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Indonésia diz que ainda há centenas de vítimas soterradas após terremoto e tsunami

1.out.2018 - Sobreviventes tentam recuperar o possível em meio à destruição deixada em Palu, na Indonésia - Beawiharta/Reuters
1.out.2018 - Sobreviventes tentam recuperar o possível em meio à destruição deixada em Palu, na Indonésia Imagem: Beawiharta/Reuters

Do UOL, em São Paulo

01/10/2018 09h05Atualizada em 01/10/2018 21h27

As autoridades da Indonésia aumentaram para 844 nesta segunda-feira (1) o número de mortos pelos terremotos e o tsunami que atingiram a ilha de Celebes na sexta-feira passada, mas alertaram que muitas vítimas ainda estão sob a lama e os escombros. As autoridades declararam estado de emergência de 14 dias.

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O porta-voz da Agência Nacional de Gestão de Desastres (BNPB), Sutopo Purwo Nugroho, afirmou em entrevista coletiva em Jacarta que o número de mortos ainda aumentará porque há "centenas de vítimas" soterradas em Petobo, uma área da cidade de Palu.

Das 844 mortes, 821 desses casos ocorreram em Palu, 12 em Parigi Moutong e 11 no distrito de Danggala, segundo os dados oficiais. A lista ainda conta com 90 desaparecidos, 632 feridos internados em diversos hospitais e 48.025 pessoas atendidas em 103 centros de amparo.

A chegada de equipamento pesado a Palu, a capital da província de Celebes Central e a cidade mais afetada, contribuirá para agilizar os trabalhos de resgate entre os edifícios que desmoronaram.

O presidente Joko Widodo disse que o resgate de pessoas é uma das prioridades neste momento.

"Há muitos locais onde a retirada [de pessoas] não podia ser feita por causa da ausência de equipamento pesado, mas na noite passada o equipamento começou a chegar", disse Widodo.

Ele também confirmou o envio de suprimentos para as regiões mais afetadas pelo terremoto e o tsunami de sexta. "Enviaremos tantos suprimentos de comida quanto possível hoje com aviões Hercules, diretamente de Jacarta" disse ele, referindo-se aos aviões militares de transporte C-130.

As autoridades elevaram ainda para 114 o número de estrangeiros que estavam na região afetada no momento da tragédia, que começou com um terremoto de 6,1 graus na escala Richter e foi seguido, três horas depois, por outro de 7,5 graus e um tsunami que causou a maioria das vítimas.

As autoridades continuam os trabalhos de busca e resgate de sobreviventes e vítimas, enquanto técnicos trabalham para restabelecer os serviços básicos e o fornecimento de energia.

O Ministério da Saúde se encarrega de fornecer profissionais e material médico essa região, onde fazem falta especialistas em ortopedia, cirurgiões gerais, neurocirurgiões, anestesistas e enfermeiros.

O aeroporto de Palu reabriu no domingo para voos comerciais, mas as autoridades avisaram que a prioridade será a ajuda humanitária, que tem chegado em aviões e helicópteros militares.

Alerta à população

A empresa alemã que desenvolveu o sistema de alertas de  tsunami para a Indonésia culpou as autoridades locais pela falha na comunicação com a população. Segundo Joern Lauterjungeles, diretor da GFZ, a comunicação falhou no "último quilômetro", fazendo muitos se surpreenderem com as ondas de até 6 metros de altura.

"O problema foi a comunicação entre as autoridades locais e as pessoas, por exemplo na praia, como em Celebes", disse Lauterjung à agência Reuters. A Alemanha disponibilizou um sistema de alerta desenvolvido pelo GFZ  para a Indonésia depois que um tsunami devastador matou 226 mil pessoas em 2004.

Lauterjung afirmou que o sistema funcionou como planejado, prevendo ondas de até 3 metros no noroeste de Celebes.

"Se você olhar toda a cadeia de alerta, da criação de um sinal de alerta até o último quilômetro, como dizemos, até a população local em perigo, houve um problema ali", disse.

"Por exemplo, parece que sirenes não funcionaram, e não houve alertas à população local com alto-falantes em vans da polícia", acrescentou. 

Ajuda humanitária

O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) calculou nesta segunda-feira que 191 mil pessoas na Indonésia precisam de ajuda humanitária urgente.

Entre eles estão 46 mil crianças e 14 mil idosos, bem como a população que vive longe dos centros urbanos, mais vulneráveis, diz a ONU. Diante da magnitude da catástrofe, o governo da Indonésia pediu ajuda internacional.

Dezenas de agências humanitárias e ONGs ofereceram ajuda ao país, mas o envio de material à região é muito complicado: estradas estão bloqueadas e os aeroportos muito danificados.

"Não temos muita comida. Só conseguimos pegar o que estava em casa. E precisamos de água potável", disse à AFP Samsinar Zaid Moga, uma moradora de 46 anos de Palu.

"O mais importante são as barracas, porque choveu e há muitas crianças aqui", afirmou sua irmã, Siti Damra.

A ONG Oxfam prevê o envio de ajuda a, potencialmente, 100.000 pessoas, com alimentos instantâneos, equipamentos de purificação de água e barracas, anunciou Ancilla Bere, diretora da organização na Indonésia.

"Mas o aceso é um grande problema", destacou o diretor do programa Save The Children, Tom Howells. "As organizações de ajuda e as autoridades locais se esforçam para chegar a várias comunidades ao redor de Donggala, onde acreditamos que há grandes danos materiais e a possível perda de vidas humanas em grande escala", explicou.

Valas comuns

A maior parte das vítimas foi registrada em Palu, cidade de 350.000 habitantes na costa oeste da ilha Celebes, segundo a Agência de Gestão de Desastres.

Em Poboya, nas colinas que cercam Palu, voluntários começaram a enterrar as vítimas em uma gigantesca fossa comum, com capacidade para 1.300 corpos.

Três caminhões lotados de cadáveres chegaram ao local. Os corpos foram colocados, um por um, na fossa e cobertos com terra.

Em um primeiro momento, as autoridades reuniram os corpos em necrotérios improvisados para poder identificá-los, mas ante o risco sanitário, decidiram organizar enterros em massa.

Em Balaroa, bairro da periferia de Palu com uma zona residencial, os danos foram catastróficos. A área se transformou em um terreno baldio coberto por árvores derrubadas, blocos de cimento, pedaços de telhado e móveis destruídos.

Nesta segunda-feira, as equipes trabalhavam entre os destroços do hotel Roa Roa, onde as autoridades acreditam que entre 50 e 60 pessoas podem ter sido sepultadas. Até o momento, duas pessoas foram resgatadas com vida no local, segundo uma fonte oficial.

Muitos moradores procuram os parentes desaparecidos nos hospitais ou necrotérios improvisados.

Fuga de mais de mil detentos

Fontes do governo local informaram que 1.200 detentos escaparam de três prisões da região.

Em um centro de detenção de Palu, construído para receber 120 pessoas, vários dos 581 detentos fugiram quando os muros desabaram. Na prisão de Donggala aconteceu um incêndio, ao que parece provocado pelos próprios prisioneiros, e os 343 detidos escaparam do local.

"Se assustaram quando souberam que o terremoto havia sacudido fortemente Donggala", afirmou Sri Puguh Utami, funcionária do ministério da Justiça.

"Os diretores da prisão negociaram com os detentos para permitir que se informassem sobre a situação de suas famílias. Mas alguns não tiveram paciência e colocaram fogo no local".

(Da EFE, AFP e Reuters)

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