Trump afirma que enviará entre 2.000 e 4.000 militares à fronteira com o México

Em Washington

  • Herika Martinez/AFP Photo

    Controle na fronteira dos Estados Unidos com o México em El Paso, no Novo México

    Controle na fronteira dos Estados Unidos com o México em El Paso, no Novo México

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira (5) que pretende enviar entre 2.000 e 4.000 membros da Guarda Nacional à fronteira com o México, na primeira referência à magnitude das tropas enviadas para a região.

Trump acrescentou que "provavelmente" eles permanecerão nessa atividade até que o país construa um muro na fronteira.

"A ausência de lei que prossegue na nossa fronteira ao sul é essencialmente incompatível com a segurança e soberania do povo americano", afirma o documento assinado pelo presidente que autorizava a medida. Segundo Trump, a situação atingiu um "ponto de crise" e seu governo "não teve outra escolha a não ser agir".

A Secretaria da Defesa e o Departamento de Segurança Nacional deverão trabalhar juntos na proteção da fronteira para "impedir o fluxo de drogas e pessoas", segundo a ordem presidencial.

A secretária de Segurança Nacional, Kirstjen Nielsen, afirmou que já colabora com os governadores dos estados fronteiriços para quantos membros da Guarda Nacional serão enviados e para onde.

O presidente deu prazo de 30 dias a Nielsen, ao chefe do Pentágono, James Mattis, e ao procurador-geral, Jeff Sessions, para que lhe apresentem um relatório com detalhes do plano de ação na fronteira.

Trump alertou que a segurança do país está ameaçada pelo aumento drástico de atividades ilegais na fronteira, incluindo o fluxo de "grandes quantidades de fentanil, outros opioides e novas drogas perigosas e ilícitas [...] em níveis sem precedentes".

O presidente advertiu ainda que o "rápido aumento das travessias ilegais" esperado para os próximos meses, entre a primavera e o verão, ameaça "transbordar" o atual patrulhamento das fronteiras.

Reação mexicana

O anúncio da Casa Branca veio pouco depois de o presidente prometer ações decisivas contra a imigração e afirmar a intenção de utilizar as forças militares para reforçar a fronteira até a construção do tão prometido muro nos limites do país com o México.

Após a emissão da ordem presidencial, o Senado mexicano aprovou nesta quarta feira, por unanimidade, uma moção exigindo que o governo do país encerre a cooperação com os EUA nas áreas da migração e segurança, considerando o envio da Guarda Nacional à fronteira como "mais um insulto" do presidente americano.

"A conduta [de Trump] tem sido permanente e sistematicamente não apenas desrespeitosa, mas ofensiva, com base em preconceitos e desinformação, com o uso frequente de ameaças e chantagens", disse a senadora Lara Rojas.

O ministro mexicano do Exterior, Luis Videgaray, afirmou que a Casa Branca foi informada de que a militarização da fronteira irá "danificar gravemente as relações bilaterais".

Trump vinha há dias criticando o governo mexicano por conta de uma "caravana" de migrantes da América Central que estaria seguindo rumo aos EUA através do México. Estima-se que cerca de 1.500 pessoas de Honduras, Guatemala e El Salvador estejam viajando em direção à fronteira.

"A caravana me deixa muito triste. É triste que isso esteja acontecendo nos Estados Unidos, onde milhares de pessoas simplesmente decidem entrar, e não há leis que possam impedi-las", afirmou Trump. "Nossas leis são tão fracas e patéticas que é como se não tivéssemos fronteira."

Com AFP e DeutscheWelle

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