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Com Lula livre sopram outros ventos no Brasil, diz Alberto Fernández

28.out.2019 - Alberto Fernández, novo presidente da Argentina - Ricardo Moraes/Reuters
28.out.2019 - Alberto Fernández, novo presidente da Argentina Imagem: Ricardo Moraes/Reuters

Luciana Taddeo

Colaboração para o UOL, em Buenos Aires

09/11/2019 12h08

O presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, afirmou neste sábado (09), ter dito ao francês Emmanuel Macron que com a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva "sopram outros ventos" no Brasil. O peronista deve visitar a França antes de assumir a presidência, no dia 10 de dezembro.

A declaração foi feita em Buenos Aires, na abertura do encontro do Grupo de Puebla, que reúne 32 líderes progressistas da região em Buenos Aires. Fernández falou após Lula agradecê-lo, em um vídeo gravado após a liberdade e transmitido no evento, pela vitória do peronista na Argentina. "É como se eu tivesse ganhado aqui no Brasil, querido, tal a alegria que eu fiquei, tal o carinho que eu tenho pelo povo argentino", disse o petista.

"Hoje eu dizia ao presidente Macron que com Lula livre sopram outros ventos no Brasil e eu confio nesses ventos", disse Fernández sobre a conversa, telefônica que durou quase uma hora, abordou os problemas do continente e segundo o peronista foi "esplêndida".

Dirigindo-se ao ex-ministro petista Aloizio Mercadante, o futuro presidente argentino garantiu que a unidade entre o Brasil e a Argentina é indissolúvel, o que não será alterado por "nenhum governo de conjuntura pode rompê-la". Segundo ele, seu país continuará trabalhando por essa unidade, que é o "eixo da unidade da América do Sul".

"Nunca devemos duvidar de estar ao lado de quem está padecendo injustamente", disse, sobre quando era questionado acerca da conveniência do apoio a Lula. "É necessário, não conveniente, estar ao lado dos que padecem uma injustiça", defendeu, complementando: "Devíamos estar ao lado dele, só isso".

Segundo ele, em sua visita na prisão em Curitiba, Lula lhe deu uma só ordem: "Você tem que ganhar na Argentina", expressou, reproduzindo a frase em português e completando que o pedido foi feito mais de uma vez. "Fiz isso, ganhei na Argentina, e pusemos de pé a Argentina e vamos pôr de pé a América Latina com todos vocês", disse.

Sobre o questionamento de Lula a um lado da Justiça brasileira, Fernández disse que "não é muito diferente" do que ele mesmo diz sobre a Argentina, ou do que acontece Equador, onde opositores são acusados do crime de rebelião "sem que nenhum tenha tido uma arma em suas mãos" e o vice-presidente Jorge Glass está preso há mais de 2 anos e "ninguém levanta a voz".

Fernández afirmou que na conversa, ele também falou sobre o Chile, a Argentina, a Bolívia e a Venezuela. Segundo o peronista, na Bolívia "há uma classe dominante que não se resigna a perder o poder para o primeiro presidente boliviano que se parece com os bolivoanos".

"E lhe contei o que acontece no Chile. Eu disse: presidente, o milagre chileno é que os chilenos não tenham reagido antes", expressou, referindo-se à desigualdade social no país. Ele pediu que o presidente Sebastián Piñera "faça um esforço maior" para atender as demandas sociais e disse estar disposto a ajudar o país a recuperar a paz.

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