PUBLICIDADE
Topo

Médicos encontram 700 cisticercos de tênia no cérebro e pulmões de chinês

Exame mostrou cisticercos no cérebro - Reprodução/AsiaWire/ZJU 1st Hospital
Exame mostrou cisticercos no cérebro Imagem: Reprodução/AsiaWire/ZJU 1st Hospital

Do UOL, em São Paulo

27/11/2019 14h22

Um homem chinês diagnosticado com neurocisticercose tinha mais de 700 cisticercos da Taenia solium no cérebro e pulmões. A informação é da revista Newsweek.

De acordo com a publicação, Zhu Zhongfa ingeriu ovos do parasita ao comer carne mal cozida. Uma semana mais tarde, ele passou a ter convulsões e deu entrada no hospital já com sinais de perda de consciência.

Exames mostraram que havia cisticercos espalhados pelo cérebro e em todo o pulmão. A grande quantidade surpreendeu o médico Huang Jianrong, do Hospital Afiliado da Faculdade de Medicina da Universidade de Zhejiang.

"Ele não apenas teve numerosas lesões ocupando o espaço do cérebro, mas também cistos nos pulmões e músculos do peito", disse.

Segundo a revista, a primeira parte do tratamento, com a ingestão de antiparasitas, foi concluída com sucesso.

Entenda melhor a neurocisticercose
A neurocisticercose é uma das fases mais graves da cisticercose, doença provocada por cisticercos da Taenia solium. Após a ingestão de alimentos contaminados, os ovos do verme se rompem no estômago e podem entrar na corrente sanguínea, se espalhando por diferentes regiões do corpo, como músculos, coração, olhos, pele.

A neurocisticercose ocorre quando os cisticercos se alojam no cérebro. Como o período de incubação dos cistos varia entre dias até anos, o paciente pode não apresentar sintomas por muito tempo. Geralmente, quando as larvas estão morrendo, se inicia um processo inflamatório que pode desencadear convulsões, danos neurológicos (paralisias ou dormências em um segmento do corpo), sinais de aumento de pressão intracraniana (dor de cabeça, vômitos e torpor) e alteração do comportamento, meningite (febre, dor de cabeça, rigidez do pescoço). Quando o cisto está alojado no tecido cerebral, ele ainda pode degenerar o tecido e bloquear o fluxo de líquido no cérebro, causando crises epiléticas, hidrocefalia e limitação dos movimentos.

O tratamento também vai depender da localização e quantidade de cisticercos que estão no organismo. No caso de até cinco, recomenda-se o uso de vermífugos. Se a quantidade for maior, o vermífugo pode não ser suficiente para se matar os vermes e recomenda-se a cirurgia para retirada.

Fonte: Pedro André Kowacs, neurologista, doutor em epilepsia pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e chefe do serviço de neurologia do INC (Instituto de Neurologia de Curitiba).

Internacional