Governo da China transforma menino "dos cabelos congelados" em herói nacional

Do UOL, em São Paulo

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    Wang Fuman chega à escola com os cabelos congelados após caminhar no frio

    Wang Fuman chega à escola com os cabelos congelados após caminhar no frio

O menino chinês de oito anos que chamou a atenção do mundo ao ter uma foto compartilhada nas redes sociais por chegar à escola com os cabelos e as sobrancelhas congeladas se transformou em herói nacional. Wang Fuman, agora conhecido como o "garoto congelado" virou estrela de propaganda do governo da China.

O estudante ganhou os holofotes por ter caminhado quase 5 km para chegar até a escola, em Zhaotong, na região central da China, sob um frio de -9°C, enquanto vestia roupas finas. Quando entrou na sala de aula, Fuman estava com os cabelos e as sobrancelhas congeladas e foi fotografado pelo professor.

No entanto, o que era para ser uma imagem de como milhões de crianças vivem sem comida, roupas ou residências adequadas na China, virou uma história sobre a resiliência do povo chinês, com a ajuda do governo do país, segundo o jornal "The New York Times".

Reprodução
Menino chinês ganha roupas após foto de seu cabelo congelado no frio viralizar

O Partido Comunista Chinês convidou Fuman para passar o fim de semana em Pequim e fez propaganda da viagem em seu site oficial, celebrando o garoto como um herói patriótico. O menino tremulou uma bandeira da China na praça Tiananmen, se vestiu como um policial e jurou lealdade ao país e ao partido.

"Vou deixar as montanhas, com certeza. Vou estudar muito e me tornar policial", afirmou o menino durante o passeio por Pequim.

O menino também comentou sobre o desaparecimento de sua mãe, que abandonou a família há dois anos. Durante parte da viagem, Fuman parecia estar cansado de tanta atenção.

"Meu nome é Wang Fuman e não 'menino congelado'", disse.

Nas redes sociais chinesas circularam memes de Fuman vestido como policial. Muitos criticaram o uso político da história do menino. Outros se preocuparam com o efeito da superexposição do garoto na mídia.

Ao mudar a narrativa da história de Fuman, as autoridades chinesas "temporariamente evitaram as dolorosas discussões e a potencial culpa pública" do que ocorreu com o garoto, disse ao "The New York Times" Haifeng Huang, professor associado de ciência polícia da Universidade da Califórnia.

Na segunda-feira (22), Fuman voltou para casa. Sua família recebeu cerca de US$ 1.200 em doações, segundo a imprensa local. 

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