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Brasil reconhece Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela

Talita Marchao e Gustavo Maia*

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

2019-01-23T17:13:15

2019-01-23T21:00:55

23/01/2019 17h13Atualizada em 23/01/2019 21h00

O governo brasileiro reconheceu oficialmente nesta quarta-feira (23) o deputado e presidente da Assembleia Nacional Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, momentos depois de Guaidó se autodeclarar líder do país. 

O Brasil já não reconhecia a legitimidade de Nicolás Maduro como presidente da Venezuela --ele tomou posse para um novo mandato no último dia 10 em meio aos protestos da comunidade internacional.

"O Senhor Juan Guaidó, Presidente da Assembleia Nacional venezuelana, assumiu hoje, 23/01, as funções de presidente encarregado da Venezuela, de acordo com a Constituição daquele país, tal como avalizado pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ). O Brasil reconhece o Senhor Juan Guaidó como presidente encarregado da Venezuela. O Brasil apoiará política e economicamente o processo de transição para que a democracia e a paz social voltem à Venezuela", diz a nota do Itamaraty emitida na tarde desta quarta.

Opositor Juan Guaidó se declara presidente

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O chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, já tratava Maduro como ex-presidente. 

O assessor internacional de Jair Bolsonaro, Filipe Martins, afirmou em tuíte nesta quarta que este seria o "começo do fim" de Maduro. "Estamos assistindo nestes dias a um momento dramático e decisivo na história, não só da Venezuela, mas da América Latina. Talvez estejamos perto do fim do regime ditatorial venezuelano. Estamos, pelo menos, "no começo do fim", como diria Churchill. Força ao povo venezuelano!", disse.

Entre os que já reconheceram Guaidó como presidente interino estão o presidente dos EUA, Donald Trump, o Canadá e a OEA (Organização dos Estados Americanos). Em Davos, o presidente colombiano, Iván Duque, também afirmou reconhecer a legitimidade de Guaidó. No Chile, o presidente Sebastián Piñera reconheceu Guaidó e manifestou apoio "em sua missão de avançar com a recuperação da democracia" venezuelana. Completam a lista Argentina, Equador, Paraguai e Costa Rica.

Evo Morales, presidente da Bolívia, manifestou apoio a Maduro "nas horas decisivas em que as garras do capitalismo tentam novamente ferir a democracia e a autodeterminação dos povos da América do Sul".

O Grupo de Lima, que reúne 14 países do continente americano para lidar com a crise venezuelana, deve emitir em breve um comunicado conjunto --o México, integrante do grupo, foi o único país que não assinou o termo que desconhece o novo mandato de Maduro e já afirmou que não reconhece Guaidó como mandatário interino.

Guaidó se autoproclamou presidente interino da Venezuela na tarde desta quarta diante de uma multidão que protestava contra Nicolás Maduro em Caracas. 

"Juro assumir formalmente as competências do Executivo Nacional como o presidente encarregado da Venezuela para conseguir o cessar da usurpação, um governo de transição e ter eleições livres", afirmou Guaidó da tribuna, diante da Constituição venezuelana.

Quem é Guaidó

Engenheiro de formação, o deputado de 35 anos foi eleito como presidente da Assembleia Nacional no começo do mês. O partido foi fundado pelo político opositor atualmente preso Leopoldo López. As decisões do Parlamento venezuelano não são reconhecidas pelo Supremo Tribunal, alinhado ao governo chavista. Maduro considerou que o órgão desacatou a Justiça e passou a declarar nulos os seus atos, sem prestar contas aos deputados desde 2016.

Estados Unidos advertem Maduro sobre possível reação 

Os Estados Unidos advertiram nesta quarta-feira (23) que "todas as opções" serão analisadas se o governo de Nicolás Maduro usar a força contra a oposição na Venezuela.

"Se Maduro e seus partidários escolherem responder com violência, se decidirem fazer mal a qualquer dos membros da Assembleia Nacional, todas as opções estão sobre a mesa para os Estados Unidos com relação às medidas que possam ser tomadas", disse a jornalistas um alto funcionário americano, depois que o líder da Assembleia Nacional venezuelana, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino. (*Com agências internacionais)

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AFP

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