Conteúdo publicado há 20 dias

Prejudicado por 'intervenção sionista', diz palestino barrado pela PF

O palestino retido com a família pela PF no aeroporto de Guarulhos quando chegou ao Brasil fez um relato sobre a situação em uma carta endereçada à imprensa e publicada nesta terça-feira (25).

O que aconteceu

Muslim Abuumar disse que voltou à Malásia após uma "viagem familiar mal sucedida" ao Brasil. Ele contou que visitaria o irmão, mas infelizmente foi impedido "pela intervenção sionista, claramente devido às minhas atividades acadêmicas de apoio à luta palestina".

Palestino relatou que foi abordado por "vários policiais" que o levaram para interrogatório. "As perguntas centraram-se nas minhas opiniões políticas e atividades acadêmicas em apoio à causa palestiniana", disse.

"Fui questionado sobre como falar em conferências acadêmicas internacionais sobre a Palestina, sobre a minha participação em fóruns internacionais organizados por grupos de reflexão internacionais e sobre a minha opinião sobre a guerra em curso em Gaza", continuou.

Muslim afirmou ter defendido que Israel "é um regime de apartheid" e que está cometendo "um genocídio em Gaza". Ele também defendeu que o posicionamento está em conformidade com o posicionamento do governo brasileiro e com o direito internacional.

Esta árdua jornada incluiu uma decisão injusta da Polícia Federal de impedir a minha entrada no Brasil, emitida sob as ordens de um país estrangeiro imperialista que patrocina ativamente o genocídio israelense em curso em Gaza.
Muslim Abuumar

Juíza considerou suspeita de vínculo com o Hamas para repatriar família

Suspeita de vínculo do palestino com o Hamas é citada pela juíza Milenna Marjorie Fonseca em decisão que revogou liminar anterior e o enviou de volta para a Malásia. Para a PF, Muslim Abuumar é "membro operativo" do gabinete internacional do grupo extremista, responsável por ataques contra israelenses em outubro passado. A defesa dele nega e afirma que vai recorrer.

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Abuumar aparece em sistema internacional de suspeitos de envolvimento com terrorismo, segundo a PF. A decisão, obtida pelo UOL, cita ainda um levantamento em que o palestino é apontado em reportagens como representante do Hamas.

A PF suspeita que Abuumar veio ao Brasil com a mulher grávida para que a criança nascesse no país. Isso facilitaria a aprovação da cidadania brasileira para o resto da família. "O que já foi observado [...] em outros casos envolvendo pessoas vinculadas a organizações terroristas".

Entenda o caso

O palestino chegou ao Brasil acompanhado de sua mulher, do filho de cinco anos e da sogra dele. Segundo a defesa, a família veio ao Brasil visitar o irmão de Abuumar — que trabalha como diretor do Centro de Pesquisa e Diálogo da Ásia, que tem sede em Kuala Lumpur.

Presidente do Instituto Brasil-Palestina diz que Abuumar foi interrogado assim que desembarcou e acusa xenofobia. Segundo Ahmad Shehada, o palestino foi informado de que seria repatriado após ser questionado sobre seus posicionamentos políticos, se apoia ou não a resistência palestina e a ocupação da Faixa de Gaza por Israel.

Não tenho dúvidas que existe uma cooperação entre os serviços de inteligência e este caso comprova isso. Muslim Abuumar é um professor universitário, tem boas relações com o governo da Malásia, onde mora há anos. Ele é sim um ativista pelos direitos do povo palestino, como eu também sou. Esse é mais um caso de xenofobia
Ahmad Shehada, presidente do Instituto Brasil-Palestina

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