"Pareciam cristãos modelo", diz avó sobre casal que manteve 13 filhos em cativeiro

Emily Schmall e Andrew Dalton

Da Associated Press

Os avós paternos dos 13 irmãos que eram mantidos em cativeiro pelos próprios pais na Califórnia disseram que a família parecia feliz e saudável na última vez que eles os viram pessoalmente. Betty e James Turpin, pais de David Turpin, visitaram os netos há seis anos na antiga casa da família em Murrieta, Califórnia.

Betty, 81, disse que é difícil acreditar nas notícias de que seu filho e nora foram presos após seus netos serem encontrados desnutridos e com sinais de tortura, já que a família parecia normal. "Eles tinham um relacionamento tão bom. E não estou só dizendo isso. Eles sempre se referiam aos outros como 'querido' ou 'querida', nós ficamos maravilhados com as crianças".

De acordo com Betty, David Turpin dizia que tinha tantos filhos por conta da vontade divina. Assim como a mãe, ele era da Igreja Pentecostal, apesar de não frequentar nenhuma igreja específica na Califórnia. "Eu sentia que eles eram cristãos modelo", disse Betty.

Já para o avô James Turpin, os netos pareciam bem ajustados. "Eles não eram magros ou nada. Eles estavam felizes em nos ver". Agora, ele diz que está trabalhando em conjunto com assistentes sociais para que ele e a mulher possam ver os netos, que estão hospitalizados enquanto se recuperam.

Na última quarta-feira, as autoridades vasculharam a casa do casal em Perris, a cerca de 100 km de Los Angeles, de onde uma das filhas de 17 anos conseguiu fugir e ligar para a polícia no último domingo (14). Durante as buscas, os investigadores retiraram uma dúzia de caixas, dois cofres e pedaços de uma cama.

De acordo com a polícia, alguns irmãos foram encontrados presos aos móveis dos quatro quartos da casa, que parecia perfeitamente normal do lado de fora. A família vivia nas comunidades de Riverside County desde 2011, mas a polícia local disse que nunca houve nenhuma denúncia reportada pelos serviços de proteção infantil contra os pais.

David e Louise Turpin, estão presos com fiança de US$ 9 milhões cada um, terão sua primeira audiência nesta quinta-feira (18), e podem ser acusados de tortura e encarceramento infantil, de acordo com as autoridades.

Ainda não está claro o que motivou os Turpins a viverem uma vida isolada com seus filhos e nem o que aconteceu dentro da casa da família. Também ainda não se sabe o porquê de a menina ter fugido só agora.

Psiquiatras dizem que em casos de extrema privação, é comum que as vítimas se sintam vulneráveis ou confusas e não consigam fugir, apesar da oportunidade. "O número de indivíduos que conseguiria imediatamente responder a uma oportunidade de fuga é muito pequeno comparado com o número de pessoas que ficariam paralisadas e confusas sobre o que fazer", disse o Bruce Perry, psiquiatra e membro sênior da Academia de Trauma Infantil de Houston.

"É bastante notável que ela tenha feito isso", disse o médico. Para ele, a garota pode ter sido humilhada, ameaçada de violência ou atacada muitas vezes antes de conseguir coragem para agir. "O poder exercido na casa para manter toda a família naquela situação por tantos anos deve ter sido muito sofisticado".

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