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Professor é suspenso nos EUA após chamar George Floyd de 'criminoso'

George Floyd, de 46 anos, foi sufocado enquanto era imobilizado por um policial branco que colocou seu joelho no pescoço dele por quase nove minutos, em 25 de maio - REPRODUÇÃO
George Floyd, de 46 anos, foi sufocado enquanto era imobilizado por um policial branco que colocou seu joelho no pescoço dele por quase nove minutos, em 25 de maio Imagem: REPRODUÇÃO

Colaboração para o UOL

05/05/2021 17h05

Um professor do ensino médio de Nova Jersey, nos Estados Unidos, teve o pagamento suspenso após chamar George Floyd, estrangulado e morto por um policial branco em maio do ano passado, de "criminoso".

Howard Zlotkin, que leciona ciências na William Dickinson High School, também é acusado de escolher estudantes negros para escrever um ensaio sobre " por que a vida dos negros é importante", segundo uma aluna do último ano que filmou os comentários durante uma aula virtual na semana passada.

No começo do vídeo, Zlotkin afirma que "o resultado final é que fazemos [Floyd um maldito herói? Ele não é um herói; ele é como um criminoso". Depois, continua: "Vocês imitam as pessoas, pessoas que estão simplesmente erradas, que são criminosas, e você está acertando porque são negras ou têm uma história ruim".

A estudante Timmia Williams, responsável pela filmagem, disse que o tópico inicial da discussão na aula de paisagismo e design era a mudança climática. A jovem não se recorda o sobre o momento em que a conversa mudou para Floyd, mas decidiu gravar para servir de prova, caso os funcionários da escola não acreditassem nela.

"Nunca estive em uma situação em que as pessoas falam mal da raça de outras pessoas. Isso realmente me incomodou", desabafou à CNN.

Zlotkin também foi gravado criticando as mulheres que fundaram o movimento Black Lives Matter, alegando que são multimilionárias que estão "ganhando dinheiro com as pessoas". Ele faz afirmações infundadas de que a co-fundadora do Black Lives Matter, Patrisse Cullors, usou doações para comprar várias casas, o que foi negado pela fundação.

O professor então disse aos alunos que ele "não é um maldito privilegiado", de acordo com o vídeo.

"Eu venho trabalhar, sou pago pelo meu vice-diretor Black, que também acha que sou um privilegiado do caralho", afirmou.

A estudante interrompe e diz a ele que "cada pessoa branca é privilegiada", incluindo ele.

"Quer saber, fo**-se você, sou um privilegiado", respondeu o professor.

Timmia contou que Zlotkin pediu a ela e outros três alunos negros da classe para escrever um ensaio sobre por que as vidas dos negros são importantes.

O presidente do Conselho de Educação da cidade, Mussab Ali, disse à CNN que Zlotkin foi suspenso no dia seguinte. A polícia local e o Serviço de Proteção à Criança estão investigando o caso junto ao distrito.

O distrito escolar divulgou um comunicado dizendo que estava "chocado com as declarações que ele fez aos alunos cheios de raiva, palavrões e desrespeito" e que as "opiniões de Zlotkin" não representam o foco do Distrito Escolar Público da cidade na equidade e na adoção de um corpo estudantil".

Zlotkin não respondeu aos questionamentos da CNN, mas disse ao jornal The Washington Post que seus comentários foram considerados "fora de contexto".

De acordo com o Centro Nacional de Estatísticas de Educação, 22% dos alunos de escolas públicas no distrito são negros, 29% são hispânicos ou latinos, 25% são asiáticos e 21% são brancos.

Policial é condenado pela morte de George Floyd

Em abril, o ex-policial Derek Chauvin foi condenado pelo assassinato não intencional em segundo grau, assassinato em terceiro grau e homicídio culposo de Floyd. A promotoria decidiu revogar a fiança para o crime de homicídio culposo. A sentença deve ser divulgada nas próximas semanas. Somadas as condenações, Chauvin pode ficar preso por até 75 anos. Só a condenação por homicídio não intencional em segundo grau tem pena máxima de até 40 anos, segundo informações da CNN dos EUA.

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