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O que se sabe do caso de salmonella na maior fábrica de chocolate do mundo

Maior fábrica de chocolates do mundo foi contaminada com salmonella - Getty Images/iStockphoto
Maior fábrica de chocolates do mundo foi contaminada com salmonella Imagem: Getty Images/iStockphoto

Juliana Almirante

Colaboração para o UOL

06/07/2022 04h00

A produção da fábrica de chocolate do grupo suíço Barry Callebaut na cidade de Wieze, na Bélgica, foi interrompida depois da descoberta da contaminação por Salmonella.

Um comunicado publicado no site do grupo afirma que a "ação decisiva e rápida" da empresa protegeu o risco à saúde dos consumidores. A detecção do lote de produção positivo para Salmonella foi no dia 27 de junho.

A fábrica de chocolate em Wieze é a maior do mundo, de acordo com o site de turismo do governo Visit Flanders.

Veja abaixo o que se sabe até agora sobre o caso.

Houve casos de pessoas contaminadas?

De acordo com informações da AFP, até o momento, não há informações de pessoas contaminadas por conta da ingestão dos produtos.

O programa de segurança de alimentos da empresa identificou como fonte de contaminação a lecitina — substância emulsificante geralmente usada para deixar o chocolate mais fácil de modelar.

As autoridades alimentares belgas (FAVV) foram informadas pela Barry Callebaut sobre o incidente. Todas as linhas de produção de chocolate foram interrompidas como medida de precaução. Além do mais, todos os produtos fabricados após o dia 25 de junho tiveram a distribuição suspensa.

O que diz a empresa?

Conforme a empresa, nenhum chocolate contaminado "entrou na cadeia alimentar do varejo". Um porta-voz da companhia informou que a fábrica produz chocolate líquido em lotes no atacado para 73 clientes que fabricam produtos de confeitaria, segundo a AFP. Isso quer dizer que as vendas são feitas para empresas e não diretamente para os consumidores.

A maioria dos produtos que foi contaminada ainda estava na fábrica, disse o porta-voz do grupo. Conforme a Barry Callebaut, 72 das 73 empresas confirmaram que interromperam as entregas do chocolate que pode estar contaminado e conseguiram impedir que os produtos chegassem às lojas. A fabricante ainda aguardava resposta de um dos clientes.

Também de acordo com a Barry Callebaut, a segurança de alimentos é de extrema importância para o grupo e a contaminação em uma das fábricas foi bastante excepcional. A produção de chocolate em Wieze permanecerá suspensa até um novo aviso.

O grupo realiza uma análise completa do incidente e mantém as autoridades belgas informadas sobre o processo. Depois que a investigação for concluída, as linhas serão limpas e desinfetadas antes da retomada da produção.

Para quem o grupo fornece?

Ainda segundo informações da AFP, a Barry Callebaut fornece produtos derivados do cacau e de chocolate para muitas empresas da indústria alimentícia.

Entre elas, estão gigantes da indústria, como a Hershey's, a Mondelez, a Nestlé e a Unilever. Considerado número um em todo o mundo no setor, o grupo comercializou 2,2 milhões de toneladas de produtos durante o ano financeiro de 2020 a 2021.

No entanto, é importante destacar que a fábrica de Wieze onde a contaminação por Salmonella foi detectada não produz chocolates para serem vendidos diretamente aos consumidores. Assim, a empresa não tem razões para acreditar que algum produto contaminado feito por clientes tenha chegado às prateleiras das lojas.

Qual o perigo da contaminação por Salmonella?

As bactérias do gênero Salmonella podem causar diarreia e febre. Depois da contaminação, os sintomas costumam aparecer em até dois dias. Geralmente, a doença tem duração de até sete dias.

No entanto, há casos de contaminação que podem ser mais graves. Os cuidados devem ser concentrados em crianças, principalmente menores de cinco anos, além de idosos e pessoas com algum quadro de imunodepressão.

O tratamento inclui repouso e alimentação leve, em casos menos graves. Por sua vez, os casos mais severos incluem o uso de antibióticos, que deve ser avaliado com precaução, já que algumas bactérias podem ter resistência antimicrobiana.

Grupo Ferrero passou por situação semelhante

Em abril, o grupo Ferrero, dono da marca Kinder, interrompeu as atividades de uma fábrica de chocolate em Arlon, na Bélgica, também devido à contaminação por Salmonella. A suspensão da operação ocorreu depois do surgimento de casos de contaminação entre crianças na Europa.

Além disso, a Agência Belga de Segurança Alimentar (Afsca) ordenou o recolhimento de todos os produtos, independentemente do lote e da data de fabricação. Entre os produtos, estavam os Kinder Surprise, Kinder Mini Eggs, Kinder Surprise Maxi, assim como bombons que eram fabricados na unidade de Arlon.

A direção do grupo Ferrero se desculpou publicamente pelo episódio. Mais de 3 mil toneladas de produtos tiveram que ser retirados das prateleiras depois da revelação da contaminação pela bactéria. Até meados de abril, ao menos 150 casos de Salmonella foram detectados em nove países europeus.

A Justiça belga só autorizou a reabertura da fábrica em Arlon em junho, durante um período experimental. Essa permissão de retomada das atividades tem duração de três meses e cada ingrediente será analisado antes da distribuição e da venda dos produtos.

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