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Trump é indicado ao Nobel da Paz por acordo entre Israel e Emirados Árabes

Anunciado em 13/08, acordo entre Israel e EAU é considerado histórico e foi mediado por Trump - Mandel Ngan/AFP
Anunciado em 13/08, acordo entre Israel e EAU é considerado histórico e foi mediado por Trump Imagem: Mandel Ngan/AFP

Do UOL, em São Paulo

09/09/2020 09h34Atualizada em 09/09/2020 13h08

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz por sua participação no acordo histórico entre Israel e Emirados Árabes Unidos (EAU), segundo divulgado hoje pela Fox News. A indicação partiu do norueguês Christian Tybring-Gjedde, parlamentar de extrema-direita do Partido do Progresso (FrP).

O anúncio foi feito por Gjedde em entrevista ao Rundown, podcast da Fox News. Na visão do parlamentar, Trump "devia ser recompensado" por seu papel na consolidação do acordo, anunciado em 13 de agosto, que normaliza as relações diplomáticas entre Israel e EAU. O presidente dos EUA ajudou a intermediar as negociações.

"Por seu mérito, acho que ele [Trump] fez mais tentando estabelecer a paz entre as nações do que a maioria dos outros indicados", defendeu o norueguês. "É uma região muito importante para o mundo. Todos os esforços que levam à paz [ali] deveriam ser recompensados com o Nobel."

Gjedde comparou o tratado aos Acordos de Camp David, de 1978, entre Israel e Egito, e os Acordos de Oslo, da década de 1990, entre Israel e a OLP (Organização para a Libertação da Palestina). Nos dois casos, todas as partes receberam o Nobel da Paz (Anwar Sadat e Menachem Begin, no primeiro; Yasser Arafat, Shimon Peres e Yitzhak Rabin, no segundo).

O norueguês já havia indicado Trump ao prêmio em 2018, após o encontro entre o presidente dos EUA e o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un. Para Gjedde, foi uma conquista "honrosa".

Ao todo, 21 norte-americanos já receberam o Nobel da Paz. O último foi o ex-presidente Barack Obama, em 2009, por seus esforços para reduzir os estoques de armas nucleares no mundo e por seu trabalho pela paz no Oriente Médio. Criticado pela imprensa dos EUA e da Europa, o prêmio também é considerado "surpreendente" para Gjedde.

"Acho que o Nobel da Paz foi dado a Obama porque o líder do Comitê [do prêmio] ficou muito impressionado com os discursos de Obama e com a forma com que ele se comportou no seu primeiro mês como presidente", avaliou. "Além disso, ele foi o primeiro presidente negro dos EUA. Isso, por si só, também é uma conquista".

A visão de Gjedde corrobora com a de muitos críticos da época, que viram a premiação de Obama como precipitada. O ex-presidente foi indicado ao Nobel com apenas um mês no cargo e venceu antes mesmo que cumprisse, ao menos parcialmente, suas metas de governo.

Além de Obama, também ganharam o Nobel da Paz os presidentes Theodore Roosevelt (1906), Woodrow Wilson (1919) e Jimmy Carter (2002), sendo este último o único dos quatro a receber o prêmio quando já não estava mais à frente da Casa Branca.

Processo de escolha

Malala Yousafzai - Getty Images - Getty Images
Malala Yousafzai, Nobel da Paz em 2014, por defender dos direitos das crianças à educação
Imagem: Getty Images

A escolha dos vencedores do Nobel — seja da Paz, seja de qualquer outra categoria — parte dos comitês de cada área, responsáveis por enviar formulários a cientistas, acadêmicos e formadores de opinião pedindo indicações para o prêmio. Anualmente, são recebidas entre 200 e 300 nomeações, somadas todas as categorias.

Indicar alguém é um processo relativamente simples — o formulário em questão está disponível até no site do Comitê do Nobel —, mas nem todo mundo pode fazê-lo. Apenas personalidades como chefes de Estado, integrantes de governos, membros do Tribunal Internacional de Justiça de Haia, professores universitários e outros ganhadores do Nobel, por exemplo, podem fazer indicações.

Além de parlamentar, Christian Tybring-Gjedde, que indiciou Donald Trump, também é chefe da delegação norueguesa na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Apenas o vencedor é anunciado publicamente, e os indicados que não foram premiados só são revelados pelo Comitê do Nobel 50 anos depois do evento. Os responsáveis pelas indicações, porém, podem divulgar os nomes a qualquer momento — como fez Gjedde.

O Nobel da Paz, especificamente, é concedido todos os anos desde 1901 a homens, mulheres e entidades que atuam pelo progresso da humanidade. A lista de indicados já teve nomes polêmicos, como o do alemão Adolf Hitler, o soviético Josef Stalin e o italiano Benito Mussolini. A indicação do líder nazista, por exemplo, foi feita pelo sueco Erik Brandt e foi considerada um protesto.

Caso o Comitê avalie que não há ninguém apto a receber o Nobel de uma ou mais categorias, as áreas ficam sem premiação. A ausência de vencedores aconteceu, por exemplo, com o próprio Nobel da Paz entre 1939 e 1943, em meio à Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

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