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Internacional

Venezuela: Fluxo de imigrantes continua na fronteira; 2 militares desertam

Do UOL, em São Paulo*

24/02/2019 11h14

A fronteira entre Brasil e Venezuela em Roraima amanheceu mais tranquila hoje depois de confrontos entre manifestantes venezuelanos e a Guarda Nacional Bolivariana durante todo o sábado. Desde sexta-feira (22), cinco pessoas morreram em cidades próximas à fronteira.

O fluxo de imigrantes vindos da Venezuela voltou à divisa, apesar do fechamento da fronteira na quinta (21). Venezuelanos vindos de Santa Elena do Uairén disseram que, apesar do fechamento oficial, os próprios guardas da fronteira sugerem que eles atravessem para o Brasil pelas "trocas" - trilhas no mato ao lado da estrada.

Ainda há um efetivo da GNB guardando a aduana, mas já não em formação de coluna como havia ontem.

Os conflitos de sábado

Os conflitos aconteceram enquanto a oposição, com auxílio internacional, tentou enviar caminhões com ajuda humanitária pelas fronteiras com Brasil e Colômbia. Em Roraima, dois caminhões voltaram após passarem horas estacionados próximos à fronteira. Na Colômbia, dois de dez veículos foram queimados na ponte que liga os dois países. 

Algumas dezenas de manifestantes nas cidades de Santa Helera de Uairén, que fica na fronteira com o Brasil, queimaram ônibus municipais a lançaram pedras em direção às forças armadas venezuelanas. Por sua fez, o exército respondeu com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. 

O presidente colombiano, Iván Duque, e o autoproclamado presidente interino da venezuela, Juan Guaidó, condenaram a violência, acusando o regime de Nicolás Maduro de atacar sua própria população e recusar auxílio ao povo, assolado pela crise financeira do país.

Maduro, por sua vez, em discurso feito em Caracas, assistido por uma multidão de apoiadores, disse "estar mais forte do que nunca" e acusou Guaidó de tentar dar um golpe no país auxiliado pelos norte-americanos. Disse também que compraria todos os produtos que países internacionais tentarem enviar pela fronteira e rompeu relações diplomáticas com a Colômbia. 

Deserções

Ao menos dois sargentos da Guarda Nacional Bolivariana desertaram ontem a noite em Pacaraima, segundo o coronel do Exército brasileiro Georges Kanaam. Eles estavam envolvidos no conflito de ontem entre manifestantes e a GNB na fronteira.

Guaidó aposta em pressão internacional

O opositor Juan Guaidó aposta na pressão internacional para afastar do poder o ditador Nicolás Maduro. O presidente interino do país se prepara para participar da reunião do Grupo de Lima, programada para segunda-feira (25) em Bogotá, com a presença do vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence. O vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, também participam do encontro.

"Para avançar em nossa rota, vou me reunir na segunda-feira com nossos aliados da comunidade internacional, e seguiremos ordenando as próximas ações dentro do país", disse Guaidó, reconhecido por 50 países como presidente encarregado da Venezuela.

*Com agências

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