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Cobrada por vacinas, AstraZeneca diz que não cancelou reunião com UE

Doses da vacina produzida pela Astrazeneca com a Universidade de Oxford - JUSTIN TALLIS/AFP
Doses da vacina produzida pela Astrazeneca com a Universidade de Oxford Imagem: JUSTIN TALLIS/AFP

Do UOL, em São Paulo*

27/01/2021 09h45

A AstraZeneca negou que tenha desistido das negociações sobre vacinas com a União Europeia (UE) e informou que planeja se reunir com autoridades do bloco ainda hoje, em Bruxelas.

Os comentários foram feitos depois que autoridades da UE disseram antes que a empresa havia se retirado da reunião para discutir o adiamento dos compromissos de entrega da vacina contra a covid-19 para o bloco de 27 países.

"Podemos confirmar que não nos retiramos, assistiremos à reunião com os funcionários da UE hoje", disse à AFP uma porta-voz da AstraZeneca, cuja vacina desenvolvida com a Universidade de Oxford deve ser, em breve, aprovada para seu uso nos países europeus.

Ontem, uma funcionária de alto escalão da UE anunciou que o laboratório havia proposto um novo cronograma de entrega, considerado "inaceitável". Ainda conforme a mesma fonte, as explicações dadas até agora pela empresa não foram "convincentes". Por isso, representantes da AstraZeneca foram convocados para mais uma reunião hoje.

O laboratório e a UE protagonizam uma dura disputa depois do anúncio da AstraZeneca sobre os atrasos na entrega de seu fármaco na Europa. A empresa atribuiu esse quadro a uma "queda do rendimento" em uma de suas unidades de produção na Bélgica, destinada ao abastecimento europeu.

A UE cobra o cumprimento do contrato por parte da empresa para garantir a obtenção do maior número possível de doses do imunizante. O bloco subiu o tom e ameaçou impedir as exportações de vacinas enquanto o acordo não for cumprido e países como a Letônia disseram que podem levar a empresa à justiça.

A AstraZeneca fechou acordos com dezenas de países pelo mundo, entre eles o Brasil. As características de suas doses — mais baratas e mais fáceis de serem transportadas — foram consideradas como essenciais aos países em desenvolvimento.

Ontem CEO da AstraZeneca, Pascal Soriot, deu uma entrevista, na qual procurava explicar a situação, mas nesta quarta um funcionário da UE questionou esses argumentos em entrevista à agência AFP.

De acordo com Soriot, a AstraZeneca conseguiu fornecer suas vacinas para o Reino Unido porque havia assinado seu contrato três meses antes e isso lhe deu tempo para corrigir as falhas nas fábricas britânicas. "De qualquer maneira, não nos comprometemos com a UE (...). Não é um compromisso contratual. Dissemos: faremos o melhor que pudermos, mas sem garantir que vamos conseguir", completou.

"Rejeitamos muitas das coisas da entrevista [de Soriot], incluindo a ideia de que as fábricas do Reino Unido estão reservadas para as entregas no Reino Unido", disse o alto funcionário da UE.

Sobre a ideia de "fazer o que puderem", esta mesma fonte indicou que "o contrato prevê a existência de capacidades adicionais de produção. De forma que, se houver um problema em uma fábrica na Bélgica, possamos recorrer às capacidades em outras fábricas na Europa e no Reino Unido", completou.

Outra possibilidade levantada pela fonte à AFP, é que as duas unidades da AstraZeneca no Reino Unido que fabricam vacinas para a covid-19 compartilhem a produção com a UE.

*Com informações da AFP, Associated Press e Reuters

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