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Incêndio em prisão da Venezuela mata 66 homens e duas mulheres, confirma procurador-geral

29.mar.2018 - Parentes choram em frente ao centro de detenção da Polícia Estadual de Carabobo, no norte da Venezuela, após incêndio que matou 66 homens e duas mulheres - Roman Camacho/SOPA/ZUMAPRESS
29.mar.2018 - Parentes choram em frente ao centro de detenção da Polícia Estadual de Carabobo, no norte da Venezuela, após incêndio que matou 66 homens e duas mulheres Imagem: Roman Camacho/SOPA/ZUMAPRESS

Do UOL, em São Paulo

29/03/2018 04h51

Na madrugada desta quinta (29), o procurador-geral da Venezuela, Tarek  Saab, confirmou a morte de pelo menos 66 homens e duas mulheres em um "suposto incêndio" no centro de detenção da Polícia Estadual de Carabobo, no norte do país.

Segundo a imprensa local, ocorreu um motim na prisão durante a madrugada de quarta-feira (28), quando houve uma tentativa de fuga da prisão. Os detentos teriam ateado fogo aos colchões e tomado a arma de um agente, segundo a ONG Janela à Liberdade.

"O Ministério Público informa à opinião pública que, perante os fatos terríveis acontecidos no Comando da Polícia do Estado Carabobo, onde 68 pessoas morreram por um suposto incêndio, nomeamos quatro promotores para esclarecer esses eventos dramático", disse Saab, através do Twitter.

Em outro tuíte, afirmou que após "inquéritos preliminares", soube que as vítimas eram visitantes e que, foram realizados os respectivos protocolos de autópsia e entrega de todos os corpos a seus familiares.

"O @MinpublicoVE garante que aprofundaremos as investigações para esclarecer de forma imediata estes dolorosos eventos que enlutou dezenas de famílias venezuelanas, assim como estabelecer as responsabilidades que possam surgir", afirmou Saab.

Parentes de detentos fazem denúncias

Alguns veículos de imprensa reportaram denúncias de parentes de detentos que disseram que as vítimas morreram por asfixia e queimaduras, e que pelo menos dois policiais ficaram feridos.

"Não nos informaram nada. Peço que (as forças da ordem) não os tratem como cachorros, que não joguem gasolina neles. Não joguem chumbo (tiros) para dentro como se eles fossem cachorros", disse aos jornalistas, Lissette Mendoza, mãe do preso Yorman Salazar, de 19 anos. "Ele está preso por roubo, mas nem por isso podem tirar a vida dele como se fosse um cachorro", completou a empregada doméstica de 35 anos.

Após o incidente, dezenas de parentes estiveram durante a tarde em frente ao comando policial aguardando algum tipo de informação. Um vídeo difundido no Twitter mostra dezenas de pessoas exigindo informações, incluindo mulheres chorando diante de um cordão policial. A situação que se tornou tensa quando familiares dos detentos tentaram entrar no Comando da Polícia e foram reprimidos com bombas de gás lacrimogêneo.

Carlos Nieto, diretor da ONG Janela à Liberdade, destacou que o incidente em Valencia "não é uma situação isolada", já que "todas as delegacias de polícia da Venezuela estão em condições iguais ou piores de superlotação, falta de alimentos e doenças" em relação à detenção do Comando da Polícia de Carabobo. A superlotação nas penitenciárias da Venezuela obriga os corpos de segurança a utilizar as delegacias como locais de reclusão permanente.

O governo de Carabobo emitiu uma nota oficial, expressou sua solidariedade aos familiares dos mortos e garantiu que dará apoio "com os serviços fúnebres e sepultamentos dos detentos mortos".

Rafael Lacava, governador de Carabobo, manifestou sua "consternação" pelo incidente e prometeu uma severa investigação. "Foi iniciada uma investigação séria e profunda sobre as causas e os responsáveis por estes lamentáveis acontecimentos. Estamos ao lado dos familiares em sua dor e necessidades".

(Com agências internacionais)

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