Frases desmentidas, jornalista controverso: saiba as polêmicas em torno do livro sobre Trump

Do UOL, em São Paulo

  • Tom Brenner/The New York Times

Um livro sobre o primeiro ano de mandato do presidente Donald Trump foi lançado nesta sexta-feira (5) com alarde. Não apenas Trump tenta impedir a circulação da obra, por considerá-la difamatória e mentirosa, mas o autor, o jornalista Michael Wolff, está sob escrutínio da mídia, em meio a acusações de distorcer fatos e palavras.

O jornalista sustenta sua apuração, que, segundo ele, contou com cerca de 200 entrevistas. A editora Henry Holt & Co, que adiantou a publicação de  "Fire and Fury: Inside the Trump White House" (Fogo e Fúria: Dentro da Casa Branca de Trump) em quatro dias, também defende sua obra. "Vemos 'Fire and Fury' como uma contribuição extraordinária para o discurso nacional, e vamos prosseguir com a publicação do livro", afirmou a casa de edição em comunicado oficial na quinta (4).

Devido às polêmicas e seu conteúdo controverso, a obra esgotou em livrarias no primeiro dia de vendas e já está no topo da lista de mais procurados da Amazon. Em entrevista à emissora NBC News, Wolff agradeceu ironicamente ao presidente por ajudar na divulgação. 

Essas são as principais polêmicas em torno da obra:

A fúria de Trump

O presidente norte-americano foi ao Twitter afirmar que o livro está cheio de mentiras "falsas, declarações e fontes que não existem". O presidente afirmou nunca ter autorizado o acesso de Wolff à Casa Branca nem ter dado entrevista ao jornalista.

Trump chamar fatos de falsos, no entanto, é uma prática rotineira e poucas vezes fundamentada. Sua campanha presidencial e o início de seu mandato foram marcados pelo uso da expressão "fake news" (notícias falsas) para desacreditar a mídia norte-americana.

"Está questionando a minha credibilidade um homem que neste momento tem menos credibilidade que talvez qualquer outro que tenha pisado sobre a Terra", disse Wolff em entrevista à NBC News.

Wolff afirma que falou com Trump para o livro, mas talvez o presidente "não tenha se dado conta de que se tratava de uma entrevista". Em um artigo publicado na quinta-feira no site da revista "Hollywood Reporter", ele escreve que o presidente pareceu não entender o pedido a princípio, dizendo que muitas pessoas queriam escrever livros sobre ele. Um pouco indiferente à questão, acabou liberando a entrada do jornalista na Casa Branca.

Henry Holt and Company via AFP

Fontes negam ter falado com jornalista

Não apenas Trump, no entanto, colocou os relatos presentes na obra em xeque. Desde que trechos foram antecipados, causando discórdia na Casa Branca, diversas fontes citadas no livro negaram parte das declarações atribuídas a elas.

Entre elas, Katie  Walsh, ex-chefe de gabinete de Trump. Segundo o texto, Walsh teria dito que trabalhar com o presidente é "como tentar descobrir o que uma criança quer". Ela nega a declaração.

Thomas Barrack  Jr., milionário amigo do presidente, também negou ao "The New York Times" ter dito que Trump é "não só maluco, como também estúpido", como está no livro.

Outras fontes afirmaram que Wolff desrespeitou acordos de declarações "off the record", ou seja, sob anonimato. 

Em uma nota do autor no prefácio do livro, o próprio jornalista reconhece não estar certo se todo o conteúdo da obra é verdadeiro. Na nota, ele diz que muitas de suas fontes mentiram para ele ou entraram em contradição umas com as outras. Nesses casos, ele usou seu "julgamento jornalístico e pesquisas" para chegar a uma versão que acredita ser verdade. Em outros casos, deixaria a critério do leitor chegar à conclusão se afirmações são verdadeiras ou não. 

Brendan McDermid/Reuters
O jornalista Michael Wolff

Jornalista é conhecido por recriar cenas e fatos

Michael Wolff, 64, é conhecido por ser provocador e polêmico, descreve o "Washington Post" em um artigo publicado nesta quinta. No texto, o jornal norte-americano questiona a credibilidade do autor, conhecido por "esticar os fatos até o limite".

Segundo o "Post", esta não é a primeira vez que o trabalho de Wolff é questionado. Ele tem sido acusado de recriar cenas e fatos em seus livros e colunas de jornal. A editora Judith Regan e o colunista da revista "New Republic", Andrew Sullivan, são algumas das pessoas que já acusaram o jornalista de colocar "palavras em sua boca".

Em um perfil publicado na "New Republic", a jornalista Michelle Cottle escreveu que "até Wolff reconhece que o jornalismo convencional não é sua praia. Ele prefere absorver a atmosfera e as fofocas que rodopiam em volta dele em coquetéis, na rua e especialmente durante aqueles longos almoços."

Wolff, que começou sua carreira como office-boy do "New York Times", atualmente é colaborador de diversas publicações norte-americanas proeminentes, como a "Vanity Fair", "New Yorker", "GQ" e "Hollywood Reporter", entre outras.

Até "Fire and Fury", sua obra mais famosa era o perfil do magnata midiático Rupert  Murdoch. Tal qual agora, "O Dono da Mídia" também foi recebido com insatisfação pelo biografado. 

Rompimento com Bannon

A publicação antecipada de trechos do livro levou ao rompimento de Trump com Steve Bannon, um dos coordenadores de sua campanha eleitoral e estrategista-chefe da Casa Branca nos primeiros meses de mandato.

Isso porque nos trechos divulgados, Bannon faz algumas declarações explosivas. Em uma delas, diz que o filho mais velho do presidente, Donald Trump Jr., cometeu "traição" por ter se aproximado da Rússia durante a corrida presidencial.

Bannon se referia a reunião feita em junho de 2016 na Trump Tower, em Nova York, entre Donald Jr, o genro de Trump, Jared Kushner, o então presidente da campanha, Paul Manafort, e a advogada russa Natalia Veselnitskaya.

Bannon foi demitido da Casa Branca em agosto, após fazer declarações polêmicas sobre as manifestações supremacistas na Virgínia. Para amenizar a tensão, o ex-estrategista deu uma entrevista a uma estação de rádio norte-americana, chamando Trump de "um grande homem". 

Outros trechos controversos sugerem que ninguém na equipe da corrida presidencial esperava a vitória. 
 

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