República catalã venceu a Espanha, diz ex-líder da Catalunha destituído por Madri

Do UOL, em São Paulo

  • Aris Oikonomou/AFP

Após a vitória dos partidos separatistas da Catalunha nas eleições desta quinta-feira (21), que asseguraram a maioria absoluta do Parlamento local, o ex-líder separatista destituído por Madri, Carles Puigdemont, celebrou o resultado, exigindo a suspensão do artigo 155 da Constituição espanhola, que congela com a autonomia da Catalunha, e exigiu um pedido de desculpas do governo espanhol.

"A república catalã ganhou", disse Puigdemont em Bruxelas, na Bélgica, para onde fugiu para não ser preso. "O Estado espanhol foi derrotado. O premiê Mariano Rajoy e seus aliados perderam o plebiscito que pensavam que legalizaria o golpe de estado dado pelo artigo 155 da Constituição", afirmou Puigdemont. "Agora precisamos restaurar a democracia, restaurar o nosso governo legítimo, nossas liberdades. Precisamos liberar todas as pessoas que ainda estão presas e não deveriam. A receita de Rajoy falhou", acrescentou.

Os partidos separatistas da Catalunha asseguraram a maioria absoluta com 70 das 135 cadeiras do Parlamento. A surpresa da votação foi o primeiro colocado, o partido pró-Espanha Cidadãos, com 36 cadeiras. Os três partidos que defendem a independência da Catalunha e garantiram a maioria são o Juntos pela Catalunha, liderado pelo ex-presidente regional Carles Puigdemont, com 34 assentos, a Esquerda Republicana (ERC), do ex-vice-presidente Oriel Junqueras, com 32, e a Candidatura de Unidade Popular (CUP), com 4. 

Entre os demais partidos contra a separação da Catalunha aparecem o Partido Socialista da Catalunha, com 17 cadeiras, Partido Popular, do primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy, com quatro. A coligação de esquerda dos Comuns ficou com oito cadeiras.

Marta Rovira, do ERC, também disse que a Catalunha "derrotou o artigo 155". "Os cidadãos votaram pela república, Queremos parabenizar o partido Cidadãos pela performance, e o Juntos pela Catalunha pela primeira colocação dentre os partidos pró-independência. Agora vamos reabrir o Parlamento e respeitar o mandato democrático", disse ela.

Inés Arrimadas, líder do partido Cidadãos, celebrou o resultado. "Pela primeira vez um partido unionista ganhou a eleição na Catalunha". Segundo ela, os partidos pró-independência "não podem mais falar em nome de todos" e, segundo ela, a maioria dos eleitores é claramente "a favor da união com a Espanha".

Durante toda a campanha houve uma forte polarização entre partidários da independência e os que defendem a continuidade da comunidade autônoma da Catalunha como parte da Espanha.

As maiores cidades da Catalunha, nos arredores de Barcelona, e a própria Barcelona votaram em sua maioria no partido contra a independência Cidadãos, enquanto na maior parte da região os vencedores foram os partidos separatistas de Puigdemont e Junqueras.

Como ocorreu em 2015, os independentistas se beneficiaram do sistema eleitoral, que recompensa o voto rural, e alcançarão a maioria absoluta sem ter 50% dos votos dos mais de cinco milhões de catalães chamados às urnas, em um dia em que a participação superou os 80%, um recorde.

A vitória dos separatistas é um golpe para o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, que interveio na autonomia catalã após a frustrada proclamação de independência de 27 de outubro, e convocou essas eleições nas quais o Partido Popular só alcançou 4 deputados, em comparação com os 11 que tinha.

Também questiona a decisão do vice-presidente catalão deposto, Oriol Junqueras, do ERC, que preferiu ficar na Espanha e enfrentar a Justiça, e agora está na prisão. Seu partido era favorito nas pesquisas e deve acabar em terceiro lugar.

A grande mobilização eleitoral, que já era prevista na maioria das pesquisas, bateu inclusive o recorde de participação entre todas as disputas eleitorais realizadas na Espanha. Até agora, a mais alta tinha sido nas eleições gerais em 1982, com 79,9%, quando ganhou o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) liderado pelo ex-presidente do governo espanhol Felipe González.

Cerca de 5,5 milhões de catalães estavam registrados para votar hoje para eleger o novo parlamento regional no pleito que foi convocado em 27 de outubro pelo governo espanhol para restabelecer a legalidade constitucional depois que o parlamento regional aprovou uma declaração ilegal de independência.

 

(Com agências internacionais)

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