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Foco de discórdia, Brasil vai abrir escritório em Jerusalém até dezembro

Em foto de dezembro, Jair Bolsonaro cumprimenta Benjamin Netanyahu e sua mulher em visita do premiê ao Rio de Janeiro - Getty Images
Em foto de dezembro, Jair Bolsonaro cumprimenta Benjamin Netanyahu e sua mulher em visita do premiê ao Rio de Janeiro Imagem: Getty Images

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

10/10/2019 13h42Atualizada em 10/10/2019 15h37

Foco de discórdia e de crise diplomática com o Oriente Médio, o governo brasileiro informou que vai abrir o escritório de negócios em Jerusalém, em Israel, até dezembro deste ano. Se possível, a intenção é que o escritório da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) seja inaugurado em novembro.

"A decisão de abrir um escritório de negócios sem status diplomático é resultante de uma discussão de governo, onde há interesses nem sempre absolutamente convergentes. Há interesses ligados ao agronegócio e a uma perspectiva mais religiosa e histórica. [...] Entendo que esse escritório deve ser aberto em novembro ou dezembro", afirmou hoje o secretário de Negociações Bilaterais no Oriente Médio, Europa e África, embaixador Kenneth Félix Haczynski da Nóbrega.

Inicialmente, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) pretendia transferir a embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém por pressão de grupos evangélicos, aos quais é estreitamente ligado e dependente. A iniciativa inclusive foi promessa de campanha do então candidato na eleição presidencial de 2018.

No entanto, o presidente recuou da medida após a ameaça de países do Oriente Médio de limitar as importações do agronegócio brasileiro e após reclamações de empresários sobre o impacto que isso poderia ter na economia do país. A atitude também contrariaria o posicionamento histórico do Brasil perante os conflitos na região, em especial com a Palestina.

Na tentativa de resolver o impasse, como um meio-termo, o governo federal resolveu abrir um escritório comercial da Apex sem envolvimento direto com a diplomacia.

Ainda assim, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, teve de rodar por países árabes na tentativa de se apaziguar o mal-estar causado pela possibilidade. A partir de 26 de outubro, será a vez de Bolsonaro tentar acabar com qualquer atrito em viagem ao Oriente Médio.

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