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"Não haverá segundo referendo" diz May sobre Brexit

A primeira-ministra britânica Theresa May deixa a entrevista coletiva após reunião do Conselho Europeu que endossou o acordo do Brexit - EMMANUEL DUNAND/AFP
A primeira-ministra britânica Theresa May deixa a entrevista coletiva após reunião do Conselho Europeu que endossou o acordo do Brexit Imagem: EMMANUEL DUNAND/AFP

Do UOL, em São Paulo

25/11/2018 10h55Atualizada em 29/11/2018 17h40

Após a aprovação do histórico acordo que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia, a primeira-ministra britânica, Theresa May, disse que "não haverá segundo referendo" sobre o assunto e que o acordo foi o "melhor e o único possível". Ela concedeu entrevista coletiva em Bruxelas (Bélgica), capital da UE, onde se reuniu com os líderes do bloco

Os 27 líderes europeus não precisaram de mais do que meia hora para ratificar o texto de 585 páginas, 185 artigos e três protocolos com os termos para a saída do Reino Unido da União Europeia em 29 de março do ano que vem. Eles incluem questões como os direitos dos cidadãos europeus no Reino Unido e vice-versa e a conta de 39 bilhões de libras que Londres deve pagar.

May prometeu trabalhar pela aprovação do texto no Parlamento britânico, onde ela e o acordo enfrentam forte oposição. Ela disse, no entanto, que não haverá recuo em relação ao acordo "O povo quer o acordo [...] Estou focada em argumentar em favor dele no Parlamento."

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A primeira-ministra tentou mostrar confiança em relação ao acerto. "Estou muito otimista quanto ao futuro do Reino Unido", disse. "Este é o único e melhor acordo possível", afirmou antes de agradecer aos negociadores europeus que ratificaram o texto. "Em nenhuma negociação se consegue tudo, mas tem de haver compromisso para atender os objetivos."

May afirmou que o povo inglês "não quer mais discutir o Brexit", mas seguir adiante. Ela garante que o acerto "será bom para todo o Reino Unido" ao promover "mais energia, emprego, casas" e outras condições contra "injustiças sociais". "Se as pessoas acreditam que haverá mais acordo a partir de agora, isso não vai acontecer. As negociações foram duras e este é o único acordo possível."

A aprovação saiu apenas depois que a Espanha conseguiu da Inglaterra "garantias suficientes" sobre a sua separação da UE e a relação com Gibraltar, um território britânico reivindicado pela Espanha. Localizado no sul da Península Ibérica, trata-se de uma região estratégica militarmente por estar na entrada do Mar Mediterrêio. "Temos orgulho por Gibaltrar, cuja constituição não vai mudar", cravou May.

Mais cedo, o presidente da UE, Jean-Claude Juncker, qualificou o dia como "triste". "O Brexit não é um momento de alegria nem de celebração, é um momento triste e uma tragédia", declarou.

O presidente francês Emmanuel Macron disse que a votação do Brexit mostrou que a Europa precisava de uma reforma e que Paris manterá o Reino Unido próximo aos regulamentos da UE, especialmente no que diz respeito ao meio ambiente.

Embora o texto deva ser aprovado pelo parlamento europeu, a questão agora é se a frágil base de sustentação de May pode ratificá-lo no parlamento britânico, onde ele enfrenta resistência feroz. Um dos entraves é que o acordo prevê que Londres terá de continuar seguindo muitas regras da UE se quiser manter relações comerciais com os países vizinhos.

Sobre o assunto, May tentou tranquilizar britânicos e europeus. "Nós vivemos na Europa e vamos manter uma relação íntima com os países europeus."

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