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Protestos no Líbano têm confronto com a polícia e centenas de feridos

18.jan.2020 - Canhão de água é usado pela polícia do Líbano durante violentos protestos na região central de Beirute - Bilal Jawich/Xinhua
18.jan.2020 - Canhão de água é usado pela polícia do Líbano durante violentos protestos na região central de Beirute Imagem: Bilal Jawich/Xinhua

Do UOL, em São Paulo

19/01/2020 13h38

Centenas de pessoas ficaram feridas durante violentos protestos antigoverno na noite de ontem em Beirute, capital e maior cidade do Líbano, de acordo com informações de agências internacionais de notícias.

Hoje, forças de segurança, incluindo militares, foram colocados na região central da cidade após confrontos considerados os mais violentos nos últimos três meses terem deixado quase 400 feridos, diz a Associated Press. Os policiais estão reforçando barreiras de concreto e cercas de arame farpado nas principais vias, diante da possibilidade de novas manifestações.

Ontem, a polícia chegou a utilizar canhões de água, bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar milhares de pessoas dos tumultos que duraram cerca de nove horas. Os manifestantes usaram galhos de árvores e barras de metal para bater nos policiais e também fogos de artifício e pedras.

Manifestantes de um lado e policiais do outro, separados por grades e cerca de arame farpado, em Beirute - Bilal Jawich/Xinhua
Manifestantes de um lado e policiais do outro, separados por grades e cerca de arame farpado, em Beirute
Imagem: Bilal Jawich/Xinhua

De acordo com a Cruz Vermelha e a Defesa Civil do Líbano, 377 pessoas ficaram feridas, sendo que mais de 120 foram atendidas em hospitais, assim como integrantes das forças policiais. A corporação que representa as forças de segurança libanesas divulgou que 142 de seus integrantes foram feridos, alguns gravemente.

Trinta e quatro pessoas que tinham sido presas ontem em confrontos com a polícia foram liberadas hoje por ordem da promotoria pública.

Para dificultar a ação dos manifestantes, alguns prédios do governo tiveram as entradas bloqueadas com arame farpado na área central de Beirute assim como as vias que levam ao Parlamento receberam cercas e obstáculos.

Crise econômica e renúncia do primeiro-ministro

A crise econômica e o impasse quanto à formação de um novo governo estão entre as principais motivações das pessoas que estão indo para as ruas. O gabinete liderado pelo primeiro-ministro Saad Hariri renunciou no final de outubro.

Embora tenha deixado o cargo, Hariri continua no poder interinamente. Ele afirmou, segundo a agência EFE, que houve "atos de sabotagem" para ameaçar a "paz social" do país e que não permitirá que Beirute volte a ser palco de "destruição e frentes de combate", em uma referência à guerra civil vivida pelo país entre 1975 e 1990, quando a cidade foi dividida em regiões controladas por diferentes seitas religiosas.

O engenheiro e acadêmico Hasan Diab foi encarregado de formar um novo governo depois da renúncia de Hariri, mas ainda não teve sucesso.

Os manifestantes exigem que o novo primeiro-ministro seja independente e tenha experiência para tirar o país de uma profunda crise econômica.

Neste domingo, comerciantes, lojistas e funcionários de bancos passaram a manhã limpando restos de vidraças quebradas na noite anterior. A fachada da sede da Associação Bancária do Líbano foi depredada com barras de metal. As instituições financeiras do país são acusadas pelos manifestantes pela crise econômica, juntamente com a corrupção do governo.

Policiais usam bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes durante protestos em Beirute - Anwar Amro/AFP
Policiais usam bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes durante protestos em Beirute
Imagem: Anwar Amro/AFP

A ministra do Interior, Raya El Hassan, disse que as forças de segurança foram ordenadas a proteger protestos pacíficos. "Mas para os protestos se transformarem em um ataque flagrante às forças de segurança, propriedades públicas e privadas, isso é totalmente inaceitável", ela afirmou ontem, pelo Twitter.

A HRW (Human Rights Watch) descreveu a resposta da polícia aos protestos como "brutal" e pediu um fim urgente à "cultura de impunidade" para o abuso policial.

"Não havia justificativa para o uso brutal da força contra uma grande maioria de manifestantes pacíficos na região central de Beirute", disse Michael Page, diretor da HRW.

"A polícia demonstrou um flagrante desrespeito por suas obrigações em relação aos direitos humanos, em vez de lançar cartuchos de gás lacrimogêneo na cabeça dos manifestantes, disparar balas de borracha nos olhos e atacar pessoas em hospitais e uma mesquita".

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