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Professor: 'Queda do Boris Johnson pode promover novo debate sobre Brexit'

07/07/2022 11h17

A renúncia do primeiro ministro Boris Johnson pode causar mudanças na política do Reino Unido, de acordo com Mauricio Santoro, professor de relações internacionais da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Ele participou do UOL News nesta quinta-feira (7) e apontou que até o Brexit pode ser revisto depois disso.

"Será que a queda do Boris Johnson vai promover um novo debate sobre Brexit? Não descartaria. Porque tem sido uma transição dura no aspecto econômico. Ao mesmo tempo a guerra na Ucrânia e a crise política têm favorecido a integração europeia", analisou Santoro.

Ele também observou que a saída de Boris é resultado de uma série de fatores. "Essas denúncias de assédio sexual envolvendo um deputado vice-líder do governo foram só a gota d'água em um período de muito desgaste do governo, que vem desde pandemia, por uma série de denúncias de festa que governo teria feito no escritório. Isso tinha provocado uma reação grande, porque a pandemia bateu forte no Reino Unido. No mês passado houve voto de desconfiança contra Boris no parlamento. A pressão aumentou e 40% votou para ele sair. Ele sobreviveu, mas houve acumulo de desgaste, que culminou na renúncia dessa quinta-feira" explicou o professor.

Dentro do contexto mundial, Santoro analisou que a renúncia é simbólica porque acaba com uma onda política relevante nos últimos.

"Boris era o último representante na Europa Ocidental de uma onda anti-sistema, uma onda de populistas, que teve o auge entre 2016 e 2019. Era o Boris no Reino Unido e o Trump nos Estados Unidos, guardadas as devidas proporções. O que esses governos populistas têm desempenhado no poder tem sido uma frustração para os eleitores. Nenhum realizou mudanças. Só foram eficazes para canalizar a raiva política", criticou Santoro.

Sobre um possível substituto para Boris Johnson, Santoro entende que é cedo para falar de nomes. Mas descreveu um provável perfil do sucessor.

"É alguém que tenha exercido um cargo de ministro em pautas importantes. Acredito que, depois de vários anos de complicação, o partido conservador não vai querer surpresa. Vai querer alguém mais próximo das posições do partido e não personalista, como Johnson ou David Cameron. Vai ser um governo, para usar uma expressão brasileira, mais 'arroz e feijão', sem grandes surpresas e inovações", concluiu Santoro.

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