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Trump chama de "fake news" notícia sobre EUA não apoiarem Brasil na OCDE

Bolsonaro entrega camisa da seleção brasileira a Donald Trump - Getty Images
Bolsonaro entrega camisa da seleção brasileira a Donald Trump Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

10/10/2019 21h25

O presidente americano Donald Trump chamou de "fake news" a notícia de que os Estados Unidos não irão apoiar a entrada do Brasil na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), organização internacional com 36 países e que tem o objetivo de coordenar políticas econômicas entre eles.

"O comunicado conjunto divulgado com o presidente Bolsonaro em março deixa absolutamente claro que apoio o Brasil no início do processo de adesão plena a membro da OCDE", escreveu Trump, no Twitter, na noite de hoje. "Esta reportagem é fake news", completou ele, compartilhando o link para o texto da agência Bloomberg.

Apesar da declaração, em nenhum momento, Donald Trump contesta a informação de que os Estados Unidos irão apoiar a entrada da Argentina e da Romênia na OCDE.

O presidente brasileiro respondeu minutos depois, em inglês, com uma passagem bíblica. "E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará."

Hoje mais cedo, o governo americano recusou a solicitação do Brasil para fazer parte da organização. A informação foi divulgada inicialmente pela agência Bloomberg.

Segundo a publicação, o secretário de Estado dos EUA, Michael Pompeo, rejeitou um pedido para discutir o aumento do clube dos países mais ricos. A informação foi obtida a partir da cópia de uma carta enviada ao secretário-geral da OCDE, Angel Gurria, em 28 de agosto. Ele acrescentou que Washington apenas apoiou as ofertas de membros da Argentina e da Romênia.

A mensagem contradiz a postura pública adotada pelos Estados Unidos sobre a questão. Em março, o presidente Donald Trump declarou, em conferência com o presidente Jair Bolsonaro (PSL), na Casa Branca, que ele apoiaria o Brasil na tentativa de entrar no grupo de 36 países.

Em julho, o secretário do Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, reiterou o apoio de Washington ao Brasil, que apresentou seu pedido de adesão à OCDE em maio de 2017.

"Decisão é política"

O alemão Ludger Schuknecht, um dos vice-secretários-gerais da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), disse hoje em São Paulo que os EUA não mudaram a posição de apoio à entrada do país na entidade, mas lembrou que a decisão sobre o ingresso de novos membros é "política".

"Os EUA tomaram a posição de apoiar a entrada do Brasil na OCDE, e não tenho evidências sobre uma mudança nesta posição", afirmou Schuknecht no Fórum de Investimentos Brasil, evento promovido pelo governo brasileiro.

Segundo o dirigente da OCDE, o timing da entrada de novos membros "é uma decisão política", que depende da decisão dos Estados-membros. Hoje, são 36 países.

De acordo com Schuknecht, além do Brasil, outros cinco países já pediram para entrar na OCDE: Argentina, Peru, Romênia, Bulgária, Croácia. Colômbia e Costa Rica estão perto da conclusão de seu ingresso.

O que é a OCDE?

A OCDE, órgão em que a entrada do Brasil foi barrada pelos EUA, é uma organização internacional com 36 países com o objetivo de coordenar políticas econômicas entre eles. Fundada em 1961, é um desdobramento da Organização para Cooperação Econômica Europeia, que existia desde 1948.

A OCDE (OECD, na sigla em inglês) recebe o apelido de "clube dos ricos" porque reúne, principalmente, as maiores economias mundiais, como EUA, França, Alemanha, Japão, Canadá e Reino Unido.

O Brasil havia formalizado um pedido para fazer parte da OCDE em 2017, e a expectativa era que o processo de admissão corresse rapidamente. Atualmente, o país figura apenas como parceiro estratégico, junto com África do Sul, Índia, China e Indonésia.

O primeiro país da América do Sul a entrar para a OCDE foi o Chile, em janeiro de 2011. A Colômbia foi aceita em maio de 2018 e deve se tornar o 37º membro assim que confirmar internamente a adesão à organização.

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