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Guerra da Rússia-Ucrânia

Notícias do conflito entre Rússia e Ucrânia


Ucrânia diz esperar resposta após avanço em Kharkiv; Finlândia debate Otan

Nathan Lopes

Do UOL*, em São Paulo

16/05/2022 05h25Atualizada em 16/05/2022 11h26

O Ministério da Defesa da Ucrânia disse, em seu relatório de hoje, que a Rússia está "tentando deter a ofensiva das Forças de Defesa ao norte da cidade de Kharkiv e impedi-las de chegar à fronteira estatal da Ucrânia". "O inimigo está preparando uma ofensiva de forças concentradas na área da cidade de Izium", em referência a cidade da região de Kharkiv. O Ministério da Defesa da Rússia anunciou hoje ter feito ataques na área, destruindo equipamentos aéreos.

Kharkiv é a segunda maior cidade da Ucrânia e foi um dos primeiros alvos das forças russas na invasão ao território ucraniano, iniciada em 24 de fevereiro. Ontem, a Defesa ucraniana mostrou imagens de combatentes restaurando o sinal no trecho da fronteira com a Rússia na região de Kharkiv.

Segundo Oleg Synegubov, governador da região, "os ocupantes russos reduziram significativamente a intensidade do bombardeio de Kharkiv graças às nossas Forças Armadas", mas reforçando que "o perigo para a população civil ainda existe". "As Forças de Defesa da região de Kharkiv continuam mantendo sua posição e realizando operações de contra-ofensiva bem-sucedidas." Hoje, a guerra russa na Ucrânia chegou ao 82º dia.

Combatentes das Forças Armadas da Ucrânia e guardas de fronteira restauram sinal no trecho da fronteira com a Rússia na região de Kharkiv Imagem: 15.mai.2022 - Reprodução/MinistryofDefence.UA

Na Finlândia, a primeira-ministra do país, Sanna Marin, fez uma apresentação hoje ao Parlamento sobre o relatório para a adesão à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). "Se o Parlamento aprovar as conclusões do relatório, o governo está equipado para tomar as decisões necessárias para lançar rapidamente as negociações de adesão", disse. Uma sessão plenária é realizada hoje sobre a questão.

A Rússia tem visto como ameaça a possível entrada da Finlândia na Otan, um movimento em consequência da invasão russa ao território ucraniano. Hoje, o presidente russo, Vladimir Putin, prometeu "resposta" caso haja a adesão à aliança militar. Os dois países compartilham uma fronteira de cerca de 1.300 quilômetros de extensão.

A entrada na Otan também foi avaliada na Suécia, que hoje teve um debate em seu Parlamento sobre deliberações de política de segurança. Por volta das 10h, horário de Brasília, o governo sueco anunciou que está se candidatando para entrar na aliança militar.

A primeira-ministra da Finlândia, Sanna Marin, fala durante a sessão plenária no Parlamento finlandês, em Helsinque Imagem: Emmi Korhonen/Lehtikuva/Reuters

Rússia ameaçando

Em seu discurso, a primeira-ministra da Finlândia disse que "ocorreram mudanças fundamentais em nosso ambiente de segurança", ao tratar, no Parlamento do país, sobre a entrada na Otan. "A alegação da Rússia de que é alvo de ameaças externas não tem fundamento algum. O único país que está ameaçando a segurança da Europa e travando abertamente uma guerra de agressão é a Rússia", completou Marin.

Segundo ela, "cada país tem o direito de tomar suas próprias decisões sobre política externa e de segurança". "Nenhum outro ator pode infringir esse direito. As exigências da Rússia significam que, em sua opinião, a Rússia tem o direito de definir uma esfera de influência para si mesma."

Marin pontuou aos parlamentares que, como membro da aliança militar, "a Finlândia se tornaria parte da defesa coletiva da Otan e das garantias de segurança que a acompanham". "Se a Finlândia for alvo de um ataque, receberemos ajuda. E, inversamente, se outro país da Otan for alvo de um ataque, nós o ajudaremos."

Rússia não irá "tolerar"

Em comunicado distribuído pelo Ministério de Relações Exteriores da Rússia, o vice-ministro Sergey Riabkov disse que Finlândia e Suécia não "devem ter ilusões de que vamos simplesmente tolerar isso", em referência à possível entrada dos países na Otan.

"Ou seja, o nível geral de tensão militar aumentará e haverá menos previsibilidade nessa área. É uma pena que o bom senso seja sacrificado a algumas ideias fantasmas sobre o que deve ser feito na situação atual", completou, mencionando que o movimento é "outro erro grave com consequências de longo alcance".

Imagem: Arte UOL

Esforços em Donetsk

A Defesa ucraniana disse hoje que o exército russo "concentrou seus principais esforços na direção de Donetsk", área do leste ucraniano com separatistas pró-Rússia.

Enquanto isso, além dos avanços em Kharkiv, a Ucrânia disse ter feito um ataque na região de Kherson contra as forças russas, que ocupam a região, no sul do país. A ação aconteceu em Chornobaivka, onde "posições inimigas" foram atingidas. "Eles perderam mão de obra e equipamentos."

Em Sievierodonetsk, na região de Lugansk, leste da Ucrânia, tropas explodiram "pontes ferroviárias ocupadas pelos russos" que ligam a cidade a Rubizhne. "O objetivo do bombardeio era impedir as forças de ocupação russas de atacar Lysychansk e Sievierodonetsk", disse Sergey Gaidai, governador da região.

Em Mariupol, no sudeste ucraniano, "o inimigo continua com artilharia maciça e ataques aéreos". A Defesa ucraniana disse que "os principais esforços dos ocupantes foram bloquear e destruir" as unidades no complexo Azovstal, ponto de resistência na cidade portuária, sitiada pelos russos.

Empresas fora da Rússia

O McDonald's disse hoje que vai vender todos os seus restaurantes na Rússia por causa da guerra russa na Ucrânia, que teve início em 24 de fevereiro. O anúncio da venda das unidades ocorre após 32 anos de atividades da empresa no país.

E, em razão das sanções dos países ocidentais contra a Rússia, a montadora francesa Renault confirmou que vendeu seus ativos no país ao Estado russo. Esta é a primeira nacionalização de uma multinacional desde o início da invasão da Ucrânia.

(Com Reuters, RFI e AFP)

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