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Polícia diz que suspeito de homicídio de executiva na Austrália é foragido no Brasil

Reprodução de capa de jornal australiano com notícia do caso - Reprodução
Reprodução de capa de jornal australiano com notícia do caso Imagem: Reprodução

Marina Lang

Colaboração para o UOL, no Rio

06/07/2018 14h17Atualizada em 06/07/2018 15h24

A Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro fez buscas na residência da mãe do engenheiro Mario Marcelo Santoro, 40, na manhã desta sexta-feira (6).

Ele é apontado pelas autoridades australianas como o principal suspeito do assassinato de Cecília Haddad, 38, cujo corpo foi encontrado no rio Lane Cover, Sydney, em 29 de abril. A informação foi confirmada ao UOL pela Polícia Civil.

"Ele não foi preso, mas estão ocorrendo algumas tratativas para ele se entregar", confirmou uma fonte familiarizada com as investigações. 

Fabio Cardoso, delegado titular da Divisão de Homicídios que conduziu a busca, informou que Santoro já é réu por feminicídio no Brasil. Ele também informou ao UOL que Cecília foi morta por estrangulamento.

"Conduzimos as investigações no Brasil porque a família da Cecília procurou a DH no início de maio. Começamos a investigar, ouvimos familiares, vimos conversas que familiares mantiveram com o suspeito após o crime e tivemos acesso ao atestado de óbito e ao laudo de necropsia. Ela foi morta por asfixia mecânica, e não afogamento", afirmou Cardoso.

Baseado nas evidências, o delegado pediu a prisão ao Ministério Público e ao Tribunal de Justiça do Rio --ambos acataram o pedido. "Ou seja, além de ser réu foragido na Austrália, ele também é réu foragido no Brasil", afirmou.

Cardoso informou ainda que, devido à impossibilidade de extradição (o inciso 51 do artigo 5º da Constituição brasileira proíbe que brasileiros natos sejam enviados para cumprir pena fora do país), vai solicitar à polícia australiana a transferência do inquérito, a fim de que Santoro seja julgado no Brasil.

Procurado, Santoro não foi localizado. Ele chegou a atender uma ligação do UOL, mas desligou assim que a interlocutora se identificou como repórter. 

Cecília Haddad morava na Austrália desde 2007 - Facebook / Reprodução - Facebook / Reprodução
Cecília Haddad morava na Austrália desde 2007
Imagem: Facebook / Reprodução

A reportagem conseguiu falar com o pai de Santoro. Ele se identificou apenas como Mario e declarou: "Minha filha, eu não vou mais falar com você".

No entanto, o suspeito pelo homicídio da executiva atendeu uma ligação do canal de notícias australiano Channel 9, também na semana passada. Santoro se disse "confuso" pela situação. "Minha vida está completamente destruída. Minha mente está tão confusa, há muitos, muitos repórteres me ligando", afirmou.

Perguntado sobre o porquê de a polícia australiana apontá-lo como principal suspeito do homicídio, ele disse que responderia depois. 

A imprensa australiana acompanha com avidez o caso. A mãe da vítima, Milu Müller, disse ao jornal "The Daily Telegraph" que estava falando com a filha pela internet um dia antes do crime, quando ouviu Santoro gritar e bater à porta da casa de Cecília em Sydney. 

A executiva teria mandado ele ir embora, sob ameaça de chamar a polícia. Em seguida, Cecília disse à mãe que precisava desligar, porque iria encontrar um amigo. Ela nunca chegou ao compromisso --seu corpo foi encontrado no rio Lane Cove no dia seguinte, com pedras nos bolsos a fim de evitar que ele emergisse.

Uma testemunha teria relatado à polícia que viu Santoro jogar as chaves do carro de Cecília no Porto de Sydney. Graças ao depoimento, elas foram localizadas hoje pela polícia, segundo a rede ABC.

Procurado pela reportagem, o Ministério da Justiça não confirmou a existência de pedido de inquérito relacionado ao nome de Santoro. O STJ (Supremo Tribunal de Justiça) também informou que não há processos em aberto relacionados ao engenheiro.

Carro de Cecilia, fabricado em 2013, foi encontrado em um estacionamento - 9News - 9News
Carro de Cecilia, fabricado em 2013, foi encontrado em um estacionamento
Imagem: 9News