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Líderes mundiais: Irã assumir é importante, mas é preciso transparência

21.ago.2019 - O premiê britânico Boris Johnson e a chanceler alemã Angela Merkel consideraram a admissão do Irã importante, mas exigiram transparência e punição aos culpados - Xinhua/Lian Zhen
21.ago.2019 - O premiê britânico Boris Johnson e a chanceler alemã Angela Merkel consideraram a admissão do Irã importante, mas exigiram transparência e punição aos culpados Imagem: Xinhua/Lian Zhen

Marcelo Oliveira

do UOL, em São Paulo*

11/01/2020 17h27

Resumo da notícia

  • Irã admitiu neste sábado que derrubou avião ucraniano de forma não-intencional
  • Lìderes mundiais como Angela Merkel (Alemanha) e Boris Johnson (Reino Unido) disseram que confissão é passo importante
  • O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, foi o mais contundente e disse que é preciso investigação transparente
  • Ucrânia divulgou mais cedo que Irã teria pedido desculpas ao país pela tragédia

Líderes mundiais que tiveram seus cidadãos entre as vítimas do vôo PS752, da Ukraine International Airlines, derrubado não-intencionalmente pela artilharia antiaérea iraniana, na última quarta-feira, causando a morte de todas as 176 pessoas a bordo, elogiaram Teerã por ter assumido a derrubada da aeronave.

Entretanto, os líderes mundiais que se manifestaram exigem mais transparência, investigação, responsabilização dos culpados e a entrega dos corpos.

O governo iraniano admitiu neste sábado que o avião caiu em seu território em virtude de um erro humano e que os responsáveis serão punidos.

"A República Islâmica do Irã lamenta profundamente esse erro desastroso", escreveu o presidente iraniano, Hassan Rouhani.

Em pronunciamento na TV, o comandante da seção aeroespacial da Guarda Revolucionária iraniana, general Amir Ali Hajizadeh, disse que "preferiria estar morto a testemunhar um acidente semelhante".

Canadá exige Justiça

Sessenta e três vítimas do vôo PS752 eram canadenses, segundo país que mais teve vítimas na tragédia.

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, disse neste sábado que uma prestação de contas é necessária, mesmo depois de o Irã ter admitido que derrubou acidentalmente um avião ucraniano, matando 176 pessoas a bordo.

Segundo o líder canadense, é preciso uma investigação independente que comprove a versão iraniana de derrubada acidental. "O que o Irã admitiu é seríssimo. Derrubar um avião comercial é terrível. O Irã deve assumir total responsabilidade (pelo caso)", disse.

O premiê também exigiu "transparência e justiça para as famílias e entes queridos das vítimas", dos quais muitos eram cidadãos nacionais canadenses. O Canadá abriga uma das maiores frações da diáspora iraniana. Mais de 200 mil pessoas que se dizem iranianas vivem no país e têm dupla nacionalidade.

"Todos os canadenses estão de luto juntos", disse Trudeau em comunicado. O primeiro-ministro disse que esteve com familiares de vítimas e que exigiu do presidente iraniano a participação de canadenses na investigação do acidente.

Tensão colaborou

Hoje à tarde, Trudeau disse à repórteres que as tensões entre EUA e o Irã desde o assassinato do general Qassim Suleimani contribuíram para derrubada do voo PS752, quando perguntado se ele via uma conexão entre a tragédia e o conflito entre os dois países.

"Penso que em tempos de conflito e tensão é quando vidas inocentes são perdidas. Obviamente, neste contexto do Oriente Médio, isso contribuiu para esta tragédia, mas o Irã fez a coisa certa e assumiu responsabilidade pela derrubada do avião e por esta tragédia", disse.

Passo importante

A chanceler alemã Angela Merkel afirmou neste sábado, que a admissão do Irã de que acidentalmente derrubou um avião de passageiros ucraniano "foi um passo importante", mas exigiu uma investigação completa.

Merkel disse que era bom identificar os culpados e enfatizou a necessidade de "estabelecer exaustivamente" o que aconteceu. Três cidadãos alemães morreram no desastre.

A declaração foi dada após evento bilateral com o presidente russo Vladimir Putin, no Kremlin.

Investigação independente

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, chamou neste sábado de "primeiro passo importante" o fato de o Irã confessar que acidentalmente derrubou o avião ucraniano, matando 176 pessoas, incluindo quatro cidadãos britânicos.

"Agora precisamos de uma investigação internacional completa, transparente e independente e a repatriação daqueles que morreram", acrescentou o líder conservador em comunicado.

Segundo Johnson, o Reino Unido trabalhará com seus parceiros internacionais para esse fim.

"O mundo está olhando", diz Trump

O presidente norte-americano, Donald Trump, não comentou sobre o fato de o Irã ter admitido responsabilidade na derrubada do avião ucraniano, mas tuitou sobre os protestos que irromperam em Teerã após a confissão das autoridades iranianas.

"O governo do Irã deve admitir que grupos de direitos humanos monitorem e relatem fatos in loco sobre os protestos que o povo iraniano está realizando. Não pode haver outro massacre de manifestantes pacíficos nem a internet ser derrubada. O mundo está assistindo", disse Trump.

O mandatário disso que está ao lado do povo americano e que acompanha os protestos de perto e que "é inspirado pela coragem" dos manifestantes.

Rainha enviou mensagem ao Canadá

A rainha Elizabeth II, da Inglaterra, disse hoje estar "profundamente entristecida pela trágica perda de vidas" na queda do avião ucraniano que matou 176 passageiros.

"Nossas preces e pensamentos estão com o povo do Canadá que sofreu uma perda devastadora", disse a rainha em uma mensagem enviada hoje ao governo do Canadá.

Desculpas

Segundo divulgado pelo governo ucraniano, o presidente do Irã, Hassan Rouhani, pediu neste sábado desculpas ao povo do país pela derrubada do avião da Ukraine International Airlines, afirma a CNN.

O líder iraniano prometeu buscar os culpados pela tragédia, de acordo com um resumo divulgado por autoridades de Kiev sobre a telefonema de Rouhani para o premiê ucraniano, Volodomyr Zelensky. "Hassan Rouhani expressou suas condolências ao povo ucraniano e às famílias dos mortos como resultado da queda do voo PS752 da Ukraine International Airlines.

Ele fez um pedido de desculpas em nome do Irã pela tragédia que custou 176 vidas", afirma o comunicado. "O líder da República Islâmica do Irã disse reconhecer completamente que a tragédia se deveu a ações erradas dos militares de seu país. Segundo Teerã, todos os envolvidos na derrubada do avião serão responsabilizados", diz o comunicado ucraniano sobre o contato entre o líder do Irã e da Ucrânia, segundo a TV.

Corpos serão repatriados

De acordo com a versão ucraniana para o diálogo entre os presidentes, o Irã trabalha para repatriar os corpos de todos os mortos no acidente até 19 de janeiro e que concorda em pagar indenizações à Ucrânia. Mais cedo, Zelensky havia dito que o fato de o Irã ter admitido ter derrubado o avião não-intencionalmente era "um passo na direção certa" e que esperava cooperação legal e técnica na investigação do caso.

* Com AFP e agências internacionais

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