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Governo Bolsonaro quer atrasar entrada da Bolívia no Mercosul

Jair Bolsonaro toma posse e recebe os cumprimentos de Evo Morales, presidente da Bolívia - Marcos Corrêa - 1º.jan.2019/PR
Jair Bolsonaro toma posse e recebe os cumprimentos de Evo Morales, presidente da Bolívia Imagem: Marcos Corrêa - 1º.jan.2019/PR

Guilherme Mazieiro

Do UOL, em Brasília

27/08/2019 21h31Atualizada em 28/08/2019 01h46

Em meio a troca de críticas com a França por causa da Amazônia, o governo Jair Bolsonaro (PSL) pode enfrentar mais um desgaste diplomático. O Planalto quer agora retardar a entrada da Bolívia no Mercosul.

A decisão do governo brasileiro acontece dias depois de o presidente boliviano, Evo Morales, criticar a política de armas de Bolsonaro e afirmar que aceita ajuda estrangeira para combater incêndios florestais.

O deputado Herculano Passos (MDB-SP), vice-líder do governo Bolsonaro na Câmara, pediu hoje (27) ao presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ) que a votação sobre a entrada da Bolívia no bloco fosse retirada da pauta.

Maia disse que a proposta pode não ser votada nesta semana, mas tem pressa para analisá-la em até duas semanas.

"É um momento delicado. Está em um momento de votações em alguns países no Mercosul. Acho nós podíamos adiar isso. A liderança do governo pediu para retirar, não para cancelar. Mas para retirar de pauta agora. Esperar um pouquinho para analisar melhor", disse Passos.

O Itamaraty soube domingo que o projeto estava na pauta da Câmara. A partir de então, diplomatas intercederam junto aos deputados do PSL e à liderança do governo para tentar adiar o projeto. Além das posições críticas de Evo a Bolsonaro, há receio de que parlamentares votem contra a proposta por questões ideológicas.

O Itamaraty quer que os deputados ganhem tempo para fazer uma análise melhor do projeto. O governo sinaliza, no entanto, que é favorável ao ingresso da Bolívia no bloco. Em julho, Bolsonaro disse a Bolívia deu "bons sinais" para entrar no Mercosul.

Costurado desde 2015, o acordo, se efetivado, ampliará o mercado consumidor dos produtos brasileiros. Entre outros pontos, facilitará negociações comerciais, exportações e viagens turísticas. O Brasil é um dos principais parceiros econômicos da Bolívia, em razão do consumo de gás natural daquele país.

Para os bolivianos entrarem no bloco

O PDC 745/2017 (Projeto de Decretos Legislativos de Acordos Tratados ou Atos Internacionais), que permite a entrada de Bolívia no bloco, precisa ser aprovado pelo Parlamento de todos os países membros (Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai). A Venezuela está suspensa desde 2016 no Mercosul.

Atualmente, a Bolívia é considerada um país "associado em processo de adesão".

No Brasil, a proposta já está pronta para votação desde maio deste ano. O acordo foi colocado na pauta do plenário na última sexta-feira (23).

Há dois dias, o presidente da Bolívia, Evo Morales, criticou a política de armas de Bolsonaro. Em entrevista à Folha, ele negou que haja uma aproximação com Bolsonaro.

O Palácio do Planalto diz que não vai se manifestar a respeito. O Itamaraty também foi procurado pela reportagem. Assim que houver alguma manifestação, este conteúdo será atualizado.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado no 9° parágrafo desta matéria, o Chile não faz parte dos membros do Mercosul. A informação já foi corrigida.

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