França não declarou guerra ao regime de Bashar Assad, diz Macron

Do UOL, em São Paulo

A França "não declarou guerra" à Síria, afirmou neste domingo (15) o presidente francês, Emmanuel Macron, depois que seu país, junto com Estados Unidos e Reino Unido, realizou bombardeios coordenados na Síria.

Em uma entrevista na televisão, Macron pediu que encontrem uma solução política à guerra na Síria que inclua todos os atores do conflito. O presidente francês também disse na entrevista que "convenceu" o presidente americano Donald Trump a "permanecer no longo prazo" na Síria.

"Há 10 dias o presidente Trump dizia que os Estados Unidos considerava deixar a Síria (...), o convencemos de que era necessário permanecer no longo prazo", declarou Macron. "Temos total legitimidade internacional para agir nesse contexto", disse Macron em entrevista transmitida pela BFM TV, pela rádio RMC e por mídia online. 

Em determinado momento da conversa marcada por uma forte tensão, Macron interpelou seus dois entrevistadores: "Vocês ouviram que declaramos guerra a Bashar Assad? Não. Essa é a diferença a respeito do que se fez na Líbia ou no Iraque".

"Tivemos êxito no plano militar: todos os mísseis lançados atingiram seus alvos, as capacidades químicas do regime sírio foram destruídas e não houve nenhuma vítima colateral", disse Macron.

"Atuamos para que não se viole mais o direito internacional, assim como as resoluções da ONU", acrescentou, lembrando que em setembro de 2013 o Conselho de Segurança aprovou uma resolução que autorizava o uso da força em caso de uso de armas químicas na Síria. "Temos três membros do Conselho de Segurança (das Nações Unidas) que intervieram", afirmou.

Para o presidente francês, após o último ataque supostamente com cloro em Duma, no dia 7 de abril, "tínhamos chegado a um momento no qual o bombardeio era indispensável para poder devolver a credibilidade à palavra da comunidade internacional".

Para Macron, a ofensiva contra três supostas instalações químicas permitiu também aos países ocidentais "recuperar a credibilidade perante os russos", a quem culpou de serem "cúmplices" no fracasso da comunidade internacional em evitar o uso desse tipo de armamento na Síria.

"Os russos bloquearam constantemente as votações (no Conselho de Segurança). São cúmplices. Não utilizaram o cloro, mas construíram metodicamente a incapacidade da diplomacia internacional", criticou Macron.

Encerrada por enquanto a fase militar, o presidente francês ressaltou a importância de dar um novo impulso aos esforços diplomáticos para encontrar uma solução política negociada à guerra síria.

Segundo Macron, o único compromisso militar que a França tem na Síria é a luta contra o grupo terrorista Estado Islâmico, que está por trás dos principais atentados que o país sofreu nos últimos anos.

Macron defendeu que o papel da França na crise síria é "poder falar com todo o mundo", razão pela qual disse que tentará convencer Rússia e Turquia a participar de conversas que alcancem uma solução política pactuada.

A entrevista representou a primeira aparição pública do presidente francês depois dos bombardeios, sua primeira ordem no terreno militar desde que ganhou as eleições presidenciais há agora um ano.

O parlamento francês realizará nesta segunda um debate, em uma sessão sem votação, para abordar o bombardeio no qual participaram as forças armadas francesas.

Boa parte da oposição, desde a esquerda radical de Jean-Luc Mélenchon à extrema-direita de Marine Le Pen, passando pelo líder dos conservadores, Laurent Wauquiez, tem se manifestado publicamente contra a intervenção francesa e acusado Macron de atuar sob as ordens dos Estados Unidos. (Com agências internacionais)

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