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Nas Filipinas, maior país católico da Ásia, presidente chama Deus de estúpido e causa indignação

O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, durante entrevista a jornalista - 9.fev.2018 - AFP
O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, durante entrevista a jornalista Imagem: 9.fev.2018 - AFP

Jim Gomez

Da Associated Press, em Manila

26/06/2018 19h35

À frente do maior país católico da Ásia, o presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, irritou boa parte da população ao chamar Deus de "estúpido" e "filho da mãe". O líder controverso já havia xingado líderes mundiais como o papa e o ex-presidente dos EUA Barack Obama.

O senador da oposição Antonio Trillanes IV reagiu na segunda-feira (25) descrevendo o presidente Duterte como "um homem mau" e suas observações como "muito coerentes com a falsidade, falta de coração e crueldade de suas políticas". Até mesmo alguns dos aliados políticos de Duterte fizeram críticas.

O bispo católico Arturo Bastes chamou o presidente de "louco" e pediu aos filipinos que rezassem pelo fim das "declarações blasfêmicas e das tendências ditatoriais" de Duterte.

"O discurso de Duterte contra Deus e a Bíblia revela novamente que ele é um louco, um psicopata, com uma mente anormal e que não deveria ter sido eleito presidente de nossa nação civilizada e cristã", disse Bastes.

Outro bispo, Ruperto Santos, disse que o presidente passou dos limites.

Duterte questionou em um discurso televisionado na semana passada a história bíblica da criação do homem e perguntou se Deus teria criado Adão e Eva apenas para eles sucumbirem à tentação.

Quem é esse Deus estúpido? Esse filho da mãe é realmente estúpido” 

Rodrigo Duterte, 73, presidente das Filipinas

O político continuou o argumento: “Como você pode racionalizar um Deus? Você acredita?"

Duterte lamentou que o pecado de Adão e Eva na teologia cristã resultou em todos os fiéis caindo em desgraça. “Você não estava envolvido, mas agora você está manchado com um pecado original... Que tipo de religião é essa? Isso é o que eu não posso aceitar, uma proposta muito estúpida”, disse ele.

O senador Panfilo Lacson, ex-chefe da Polícia Nacional, disse que muitas vezes apoiou as políticas de Duterte, mas depois das declarações do presidente contra Deus “a quem rezo todos os dias e com quem encontrei consolo e conforto em todos os meus momentos difíceis, nem preciso pensar em quem escolher."

"Que meu Deus o perdoe e o redima de todos os seus pecados", disse Lacson.

O porta-voz de Duterte defendeu os comentários do presidente, dizendo que ele tem liberdade de expressão. E completou relembrando que Duterte afirma ter sido vítima de abuso sexual quando era estudante.

Em outro discurso posterior, Duterte reforçou a opinião e ironizou: “Por que você me liga a algo tão estúpido? Foi Deus quem me deu minhas ideias."

Duterte chocou os católicos filipinos em 2015 quando amaldiçoou a visita do Papa Francisco por ter causado engarrafamentos de grande porte em Manila, a capital. Mais tarde, ele pediu desculpas, mas atacou repetidamente os bispos e a Igreja Católica, que criticou sua repressão sangrenta às drogas.

Obama, que também se alarmou com os assassinatos de drogas sob o governo de Duterte, também foi alvo do líder filipino. Ele disse uma vez que o líder americano deveria "ir para o inferno".

O presidente filipino declarou repetidamente que não se preocupa com os direitos humanos e ameaçou de matar traficantes de drogas e outros criminosos. Ele alertou que retiraria as Filipinas das Nações Unidas depois que especialistas em direitos humanos pediram uma investigação independente sobre assassinatos extrajudiciais do seu governo. Duterte chamou a ONU de hipócrita por falhar em prevenir genocídios em todo o mundo.