria o terror afetar sua rotina

O ciclista Sonny, 55, (ele não quis dar o sobrenome), disse à reportagem do UOL que se sente "péssimo" e que todo ato de terror é "terrível". No entanto, afirmou que não vai deixar que isto afete sua rotina. E embora ele use a ciclovia da rua West apenas algumas vezes por semana, decidiu vir hoje para mostrar seu apoio aos ciclistas.

Para mostrar aos turistas do mundo todo que eles não devem ter medo de vir aos Estados Unidos. Você tem que se sentir afetado de alguma maneira, mas não arruinar sua vida por causa disso."

O fotógrafo Kevin não parou sua programação de corridas. "Eu uso a pista de corrida regularmente. Me senti destruído, sem ação, triste. Mas não vou mudar minha rotina por causa disso. Apesar das pessoas horríveis, você tem que continuar com sua vida. A resposta é a resiliência."

Isto não significa que a segurança não tenha sido intensificada pela cidade. Além de um cordão de isolamento com dezenas de policiais ao longo do trajeto percorrido pelo terrorista antes de ser alvejado. 

Havia militares fortemente armados nas maiores estações de metrô e de trem, como a Pennsylvania Station, que liga Manhattan ao Estado vizinho de Nova Jérsei, onde ouviam-se repetidos avisos para que os usuários reportassem atitudes ou pacotes suspeitos em trens e estações.

James Cimino/UOL
Viver em Nova York te coloca em risco de morrer em qualquer lugar a qualquer hora, diz Naima

Um funcionário da autoridade portuária, que se identificou apenas como Justin, contou que ficou sabendo da tragédia por sua noiva, que lhe telefonou na hora, pois sabia que ele estava na área. Ele foi ao local apenas para prestar solidariedade. "Tocou meu coração, porque eu sou um nova-iorquino e vivi aqui minha vida inteira. Não podemos nos dessensibilizar e encarar isto como uma norma."

A ciclista Naima, 31, conta que o ataque a fez pensar em sua própria mortalidade. "É destruidor. Poderia ter sido eu facilmente. Me fez pensar na minha mortalidade, mas não vai mudar minha rotina."

Viver em Nova York te coloca em risco de morrer em qualquer lugar a qualquer hora, especialmente em cima de uma bicicleta. Se acontecer de novo, pode acontecer na próxima esquina."

Turistas foram às ruas

No memorial do 11 de Setembro, onde foram construídas duas piscinas do tamanho do perímetro das extintas Torres Gêmeas, jorrando litros de água que são tragados por um buraco bem em seu centro geométrico, o clima era de normalidade.

Muitos turistas observavam o local em silêncio, concentrados apenas no ruído da água. Embora as piscinas se pareçam com duas grandes lápides, onde os nomes dos mortos no ataque estão gravados, não é raro ver turistas tirando selfies sorridentes.

A turista britânica Jenny Clifford não era uma dessas, no entanto. Disse ter ido ao local por ser um ponto turístico que faz parte da história de Nova York. "Não me sinto ameaçada [pelos ataques terroristas] porque sei que é mais fácil ser atropelada por um ônibus ou apanhar de alguém do que estar envolvida em um ataque terrorista. Em Londres já houve uns quatro ou cinco, mas aconteceu em vários lugares do mundo. Não altera minha rotina em nada, porque você tem que continuar vivo. É este a maior mensagem que a gente tem que passar aos terroristas."

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