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Presidente do Mali renuncia e dissolve parlamento após sofrer golpe militar

"Não quero que sangue seja derramado", disse Ibrahim Bubacar Keita em pronunciamento na TV - Ludovic Marin/POOL/AFP
"Não quero que sangue seja derramado", disse Ibrahim Bubacar Keita em pronunciamento na TV Imagem: Ludovic Marin/POOL/AFP

Do UOL, em São Paulo

18/08/2020 21h34Atualizada em 19/08/2020 12h18

Após ser vítima de um golpe militar, o presidente do Mali, Ibrahim Bubacar Keita, renunciou ao cargo nesta terça-feira (18), em pronunciamento na TV estatal. Segundo informações preliminares da AFP, Keita também anunciou a dissolução do parlamento e do governo.

"Não quero que sangue seja derramado para que eu continue no poder", disse o presidente.

Mais cedo, militares rebeldes se amotinaram e prenderam Keita e o primeiro-ministro de Mali, Boubou Cissè. Um médico local informou à AFP que "soldados furiosos pegaram em armas no acampamento de Kati e atiraram para o ar".

Golpe no Mali: militares amotinados prendem primeiro-ministro e presidente

A razão dessa revolta ainda não está clara. Testemunhas falam em problemas no pagamento dos salários, mas o governo não confirma essa informação.

A Comunidade de Estados do Oeste da África (Cedeao) condenou a investida de "militares golpistas" contra Keita e Cissè, exigindo sua libertação imediata e anunciando o fechamento das fronteiras com o Mali.

A organização regional, formada por 15 membros, também decidiu suspender o Mali dos órgãos decisórios e reivindicou "o estabelecimento imediato de um conjunto de sanções contra todos os golpistas", segundo um comunicado.

Nesta quarta-feira (19), os mentores do golpe militar disseram que planejam estabelecer um governo civil de transição, responsável por organizar novas eleições.

Crise política

Militares golpistas no Mali - Stringer/AFP - Stringer/AFP
Imagem: Stringer/AFP

Há dois meses, o Mali está vivenciando um período de grave crise política, com protestos diários contra Keita e seu governo.

A oposição, reunida sob o Movimento 5 de Junho, já vinha cobrando a renúncia do mandatário e tem uma grande presença de militares que, assim como aconteceu no golpe de 2012, está insatisfeita com as medidas tomadas pelo atual mandatário.

No entanto, até mesmo entre os membros do Movimento houve um "racha" no último mês, após uma das manifestações ter terminado com 11 pessoas mortas durante os atos.

No golpe de 2012, o quartel de Kati também foi o local do motim que derrubou o então presidente Amadou Toumani Touri.

*Com ANSA

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