EUA fazem exercícios com avião que a Coreia do Norte desconfia carregar arma nuclear

Do UOL, em São Paulo

  • Ministério da Defesa da Coreia do Sul via AFP

    Imagem divulgada pelo ministério da Defesa da Coreia do Sul mostra um B-1B Lancer (esq.), da Força Aérea dos EUA, durante exercícios militares

    Imagem divulgada pelo ministério da Defesa da Coreia do Sul mostra um B-1B Lancer (esq.), da Força Aérea dos EUA, durante exercícios militares

Os Estados Unidos utilizaram nesta quarta-feira (6) pelo menos um bombardeiro estratégico B-1B nas manobras aéreas que realizam esta semana com a Coreia do Sul na península coreana e que representam uma nova exibição de força diante da ameaça militar da Coreia do Norte.

Em sua propaganda, a Coreia do Norte descreve o B-1B como um "bombardeiro estratégico nuclear", no entanto, segundo a agência de notícias Associated Press, o avião usado pelos EUA foi modificado para armamento convencional em meados dos anos 1990.

É cada vez mais habitual os EUA utilizarem aviões B-1B para ressaltar uma posição de superioridade militar diante da Coreia do Norte.

A última vez que isso aconteceu foi em 3 de novembro, quando os EUA enviaram dois deles poucos dias antes da visita do presidente americano, Donald Trump, à Coreia do Sul.

  • 51425
  • true
  • http://noticias.uol.com.br/enquetes/2017/12/04/voce-acredita-que-vai-haver-uma-guerra-entre-os-eua-e-a-coreia-do-norte.js

Hoje, o bombardeiro, da base aérea Andersen da ilha de Guam, realizou exercícios de bombardeios simulados com caças furtivos americanos F-22 e F-35 e caças F-15 sul-coreanos como parte das manobras anuais "Vigilant Ace", disse um porta-voz da Sétima Força Aérea dos EUA.

As manobras aconteceram no campo de Pilsung, na província de Gangwon, 155 quilômetros ao sul da fronteira com a Coreia do Norte, segundo um porta-voz do Ministério de Defesa sul-coreano.

Nenhuma das duas partes quis confirmar o número de B-1B utilizados. Imagens da simulação enviadas aos meios de comunicação mostram só um avião participando dos exercícios.

O "Vigilant Ace", que acontece até 8 de dezembro, envolve 230 aeronaves e 12.000 soldados.

Este exercício conjunto acontece pouco tempo depois do lançamento pela Coreia do Norte de um míssil balístico intercontinental, que poderia chegar aos Estados Unidos.

EUA e Coreia do Sul realizam exercícios militares

Apesar de a manobra já haver sido planejada antes do míssil lançado pela Coreia do Norte na última quarta-feira, o Pentágono não costuma enviar tantos aviões.

A operação faz parte do acordo firmado em outubro entre Washington e Seul para ampliar a "presença rotacional" de ativos estratégicos americanos na península coreana. O objetivo é pressionar Pyongyang para que o regime de Kim Jong-un volte à mesa de negociações e desista de transformar o país numa potência nuclear.

Ministério da Defesa da Coreia do Sul via AFP
B-1B (centro) durante exercício militar na península coreana

Durante os exercícios, os aliados simularão ataques contra falsas instalações nucleares norte-coreanas e contra plataformas que seriam usadas por Pyongyang para lançar seus mísseis.

A Coreia do Norte ameaça destruir a Coreia do Sul, os EUA e o Japão com frequência. No final de semana sua agência de notícias oficial, KCNA, disse que o governo do presidente Donald Trump está "implorando por uma guerra nuclear" ao realizar os exercícios.

Ela também rotulou Trump, que ameaçou destruir a Coreia do Norte se seu país for ameaçado, de "insano".

Na terça-feira a KCNA disse que os exercícios dos quais o bombardeiro participa estão "simulando uma guerra total", incluindo manobras para "atacar a liderança do Estado e bases nucleares e de mísseis balísticos, campos aéreos, bases navais e outros grandes objetos".

No domingo, o senador norte-americano republicano Lindsey Graham pediu que o Pentágono comece a retirar dependentes dos militares dos EUA, como cônjuges e crianças, da Coreia do Sul, dizendo que o conflito com Pyongyang está se aproximando.

Os exercícios EUA-Coreia do Sul coincidem com uma visita rara do subsecretário-geral de assuntos políticos da Organização das Nações Unidas (ONU), Jeffrey Feltman, à Coreia do Norte.

O vice-ministro das Relações Exteriores norte-coreano, Pak Myong Guk, se encontrou com Feltman nesta quarta-feira na capital Pyongyang e debateu a cooperação bilateral e outros assuntos de interesse mútuo, informou a KCNA.

Os contínuos testes de armas da Coreia do Norte, unidos ao tom belicista usado por Donald Trump e as movimentações militares cada vez mais enérgicas de Washington na península, aumentaram a tensão regional até níveis inéditos desde o final da Guerra da Coreia (1950-1953).

#LigadoNoMundo: Qual o tamanho da ameaça nuclear hoje?

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos