O lembrete anotado para Trump mostrar empatia a sobreviventes de ataque armado em escola

Do UOL, em São Paulo

  • Carolyn Kaster/AP

Anotações registradas nas fotografias feitas durante o encontro do presidente dos EUA, Donald Trump, com alunos sobreviventes do ataque armado na Flórida na quarta-feira (21) mostram que ele precisou ser lembrado de dizer que estaria aberto a ouvir as sugestões dos jovens: "I hear you" (Estou te ouvindo), expressão americana usada para mostrar que você está disposto a escutar, ainda que não concorde com a sugestão do outro.

Carolyn Kaster/AP
Entre os pontos anotados por Trump para o encontro com os adolescentes estão as perguntas "o que você quer que eu saiba sobre a sua experiência?" e "o que podemos fazer para fazer com que você se sinta mais seguro?". O presidente ainda tinha anotado os lembretes para pedir ideias e quais recursos seriam necessários. Mas a nota que mais chamou atenção foi a última: "estou te ouvindo".

Durante o encontro, Trump sugeriu a possibilidade de alguns professores ou funcionários das escolas portarem armas de maneira escondida para responder rapidamente em casos de ataques. "Há algo que se chama portar armas de forma oculta, e que só funciona quando você tem gente treinada para isso. Os professores teriam uma permissão especial, e [a escola] já não seria uma área livre de armas da qual os 'maníacos' podem se aproveitar", disse.

Trump argumentou que, dado o tempo que pode demorar para a polícia chegar a uma escola ao receber um alerta de ataque, os professores devidamente treinados poderiam reagir rapidamente. Segundo ele, a proposta pode "solucionar o problema" ao fazer com que um possível perpetuador pense duas vezes antes de invadir uma escola. "Isso só seria, obviamente, para pessoas que são treinadas em lidar com uma arma", disse o presidente. "É chamado de transporte oculto. Professores em posse de uma arma receberiam treinamento especial e não teríamos mais uma zona livre de armas."

"Vamos examinar essa ideia muito a sério, muita gente vai estar contra isso e muita gente vai estar de acordo", afirmou o presidente, ao reconhecer que é algo "controverso". O republicano também propôs enviar às escolas "profissionais, que poderiam ser fuzileiros navais". (Com agências internacionais)

Carolyn Kaster/AP


Trump falou ao final de um encontro emotivo na Casa Branca, no qual alunos e parentes de vítimas do massacre da semana passada descreveram suas angústias pessoas. Eles pediram aos legisladores americanos que protejam os estudantes da violência armada no país. "Eu tive a sorte de voltar para casa, ao contrário de alguns dos meus colegas, e é muito assustador saber que muitas pessoas não tiveram a oportunidade de estar aqui", disse JuliaCordover, estudante sobrevivente, enquanto lutava contra as lágrimas.

A raiva era visível em meio aos pais, incluindo Andrew Pollack, cuja filha de 18 anos foi uma das vítimas. "Estou aqui porque minha filha não tem voz. Ela foi assassinada na semana passada e ela foi tirada de nós, atingida nove vezes no terceiro andar. Nós, como país, falhamos com nossos filhos. Isso não deveria acontecer", disse Pollack. Ele mencionou a segurança nos aeroportos ao compará-la com a das escolas e disse que "não se pode entrar num avião com uma garrafa d'água", mas que deixam "um animal entrar numa escola". Pollack então berrou com Trump: "Conserte isso!"

De acordo com a lei federal americana, a idade mínima para comprar uma arma de fogo é de 21 anos para uma pistola e 18 se for um fuzil, embora alguns vendedores sem licença as forneçam a pessoas ainda mais jovens. O autor do massacre na Flórida, Nikolas Cruz, tinha 19 anos.

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