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Palestinos lançam 450 mísseis, Israel revida, e mais de 10 se ferem em Gaza

Do UOL, em São Paulo*

05/05/2019 15h01Atualizada em 05/05/2019 15h40

A tensão entre israelenses e palestinos na Faixa de Gaza aumentou neste domingo. Combatentes palestinos lançaram mais de 450 mísseis contra Israel, que retaliou com uma série de ataques aéreos e por solo. Ao menos três israelenses e nove palestinos morreram por causa do confronto.

A escalada da violência na região começou na sexta-feira (3), quando dois soldados israelenses ficaram feridos por disparos efetuados a partir de Gaza. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que ordenou ao Exército manter ataques pesados contra militantes do Hamas, que controla Gaza, e da Jihad Islâmica.

O Exército israelense afirmou que mais de 450 mísseis, muitos deles interceptados pelo seu sistema de defesa Domo de Ferro, foram disparados contra cidades e vilas no sul de Israel desde sexta-feira, e que atacou com tanques e aviões mais de 220 alvos de grupos militantes em Gaza. Segundo militares israelenses, um dos alvos foi um túnel da milícia radical Jihad Islâmica que ia de Gaza a Israel.

Em um ataque separado, descrito como uma ação direcionada, o Exército de Israel diz ter matado Hamed Ahmed Al-Khodary, um dos comandantes do Hamas. Segundo o Exército, ele era responsável por transferir fundos do Irã para facções armadas em Gaza.

O ataque aéreo contra o carro dele foi o primeiro assassinato de um dos principais militantes do Hamas desde a guerra de cinco anos atrás. Israel havia suspendido esses ataques direcionados em uma tentativa de reduzir as tensões.

Um míssil israelense atingiu um carro onde estaria um dos líderes do Hamas em Gaza - Ashraf Abu Amrah/Reuters
Um míssil israelense atingiu um carro onde estaria um dos líderes do Hamas em Gaza
Imagem: Ashraf Abu Amrah/Reuters

Bebê e mulher grávida morrem em confronto

No total, nove pessoas morreram do lado palestino desde a manhã de sábado: seis milicianos e três civis, entre eles um bebê e uma mulher grávida, que inicialmente acreditava-se ser a mãe da criança, mas depois foi identificada pela família como uma tia, segundo o Ministério da Saúde local.

O Exército de Israel negou que a causa dessas duas mortes tenha sido causada por um dos seus mísseis e atribuiu a culpa ao Hamas. O Hamas, por outro lado, negou a informação.

A Jihad Islâmica disse que entre os palestinos mortos estão também dois de seus membros. O grupo assumiu ter praticado parte dos ataques contra Israel e anunciou estar pronto para novas investidas. Eles ameaçaram atacar importantes alvos israelenses, incluindo o Aeroporto Internacional Ben Gurion, perto de Tel Aviv.

Em Gaza, de acordo com moradores, dois prédios de vários andares foram destruídos. Segundo fontes israelenses, um dos prédios abrigava escritórios dos serviços de inteligência e segurança militar do Hamas.

Para moradores de Gaza, a escalada da violência chega antes do mês sagrado muçulmano do Ramadã, que começa no território na segunda-feira --uma época tradicionalmente de rezas, banquetes familiares para quebrar o jejum do dia e compras.

1º civil israelense morto desde 2014

Um míssil que atingiu uma casa em Ashkelon, em Israel, matou um homem de 60 anos, disse a polícia. Ele foi o primeiro civil israelense morto nesse tipo de ataque desde a guerra de 2014.

Mísseis vindos de Gaza também atingiram uma fábrica na cidade e um veículo, causando ferimentos graves em algumas pessoas. Um porta-voz do hospital de Barzilai confirmou a morte de dois israelenses que tinham ficado feridos pelo impacto de mísseis.

O serviço de emergência Maguen David Adom (MDA, equivalente à Cruz Vermelha) já ofereceu assistência a 90 pessoas desde ontem, atingidas de forma direta ou indireta pelos mísseis vindos de Gaza, segundo o porta-voz da organização, Uriel Goldberg.

A polícia de Israel informou que, além da zona industrial de Ahskelon, um míssil atingiu a cidade de Bersheva, enquanto as Forças de Defesa de Israel informavam que as sirenes antiaéreas foram acionadas em várias comunidades do sul do país.

Bombardeio aéreo de Israel à Faixa de Gaza causou diversas explosões - Sais Khatib/AFP
Bombardeio aéreo de Israel à Faixa de Gaza causou diversas explosões
Imagem: Sais Khatib/AFP

polícia israelense relatou a morte de três pessoas na cidade de Ashkelon, vítimas de um foguete lançado da Faixa de Gaza.... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2019/05/05/israel-ordena-resposta-em-massa-aos-ataques-com-foguetes-dos-palestinos.htm?cmpid=copiaecola
polícia israelense relatou a morte de três pessoas na cidade de Ashkelon, vítimas de um foguete lançado da Faixa de Gaza.... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2019/05/05/israel-ordena-resposta-em-massa-aos-ataques-com-foguetes-dos-palestinos.htm?cmpid=copiaecola

Prédio de agência turca é destruído

A Turquia falou de "agressividade sem limites", após o ataque israelense a um prédio de vários andares em Gaza que, segundo moradores e Ancara, abrigava a redação da agência de notícias estatal turca Anadolu. Pelo Twitter, o líder turco, Recep Tayyip Erdogan, condenou "duramente o ataque de Israel".

A Anadolu informou que o prédio foi destruído por cinco projéteis da Força Aérea israelense. A agência de notícias publicou um vídeo mostrando os entulhos de um prédio desabado. Os funcionários da Anadolu evacuaram o prédio após um tiro de advertência pouco antes do bombardeio. Ninguém ficou ferido.

A resposta israelense também deve gerar novos atritos diplomáticos com a Turquia. O ministro das Relações Exteriores da Turquia foi ao Twitter denunciar o ataque. "É um novo exemplo da agressão sem limites de Israel. A violência israelense indiscriminada contra as pessoas é um crime contra a humanidade", disse Mevlüt Cavusoglu.

União Europeia e ONU pedem cessar-fogo

A Jihad Islâmica acusa Israel de atrasar a implementação de acordos mediados pelo Egito com o objetivo de encerrar a violência e aliviar as dificuldades econômicas de Gaza.

Israel, por sua vez, afirma que os lançamentos de mísseis estão sendo coordenados entre o movimento islamita Hamas e a Jihad Islâmica, e têm como objetivo "matar a civis".

Em Bruxelas, a União Europeia pediu o "cessar imediato" dos disparos. O enviado da ONU encarregado do conflito israelense-palestino, Nickolay Mladenov, pediu "a todas as partes que acalmem a situação e retornem ao entendimento dos últimos meses".

Por sua vez, os Estados Unidos disseram que apoiam o "direito" de Israel à "legítima defesa".

O primeiro-ministro israelense pediu aos residentes de Israel que sigam as instruções de segurança, como ficar perto dos refúgios antiaéreos e afirmou estar trabalhando "para restaurar a paz e a segurança para os moradores do sul".

Confronto na região é antigo

Israel e Hamas entraram em confronto em três guerras desde 2008. No final de março, por patrocínio do Egito e da ONU, um cessar-fogo foi negociado, anunciado pelo Hamas, mas nunca confirmado por Israel. Isso permitiu manter relativa calma durante as eleições legislativas israelenses de 9 de abril.

Desde março de 2018, os palestinos protestam na fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel contra o bloqueio do enclave e o retorno de refugiados que foram expulsos ou tiveram que deixar suas terras após a criação de Israel em 1948.

Pelo menos 271 palestinos foram mortos desde o início da mobilização, em manifestações ou em ataques israelenses em retaliação. Do lado israelense, dois soldados morreram.

Os organizadores das manifestações e do Hamas afirmam que o movimento da "Grande Marcha de Retorno" é independente.

(*Com agências internacionais)

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