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Bancos britânicos ajudavam empresas brasileiras ligadas com o desmatamento

Segundo o The Guardian, investidores com ações de três empresas brasileiras davam suporte financeiro bilionário para elas - Getty Images
Segundo o The Guardian, investidores com ações de três empresas brasileiras davam suporte financeiro bilionário para elas Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

04/06/2020 12h00Atualizada em 04/06/2020 12h01

Bancos e instituições financeiras da Inglaterra forneceram mais de R$ 10 bilhões para as empresas brasileiras de carne bovina Minerva, Marfrig e JBS, ligadas com o desmatamento na Amazônia. Os frigoríficos teriam adquirido gado de fornecedores que desmatam áreas da floresta.

A informação e investigação é do jornal britânico The Guardian em conjunto com Unearthed e Bureau of Investigative Journalism.

Entre janeiro de 2013 e maio de 2019, o HSBC US$ 1,1 bilhão (R$ 5,6 bilhões) em títulos da Marfrig, mais US$ 917 milhões (R$ 4,7 bilhões) para o Minerva e possuíam quase US$ 3 milhões (R$ 15,3 milhões) em ações da JBS. Já a Schroders possuía US$ 14 milhões (R$ 71,8 milhões) em títulos da Marfrig e US $ 12 milhões (R$ 61,5 milhões) da Minerva.

A empresa Standard Life Aberdeen também possuía US $ 10 milhões (R$ 51,2 milhões) em títulos da Marfrig e US $ 3 milhões (R$ 15,3 milhões) na JBS. Já a Prudential UK teria US $ 23 milhões (R$ 117,9 milhões) em ações da mesma empresa e US $ 5 milhões (R$ 25,6 milhões) em títulos da Minerva.

A reportagem ainda cita o Santander, o Deustch Bank e o Crédit Agricole com participações nas empresas.

Os bancos detinham esses títulos e ações em nome de clientes que investem fundos de gerenciamento de ativos.

A reportagem destaca que "milhares de hectares da Amazônia estão sendo abatidos todos os anos para pastar gado" e fornecer carne e relembra episódios em que as empresas brasileiras se envolveram com a compra de gado criado em áreas desmatadas.

Um relatório publicado hoje pelo Greenpeace Brasil diz que as três empresas compraram gado ligados ao desmatamento desde 2018.

Instituições e empresas respondem

O The Guardian ouviu as empresas envolvidas e as instituições financeiras. A JBS afirmou ter bloqueado milhares de fornecedores diretos por violar regras relativas ao desmatamento e que estava trabalhando com o governo e a indústria em soluções para monitorar fornecedores indiretos.

A Minerva disse que "não existem dados e estatísticas acessíveis e confiáveis" no país, mas que está trabalhando uma nova ferramenta para solucionar o problema.

Pela parte dos investidores, a Prudential UK afirmou estar se envolvendo ativamente com empresas que operam na região amazônica para encontrar soluções. O HSBC disse que conduzia análises de clientes por seu compromisso com práticas de negócios sustentáveis.

Já o Santander disse que conduz revisões anuais de mais de 2.000 clientes aqui no Brasil, incluindo aqueles que são grandes produtores de soja, comerciantes de soja e frigoríficos. A Aberdeen Standard Investments informou por um porta-voz que "existem deficiências" no monitoramento, mas que "as práticas estão melhorando".

A Schroders disse que está em contato com a Marfrig e a Minerva e que "se não víssemos esses sinais de progresso, certamente consideraríamos mudar nossas recomendações para essas empresas". O Deustch Bank e o Crédit Agricole disseram que não financiam atividades onde há explícito desmatamento.

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