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Maduro cita Brasil, EUA e Colômbia em complô; Rússia enviou ajuda militar

Do UOL, em São Paulo

12/12/2018 16h15Atualizada em 12/12/2018 18h38

Palco de uma das maiores crises humanitárias e migratórias do continente, a Venezuela caminha para se tornar epicentro também de uma escalada militar na região: nesta segunda-feira (12), o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, falou em um suposto plano dos Estados Unidos para derrubá-lo e assassiná-lo, e que os governos de Brasil e Colômbia também participariam deste complô.

"Chegou a nós uma boa informação (...) John Bolton (assessor de segurança nacional americano), desesperado, designando missões para provocações militares na fronteira", disse Maduro.

O líder venezuelano disse que instruções nesse sentido foram transmitidas ao presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro.

Veja os últimos episódios das tensões em torno da Venezuela:

  • Quarta-feira (12): Maduro fala em complô para assiná-lo e cita Brasil, Colômbia e EUA
  • Segunda-feira (10): Rússia envia quatro aeronaves para exercícios militares na Venezuela
  • Quarta-feira (5): Maduro encontra Vladimir Putin, presidente russo, em  Moscou e pede ajuda financeira

Combinou com os russos

Maduro esteve na Rússia na semana passada - Maxim Shemetov/Pool Photo via AP
Maduro esteve na Rússia na semana passada
Imagem: Maxim Shemetov/Pool Photo via AP

No início da semana, dois aviões bombardeiros russos capazes de transportar armas nucleares pousaram na Venezuela, em uma demonstração de apoio ao governo socialista da Venezuela que enfureceu Washington.

Os bombardeiros supersônicos TU-160, conhecidos como "Cisnes Brancos" por pilotos russos, aterrissaram no aeroporto de Maiquetia, perto da capital Caracas, após percorrerem mais de 10 mil quilômetros, disseram os governos da Rússia e da Venezuela.

Na última semana, Nicolás Maduro, cujo governo de esquerda é o mais significativo inimigo dos EUA na América Latina, se reuniu com o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscou.

À medida que a economia da Venezuela implode, a Rússia se torna uma financiadora fundamental, investindo no petróleo caribenho e dando suporte ao seu Exército.

Com capacidade para transportar mísseis nucleares de curto alcance, os aviões enviados por Putin podem voar por mais de 12 mil quilômetros sem parar para abastecimento e já estiveram na Venezuela duas vezes antes na última década.

"O governo russo enviou bombardeiros para o outro lado do mundo, até a Venezuela", disse enfurecido o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, no Twitter.

"Os povos russo e venezuelano devem ver isso como é: dois governos corruptos desperdiçando fundos públicos e esmagando a liberdade, enquanto seus povos sofrem."

Tensão no continente

Desde o agravamento da crise econômica e humanitária na Venezuela, soluções mais enérgicas contra o governo de Maduro já foram propostas por outros estados e até mesmo organizações. 

Em agosto de 2017, Donald Trump declarou abertamente considerar uma solução militar para Venezuela. "As pessoas estão sofrendo e morrendo. Temos muitas opções em relação à Venezuela, incluindo uma possível operação militar, caso necessário"

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luiz Almagro, também disse avaliar intervir militarmente na Venezuela para resolver a crise que assola o país.

"O sofrimento do povo, no êxodo induzido que está sendo conduzido [pelo governo venezuelano], coloca as ações diplomáticas em primeiro lugar, mas não devemos descartar nenhuma ação. Quanto à intervenção militar para derrubar o regime de Nicolas Maduro, eu acho que não devemos descartar nenhuma opção", disse.

Posteriormente, Almagro se disse mal interpretado.

A Colômbia, país que mais recebeu refugiados venezuelanos, também deu declarações duras em relação a Maduro. Iván Duque, o presidente colombiano, chamou a Venezuela de "ditadura desprezível" e pediu apoio ao resto do continente em relação à crise migratória.

No Brasil, Jair Bolsonaro já se manifestou contrário ao governo de Maduro. As declarações mais duras vieram de seu filho, Eduardo Bolsonaro: "O general Mourão já falou: a próxima operação de paz do Brasil vai ser na Venezuela. Vamos libertar nossos irmãos venezuelanos da fome e do socialismo", anunciou o deputado eleito em outubro na Avenida Paulista.

Pouco tempo depois, em reunião com autoridades dos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro recuou. Segundo ele, a ação do governo brasileiro em relação a Maduro passará por uma cooperação entre Sérgio Moro e o Itamaraty.

"Se você for congelar tudo aquilo que remete e passa pelas ditaduras cubana e venezuelana, você pode dar um calote muito grande nesses ditadores", disse.

Outros países da América Latina se mostram mais cautelosos na maneira de abordar a questão Venezuelana. Sebastían Piñera, presidente do Chile, não concorda com a opção militar para resolver a crise na Venezuela.

"Nós acreditamos que a opção militar é uma opção ruim porque sabe-se como elas começam, mas nunca se sabe como elas terminam e que custos elas terão em termos de vidas humanas e de sofrimento", declarou a jornalistas, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.

Evo Morales, presidente da Bolívia, denunciou na Assembleia Geral o movimento norte-americano contra Maduro. "Os problemas da Venezuela devem ser resolvidos pelos venezuelanos", afirmou.

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