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Professora é algemada e detida após questionar aumento de salário de superior nos EUA

Do UOL, em São Paulo

10/01/2018 15h00

Uma professora de uma escola na Louisiana (EUA) foi expulsa de uma reunião do conselho da instituição, algemada e detida depois de questionar as políticas de aumento para seus superiores durante uma audiência pública. Um vídeo mostra que a professora Deyshia Hargrave cumpre a ordem de um policial para deixar a reunião. Em seguida, ela é vista no corredor, aos gritos, lançada ao chão enquanto o oficial a algemava.

O sindicato dos professores e a ACLU (União Americana pelas Liberdades Civis) estão investigando o caso, e dois integrantes do conselho se queixam de que o órgão trata injustamente as mulheres.

Na reunião, realizada na segunda-feira (8), Hargrave levantou a questão sobre o salário dos professores e um aumento que foi incluído no novo contrato do superintendente, identificado como Jermone Puyau. A reunião do conselho foi convocada para discutir se o novo contrado de Puyau, com um aumento de US$ 30 mil, deveria ser aprovado.

“Tenho um problema sério com o superintendente ou qualquer pessoa em uma posição de liderança obtendo qualquer tipo de aumento salarial. Sinto que é uma bofetada no rosto dos professores, dos trabalhadores da lanchonete ou qualquer outra equipe de apoio que temos", diz Hargrave. O vídeo com a fala dela está no YouTube.

A professora ainda tenta uma segunda vez perguntar sobre o salário dos professores e os aumentos de salários, mas é interrompida por um integrante do conselho, que afirma que a pergunta dela não estaria relacionada com a agenda do encontro –

"Você precisa sair ou eu te retirarei”, diz o policial, que não é identificado no vídeo. A professora pega a sua bolsa e deixa a sala em meio aos protestos dos demais professores. Até que o grupo começa a ouvir os gritos de Hargrave no corredor.

O vídeo mostra a mulher no chão, sendo algemada enquanto grita ao policial perguntando “O que você está fazendo?”. O oficial diz calmamente “pare de resistir”. Do lado de fora, ele afirma que ela foi presa por se recusar a deixar o local.

Uma das integrantes do conselho, Laura LeBeouf, disse para a agência Associated Press que é comum que mulheres sejam expulsas das reuniões, enquanto homens que apresentam suas queixas nunca são removidos. "Quando ela percebeu que tinha que sair, pegou sua bolsa e saiu", disse LeBeouf. "As mulheres aqui não recebem o mesmo tratamento".

Apesar dos protestos da professora, o aumento do superintendente foi aprovado. A promotoria do Estado informou que Hargrave não será indiciada.

Após o vídeo ser publicado na internet, o conselho escolar passou a receber ameaças de todo o mundo. O órgão afirmou que as ameaças foram informadas ao FBI e à polícia local.