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Local de fuga de norte-coreano ouve tiros pela 1ª vez em mais de três décadas

Imagem retirada de vídeo mostra momento que desertor norte-coreano foge para o lado sul-coreano da fronteira em Panmunjom - AFP
Imagem retirada de vídeo mostra momento que desertor norte-coreano foge para o lado sul-coreano da fronteira em Panmunjom Imagem: AFP

Do UOL, em São Paulo

22/11/2017 13h24

Quando o soldado norte-coreano realizou sua fuga desesperada em Panmunjom, que divide as duas Coreias, no último dia 13 de novembro, a Coreia do Sul disse ter contado cerca de 40 tiros, entre disparos de pistolas e fuzil AK-47. Surpreendentemente, soldados sul-coreanos e norte-coreanos não trocaram tiros na ocasião, algo inédito em mais de três décadas. A fuga do desertor só contou com tiros vindos de uma única direção.

A última vez que uma troca de tiros entre as duas Coreias foi ouvida na fronteira de Panmunjom aconteceu em 1984. Na época, soldados da Coreia do Norte e do Comando das Nações Unidas trocaram tiros quando um cidadão soviético desertor correu para o setor sul-coreano da fronteira. Na ocasião, três soldados norte-coreanos e um sul-coreano foram mortos.

No incidente do último dia 13, câmeras de segurança mostraram que guardas de fronteira da Coreia do Norte estavam a poucos passos de um colega soldado quando abriram fogo, e um deles cruzou brevemente a divisa durante perseguição ao desertor ferido enquanto ele corria para o lado sul-coreano.

O desertor ficou gravemente ferido. Ele foi atingido ao menos quatro vezes pelos disparos enquanto realizava a fuga. Médicos anunciaram nesta quarta-feira (22) que ele recuperou a consciência depois de passar por duas cirurgias de remoção das balas, e está respirando normalmente e sem ajuda de aparelhos.

Panmunjom é o nome do vilarejo onde, em 1953, foi acertado o armistício que encerrou a Guerra da Coreia (1950-53). A assinatura de um armistício, e não de um acordo de paz, significa que, tecnicamente, Coreia do Norte e Coreia do Sul continuam em guerra.

Uma autoridade do Comando das Nações Unidas disse que a Coreia do Norte foi informada de que violou o acordo de armistício de 1953. Ele disse à imprensa que um soldado do Exército Popular da Coreia do Norte cruzou a Linha de Demarcação Militar, a fronteira entre as duas Coreias, durante alguns segundos enquanto outros disparavam contra o soldado em fuga.

"As descobertas cruciais da equipe de investigação especial são de que o Exército da Coreia do Norte violou o acordo de armistício um, disparando armas através da Linha de Demarcação Militar, e dois, chegando a cruzar a Linha temporariamente", disse Chad Carroll, diretor de relações públicas do Comando da ONU, aos jornalistas.

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Panmunjom fica dentro da zona desmilitarizada de 248 km de extensão e 4 km de largura que é a fronteira de fato entre os dois países.

Do vilarejo original pouco restou. Os antigos moradores foram todos removidos. Depois da assinatura do armistício, um novo local foi construído, a cerca de 1 km do vilarejo original e também nomeado Panmunjom. Essa nova área é composta por um conjunto de barracões que formam a Área de Segurança Conjunta. Ela é a sede da Comissão do Armistício Militar (MAC, em inglês), que supervisiona a manutenção do armistício.

Lá, soldados da Coreia do Norte e da Coreia do Sul ficam frente à frente, separados por alguns poucos metros. A presença deles é constante. Os sentinelas sul-coreanos devem ter no mínimo 1,73 metro de altura e ser faixa preta em judô ou taekwondo. Eles ficam de vigia numa posição de taekwondo e não podem expressar emoções. Para isso, usam óculos escuros.

As construções que mais se destacam em Panmunjom são três barracões azuis, nos quais representantes dos dois lados se reúnem para as raras conversações. Bem no meio deles passa a linha divisória entre os dois países. O barracão azul do meio é aberto para a visitação de turistas vindos dos dois países e é uma atração turística extremamente popular.

Em geral, os turistas que visitam Panmunjom são instruídos pelos guias a não fazerem gestos que possam ser entendidos como provocação pelos soldados do outro lado. (Com as agências internacionais)

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