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Mourão diz que confia nos chineses e pequenos problemas serão solucionados

Xinhua/Pang Xinglei
Vice-presidente Hamilton Mourão é recebido pelo presidente Xi Jinping em visita na China Imagem: Xinhua/Pang Xinglei

Bi Yuming

Da Xinhua

2019-05-24T19:44:47

24/05/2019 19h44

O vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão (PRTB), afirmou ontem na capital chinesa que o futuro da relação entre o Brasil e a China "é extremamente promissor".

Mourão fez o comentário em uma entrevista exclusiva à Xinhua durante sua visita de seis dias ao país asiático, entre 19 e 24 de maio. Segundo ele, este é um ano muito importante, pois os países completam 45 anos de relação bilateral. "É um período extremamente significativo. Ao longo de todo este tempo, o nosso relacionamento só fez se estreitar e se aproximar cada vez mais."

Mourão lembrou que desde 2009 a China é o maior parceiro comercial do Brasil, seja no fluxo de comércio, seja no investimento realizado por empresas chinesas no país.

Atualmente, o volume de investimentos chineses no Brasil ultrapassa os US$ 70 bilhões. No ano passado a troca comercial bilateral superou os US$ 100 bilhões.

"Ao mesmo tempo, somos parceiros estratégicos globais", acrescentou. De acordo com ele, o Brasil enxerga a China "como um motor da economia mundial" e vê, então, "oportunidades para nós brasileiros comerciarmos com a China". E acrescenta que o Brasil ao mesmo tempo se abre ao mundo e entra em uma nova etapa de sua vida econômica em que "a oportunidade para os que desejarem investir está aberta". "Portanto, esse futuro do relacionamento Brasil-China é extremamente promissor", frisou.

Quando acontecer uma fricção comercial, de que maneira os dois países devem resolvê-la? Mourão respondeu que "é exatamente para isso que existe a Cosban", em referência à Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação. "Então os dois países que se respeitam, que têm o relacionamento altivo e que têm um mecanismo como a nossa Cosban não necessitam discussões, digamos assim, acaloradas, para solucionar alguma ou outra questão que ocorra em determinado momento."

O vice-presidente brasileiro assinalou diálogo e confiança para resolver questões. "Nós confiamos nos chineses e os chineses confiam na gente, e em consequência pequenos problemas que podem ocorrer ao longo do relacionamento são facilmente solucionados."

Uma das agendas do vice-presidente brasileiro na China foi uma reunião da Cosban, que foi estabelecida em 2004 e completa 15 anos em 2019. Mourão disse que o governo brasileiro atribui muita importância ao mecanismo e considera que este "tem que ser realmente o mecanismo por onde fluam todas as negociações entre os dois países sobre os mais diferentes assuntos".

Quanto à Iniciativa do Cinturão e Rota, Mourão expressou que "estamos abertos para discutir o assunto". Ele mencionou infraestrutura. "Eu julgo que na área de infraestrutura tudo aquilo que puder ser feito para facilitar o comércio entre os dois países atende os objetivos do Cinturão e Rota."

Também mencionou um "ambicioso" programa brasileiro de investimentos privados, na área de infraestrutura, incluindo rodovias, ferrovias, terminais portuários, aeroportos, assim como na área de energia, como a renovável, a eólica e a fotovoltaica, além de petróleo e gás. "São áreas onde a China tem expertise e pode então cooperar e ter espaço dentro do nosso país para atuar."

Acrescentou que o Brasil está buscando tornar o ambiente de negócios brasileiro "muito mais agradável e muito mais atrativo para os nossos parceiros", tomando várias medidas para as empresas chinesas terem "amplo campo aberto no Brasil, para apresentarem suas capacidades e em consequência terem lucro".

No âmbito cultural, Mourão apontou que os dois países devem fomentar mais talentos que falem a língua um do outro, promover intercâmbios em futebol e cinema, entre outras áreas, a fim de melhorar os conhecimentos sobre o outro lado e aprofundar o relacionamento.

Voz ativa nos Brics

A respeito do Brics, que realizará sua cúpula em novembro no Brasil, o vice-presidente lembrou que o bloco está entrando na segunda década de vida, acrescentando que "nessa cúpula do Brics é a hora de haver uma afirmação desse grupo de países de modo que a gente realmente tenha uma voz mais ativa no concerto das demais nações". Mencionou vários problemas no mundo de hoje, incluindo as disputas comerciais, a questão das imigrações ilegais e a mudança climática. Acredita que o Brics "tem espaço e capacidade para se apresentar como solução para muitos desses problemas que estão afligindo o conjunto das nações".

"Mas para isso é necessário que realmente os cinco países adotem algumas posições comuns nos fóruns internacionais, concentrem-se mais, juntem-se mais, sejam mais unidos na solução desses problemas que são comuns a todos e que afligem a humanidade de forma geral. Então vejo um futuro muito bom para o Brics desde que realmente nos unamos em torno desses objetivos comuns."

Mourão também indicou que na era da economia de conhecimento os países do Brics devem aprofundar a cooperação nas áreas relevantes, como educação, ciência e tecnologia, inovação, pesquisa e desenvolvimento.

No final da entrevista, o vice-presidente deu parabéns ao 70º aniversário da República Popular da China, que hoje "é a nação mais industrializada do mundo". Na opinião dele, a China pode equilibrar duas atividades econômicas: uma é altamente tecnológica, que emprega trabalhadores de alta qualidade, e a outra é de mão de obra intensiva. Segundo ele, isso é importantíssimo para um país com 1,4 bilhão de habitantes. Conseguir realizar isso "é um feito extraordinário da economia chinesa".

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