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Ortega afirma que organizações de direitos humanos "inventam" mortos na Nicarágua

Paramilitares sandinistas desfilam após a tomada de Masaya; Ortega diz que são cidadãos que apenas querem se defender - Alfredo Zuniga/AP
Paramilitares sandinistas desfilam após a tomada de Masaya; Ortega diz que são cidadãos que apenas querem se defender Imagem: Alfredo Zuniga/AP

Do UOL, em São Paulo

31/07/2018 14h50

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou que o número de mortos nos protestos que exigem a sua saída é bem inferior ao apresentado por organizações de direitos humanos. O líder sandinista acusou ainda as entidades de "inventar mortos que logo aparecem vivos".

Em entrevista para a rede CNN em Espanhol, Ortega afirmou que o balanço do governo afirma que 195 pessoas morreram desde o começo dos protestos, em abril. Organizações de direitos humanos estimam que 440 pessoas morreram. "Os dados apresentados por grupos de direitos humanos não foram depurados, são só denúncias que eles recebem e vão somando", afirma Ortega. 

Segundo o presidente, estas organizações somam aos mortos nos protestos os casos de vítimas assassinadas por delinquência comum e em âmbito familiar. Ortega afirma ainda que muitos dos que são contados como mortos "estão fora do país, nos EUA" --ele não sabe dizer quantos estariam nestas condições.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) afirma que 90% dos mortos são opositores. Na entrevista, Ortega afirma que dos 195 mortos, de acordo com a contagem do governo, 20 são policiais e 40 são militantes sandinistas.

Ortega afirma ainda que os paramilitares que atuam no país, na verdade, são opositores, e não apoiadores do movimento sandinista. Quando o entrevistador, Andrés  Oppenheimer, mostra fotos de paramilitares que exibem a bandeira do partido de Ortega, a FSLN (Frente Sandinista de Libertação Nacional), todos com os rostos cobertos e fortemente armados, o presidente justifica afirmando que são "pessoas que têm o direito de se organizar para defender-se, e não paramilitares".

Em entrevista a outro veículo, a Euronews, Ortega admitiu que seu governo controla os paramilitares que têm agido como força de choque contra os manifestantes. "São policiais voluntários". 

Ortega disse ainda que o país está voltando à normalidade. "Há quinze dias o país estava paralisado, mas vem se recuperando. Estamos iniciando o ciclo agrícola que arranca com um bom passo e a indústria nas zonas francas já trabalham no normal". "Há uma tendência de que o país se estabilize no campo econômico e comercial", declarou Ortega, admitindo que o setor do turismo foi o mais afetado.

Sobre a antecipação das eleições, Ortega rejeitou a proposta porque a oposição nicaraguense "não aceita qualquer alternativa além da saída" do atual governo.

Os protestos na Nicarágua começaram em 18 de abril, com uma manifestação contra a reforma da Previdência, mas logo se transformaram em um movimento contra Ortega, que governa o país desde 2007, após três reeleições. As manifestações são duramente reprimidas por policiais e paramilitares apoiados pela polícia, que circulam livremente pelas cidades fortemente armados.