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Após 11 dias, manifestantes por Floyd ainda enfrentam violência policial

5.jun.2020 - Policiais detém manifestantes em ato na cidade de Nova York, no mesmo dia do funeral de George Floyd em Minneapolis - Jeenah Moon/Reuters
5.jun.2020 - Policiais detém manifestantes em ato na cidade de Nova York, no mesmo dia do funeral de George Floyd em Minneapolis Imagem: Jeenah Moon/Reuters

Carolina Marins*

Do UOL, em São Paulo

06/06/2020 01h30

Os protestos nos Estados Unidos contra o racismo entraram em sua 11ª noite de forma mais pacífica em alguns lugares, mas ainda enfrentando a truculência policial. Um vídeo de policiais empurrando um idoso causou reações, e autoridades prometem mudanças nas policiais americanas.

Os atos começaram no país em 26 de maio, um dia depois que o ex-segurança negro George Floyd foi morto por Derek Chauvin, um policial branco que pressionou por mais de 8 minutos seu pescoço com o joelho, em Mineápolis. A cena, filmada por uma testemunha, causou indignação, e a primeira noite de protestos foi marcada por uma delegacia incendiada.

Desde então, os protestos seguiram aumentando, com relatos de violência policial, saques em lojas e depredações públicas. Tumultos foram utilizados como motivo para que mais de 40 cidades decretassem toque de recolher.

Desde quinta-feira (4), porém, quando ocorreram as primeiras homenagens durante o funeral para Floyd, os atos têm sido pacíficos e as cidades pouco a pouco suspendem o toque de recolher. Mas há exceções. Em Nova York houve, na quinta-feira, cenas de truculência contra manifestantes e a imprensa, no momento em que começou o toque de recolher.

No mesmo dia, cenas de policiais em Buffalo, também no estado de Nova York, empurrando um senhor idoso de 75 anos que cai no chão e sangra causou mais indignação. Inicialmente, a polícia de Buffalo havia dito em comunicado que uma pessoa "ficou ferida após tropeçar e cair". No entanto, mais tarde, a prefeitura da cidade informou a suspensão dos agentes.

Uma investigação interna sobre o caso também foi aberta. De acordo com o prefeito Byron Brown, o idoso foi socorrido e levado para um hospital da região. Ele está em condição "estável, mas grave".

O episódio provocou a ira do governador de Nova York, Andrew Cuomo, que afirmou que "a polícia deve defender as pessoas e se defender, e isso é um fato. Mas também existem casos de abuso de poder, e isso também é um fato. Os abusos devem terminar, devemos mudar".

Desde então, mais vídeos de violência policial durante protestos têm aparecido nas redes sociais americanas.

Autoridades prometem mudanças na polícia

Vaiado durante as homenagens para George Floyd, o prefeito de Nova York, Bill de Blásio, prometeu que haverá mudanças na polícia nova-iorquina. Outros prefeitos e governadores também exigem o mesmo desde o início dos atos.

O conselho de Mineápolis votou nesta sexta-feira para acabar com o uso de estrangulamentos e contenção no pescoço, como a aplicada por Chavin em Floyd. Na Califórnia, o governador Gavin Newsom disse que encerrará o treinamento da polícia em contenções semelhantes.

Conforme aumentavam os atos, cresceu também a pressão para a retirada de monumentos da Guerra Civil pró-escravagista no país. Nesta semana, vários monumentos foram danificados ou sofreram intervenções, algo que se espera também para os próximos dias. Na Virgínia, já foi prometida a remoção de uma estátua, e no Alabama manifestantes retiraram outra.

Na capital Washington DC, a prefeita Muriel Bowser deu um novo nome a uma rua em frente à Casa Branca: "Black Lives Matter Plaza" (Praça "Vidas Negras Importam"). O local teve a frase pintada em enormes letras amarelas na pista, em uma aparente resposta à reação do presidente Donald Trump aos protestos nos Estados Unidos.

Mesmo diminuindo, mais atos ainda são previstos para o fim de semana. Na França, a polícia proibiu uma manifestação planejada para ocorrer em frente à embaixada dos Estados Unidos, em Paris, neste sábado.

Trump cita Floyd

Donald Trump citou George Floyd durante coletiva de imprensa. Ele comemorou que a taxa de desemprego do país caiu — indo contra todas as expectativas durante a pandemia — e disse que "é um grande dia para Floyd".

"Espero que George esteja olhando para baixo agora e dizendo que isto é grandioso para o nosso país. É um ótimo dia para ele. É um ótimo dia para todos", disse o presidente.

Trump afirmou que seu governo fez mais pelos afro-americanos do que os presidentes anteriores, incluindo a redução da taxa de desemprego. No entanto, o próprio relatório de desemprego contradiz Trump, pois aponta que, para os negros, a desocupação subiu ligeiramente para 16,8%.

O uso do nome de Floyd em seu discurso causou reações. O democrata e possível oponente de Trump nas eleições de novembro, Joe Biden, chamou a atitude de "desprezível".

"As últimas palavras de George Floyd — 'não consigo respirar, não consigo respirar' — ressoaram em todo o país. Que o presidente tente colocar palavras na boca de George Floyd é totalmente desprezível", disse.

Questionado por repórteres sobre George Floyd enquanto assinava uma lei econômica, Trump silenciou os jornalistas.

"Como uma economia melhor protegeria George Floyd?", perguntou um repórter. "Você se importa se eu assinar a lei?", retrucou Trump, levando o dedo à boca.

*Com agências internacionais

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